Trump mantém pressão tarifária sobre o Brasil em meio a controvérsias políticas

Trump impõe tarifas de 50% e critica censura no governo Bolsonaro; Eduardo Bolsonaro busca sanções contra STF.

Crédito: Alan Santos/PR

No cenário das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, a recente correspondência enviada pela diplomacia brasileira ao governo norte-americano solicitou a retomada de discussões “técnicas” acerca das tarifas impostas. Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou sua postura política ao defender a aplicação de uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros. Essa medida, segundo Trump, representa uma “manifestação de desaprovação” em relação às ações judiciais que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus assessores próximos, incluindo membros das forças armadas.

Em uma carta divulgada na Truth Media e endereçada a Bolsonaro, Trump expressou: “Tenho manifestado fortemente minha desaprovação tanto publicamente quanto por meio da nossa política tarifária“. O presidente americano expressou sua esperança de que o Brasil altere sua trajetória política, cessando ataques a opositores e encerrando o que ele descreve como um “ridículo regime de censura“.

Além disso, Trump demonstrou preocupação com os ataques à liberdade de expressão que, segundo ele, emanam do governo brasileiro. Sua crítica se estendeu às recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), as quais têm implicações diretas para redes sociais com sede nos Estados Unidos.

Trump também comentou sobre a posição de Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, afirmando não se surpreender com a liderança do ex-presidente nas intenções de voto. Segundo o presidente americano, Bolsonaro enfrenta um “tratamento terrível pelas mãos de um sistema injusto que se voltou contra ele”.

Jair Bolsonaro
Saulo Cruz/Agência Senado

Uma pesquisa divulgada pela Genial/Quaest revelou que, caso concorresse novamente, Bolsonaro — atualmente inelegível — teria 37% dos votos em um eventual segundo turno contra Lula, que alcançaria 43%.

No contexto dessa tensão diplomática, uma reportagem do jornal The Washington Post destacou a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente. O deputado estaria colaborando diretamente com a Casa Branca na imposição de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, responsável por julgar os casos relacionados à tentativa de golpe de Estado no STF.

Divulgaçao

De acordo com a publicação, Eduardo pressionaria Trump para adotar medidas ainda mais severas após a imposição das tarifas. Um vídeo publicado por Eduardo nas redes sociais mostra o deputado saindo de reuniões na Casa Branca, onde ele menciona que “as coisas estão acontecendo neste exato momento” em referência às sanções contra Moraes.

O Post ainda destaca que Paulo Figueiredo, influenciador brasileiro de direita e acusado de participar do suposto plano golpista, acompanhava Eduardo no vídeo. Figueiredo afirmou que sanções dirigidas a “aliados e apoiadores” de Moraes também estavam em discussão. Ele caracterizou as tarifas impostas por Trump como o início de uma jornada potencialmente sombria para o Brasil.

Paulo Figueiredo - Bolsonaro
Reprodução Redes Sociais
  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 18/07/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo