Trump critica aproximação da Índia e Rússia com a China

Trump ironiza alianças nas mídias: "Que tenham futuro próspero juntos"

Crédito: Joyce N. Boghosian/Fotos Públicas

Na recente culminância de uma semana intensa em diplomacia, o presidente da China, Xi Jinping, destacou-se ao lado de figuras proeminentes como Vladimir Putin e Narendra Modi. Em meio a este cenário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou sua frustração de forma sarcástica.

Nesta sexta-feira (5), Trump publicou em sua rede social Truth Social: “Parece que perdemos a Índia e a Rússia para a China mais profunda e sombria. Que eles tenham um longo e próspero futuro juntos!” Essa declaração reflete o desconforto do presidente diante das imagens que marcaram a semana, evidenciando a desordem na política externa americana durante seu governo.

No domingo (31) e na segunda (1º), Xi Jinping organizou a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), onde recebeu líderes como Putin e Modi, além de outros representantes da entidade formada em 2001. Durante o encontro, foi anunciada a criação de um novo banco destinado a tratar questões de segurança regional.

A análise de Antonia Colibasanu, da consultoria Geopolitical Futures, destacou a importância desse movimento: “A proposta é notável uma vez que a SCO não foi inicialmente concebida como um bloco econômico. Em um mundo sem referências claras, as esferas econômica e de segurança se entrelaçam”.

Um momento significativo da cúpula foi a fotografia dos três líderes, todos fundadores do Brics, em um ambiente amigável. No entanto, pouco antes disso, Trump havia imposto tarifas sobre importações que elevaram os custos para produtos indianos e brasileiros a 50%, criando tensões nas relações comerciais.

A estratégia americana visava punir a Índia por suas compras significativas de petróleo russo, visto que isso fortaleceu a máquina bélica de Putin. Tradicionalmente uma aliada dos EUA no equilíbrio geopolítico asiático frente à China, a aproximação entre Modi e Xi foi impulsionada pela crescente tensão nas relações entre Washington e Nova Déli.

Por outro lado, Trump tem sido criticado por não aplicar sanções ao maior comprador de petróleo russo, que é a própria China, mantendo conversas tarifárias com ela enquanto países europeus ainda dependem das exportações russas.

A situação envolvendo a Rússia se torna ainda mais complexa após a cúpula da SCO. Putin permaneceu na China para participar do desfile militar em comemoração aos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Nesse evento, observou o desfile de mísseis nucleares capazes de atingir os EUA, simbolizando uma aliança cada vez mais forte entre Moscou e Pequim.

A presença do líder norte-coreano Kim Jong-un ao lado de Xi e Putin no evento também levanta questões sobre uma colaboração militar em um contexto onde tropas asiáticas estão lutando na Europa pela primeira vez desde Gengis Khan.

Vinte dias antes da invasão da Ucrânia em 2022, Putin havia firmado um acordo com Xi Jinping caracterizado como uma “amizade sem limites“, promovendo uma cooperação significativa entre suas forças armadas.

Xi tem fornecido suporte econômico à Rússia, isolada devido às sanções internacionais. Em contrapartida, recebe petróleo a preços reduzidos e promete gás abundante através do megagasoduto Força da Sibéria 2.

Embora Trump tenha tentado enfraquecer essa aliança ao retirar apoio incondicional à Ucrânia e propor negociações diretas com Putin, as tensões permanecem elevadas devido à pressão europeia sobre os EUA para não ceder mais terreno à Rússia.

Dessa forma, caso os Estados Unidos percam influência sobre a Rússia em favor da China, Trump poderá ser responsabilizado diretamente por essa mudança no equilíbrio geopolítico. A ironia do presidente evidencia um certo ciúme geopolítico diante das novas alianças formadas entre essas potências.

Antes da postagem de Trump na rede social, o Kremlin minimizou suas declarações anteriores insinuando que o ex-presidente estava apenas sendo irônico ao afirmar que Xi, Putin e Kim estavam conspirando contra os Estados Unidos durante o desfile militar.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 05/09/2025
  • Fonte: Fever