Trump anuncia bloqueio no Estreito de Ormuz e eleva tensão
Presidente Donald Trump acusa Irã de “extorsão global” após fracasso de negociações e ordena interceptação de navios na principal rota do petróleo
- Publicado: 12/04/2026 11:29
- Alterado: 12/04/2026 11:29
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPres
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (12) a implementação de um bloqueio naval no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo. A decisão ocorre após o fracasso das negociações com o Irã, realizadas em Islamabad, no Paquistão.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a Marinha norte-americana passará a interceptar embarcações que tentarem atravessar a região, incluindo aquelas que tenham pago taxas ao governo iraniano. Segundo o presidente, a cobrança configura uma prática ilegal.
EUA prometem interceptações e ação contra minas
De acordo com o anúncio, a ordem tem efeito imediato e inclui a inspeção de navios em águas internacionais. Trump declarou que qualquer embarcação associada ao pagamento de pedágios ao Irã poderá ser alvo de interceptação.
O presidente também afirmou que forças dos Estados Unidos iniciarão operações para remover possíveis minas marítimas na região, apontadas por Teerã como justificativa para medidas de controle no estreito.
Além disso, o governo norte-americano sinalizou que poderá responder militarmente a eventuais ataques contra embarcações civis ou militares no local.
Acusações de “extorsão global” e disputa estratégica
Trump acusou o Irã de promover “extorsão global” ao ameaçar a segurança da passagem marítima. O estreito é considerado estratégico para o comércio internacional de energia, concentrando uma parcela significativa do fluxo mundial de petróleo.
Segundo o presidente, a alegação iraniana sobre a presença de minas no local gera insegurança deliberada e compromete a livre navegação.
Negociações fracassam por impasse nuclear
As negociações entre Estados Unidos e Irã duraram cerca de 20 horas e envolveram três rodadas de conversas. O principal ponto de divergência foi o programa nuclear iraniano.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, que liderou a delegação americana, afirmou que Teerã rejeitou condições consideradas centrais por Washington, como a garantia de não desenvolver armas nucleares.
Já autoridades iranianas indicaram falta de confiança nas propostas americanas. O presidente do Parlamento do país declarou que os Estados Unidos não conseguiram avançar em compromissos considerados essenciais por Teerã.
Impactos econômicos e cenários de crise
Levantamentos sobre o cenário indicam que um eventual bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode provocar efeitos econômicos globais, especialmente no custo do transporte e na cadeia de produção de alimentos.
Especialistas projetam diferentes cenários de crise, incluindo aumento nos preços do petróleo e impacto direto em setores industriais dependentes de logística internacional.
Incerteza sobre o cessar-fogo
O fracasso das negociações também aumenta a incerteza em relação ao frágil cessar-fogo entre os dois países, que mantêm histórico de tensões desde a Revolução Islâmica de 1979.
Com a nova medida anunciada por Washington, o cenário no Oriente Médio entra em uma fase de maior instabilidade, com possíveis reflexos na segurança marítima e no comércio global.