Trump chama Chicago de ‘cidade mais perigosa do mundo’

Declaração ocorreu nesta terça-feira (2), após protestos de cerca de 10 mil pessoas contra ações anti-imigração

Crédito: Joyce N. Boghosian/FotosPúblicas

No início desta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma afirmação polêmica ao classificar Chicago como a “cidade mais perigosa do mundo“. A declaração foi feita nesta terça-feira (2), logo após grandes manifestações que reuniram cerca de 10 mil pessoas em protesto contra suas propostas de usar a Guarda Nacional e agentes federais em uma ação anti-imigração que está prevista para ocorrer ainda nesta semana.

Em um post publicado em sua plataforma Truth Social, Trump prometeu uma rápida solução para a criminalidade, citando sua experiência anterior em Washington, onde enviou forças federais para conter a violência. “Chicago estará segura e em breve”, afirmou o presidente.

Contudo, suas declarações parecem contrabalançar dados recentes da prefeitura de Chicago, que indicam uma queda significativa nos homicídios e tiroteios: 32% e 37,4%, respectivamente, nos primeiros seis meses do ano.

Chicago, com uma população de aproximadamente 2,7 milhões de habitantes — e quase 10 milhões na área metropolitana — é a terceira cidade mais populosa dos Estados Unidos. Governada pelo Partido Democrata por quase um século, a cidade se destaca como um bastião da legenda política no país.

O prefeito atual, Brandon Johnson, assinou recentemente um decreto determinando que a polícia local não colabore com as operações federais de imigração. Durante os protestos de segunda-feira (1º), Johnson reafirmou seu compromisso com a proteção dos cidadãos e criticou as iniciativas do governo federal.

Desde que assumiu o controle das operações policiais em Washington, Trump tem intensificado suas críticas a cidades governadas por democratas. Em seus comentários sobre Chicago, ele descreveu a situação na cidade como “uma bagunça” e um “campo de batalha“. Os ataques frequentes do presidente geram preocupações entre comunidades negras sobre o impacto do envio de tropas federais, especialmente em relação à compreensão cultural necessária para abordar questões locais.

A tensão entre Trump e líderes locais se acentuou ainda mais após seus comentários direcionados ao governador de Illinois, J. B. Pritzker. O governador chamou os planos da Casa Branca de enviar soldados da Guarda Nacional para Chicago de “uma invasão com tropas americanas”, ressaltando que não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre tais planos. “É óbvio que estão planejando isso em segredo”, declarou Pritzker no domingo (31).

Além disso, Trump utilizou uma recente onda de violência em Chicago como justificativa para suas ações. No fim de semana do feriado do Dia do Trabalho, seis pessoas foram mortas e 24 feridas em tiroteios na cidade. Em resposta, Trump criticou Pritzker por supostamente não buscar ajuda federal para enfrentar o crime: “Ele é MALUCO!!! É melhor ele resolver isso RÁPIDO, ou nós vamos entrar!”, postou o presidente.

A secretária de Segurança Doméstica da administração Trump, Kristi Noem, confirmou que agentes federais já foram enviados a Chicago como parte dos preparativos para as operações anti-imigração programadas para começar na sexta-feira (5). Além disso, ela mencionou planos semelhantes para outras cidades democratas como San Francisco e Boston.

Vale ressaltar que ações anteriores do ICE em Los Angeles resultaram em protestos massivos devido ao impacto das operações nas comunidades imigrantes. As tensões entre a administração federal e as cidades lideradas por democratas continuam a ser um tema controverso no cenário político atual.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 02/09/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo