Trump amplia poder em seu segundo mandato, mas enfrenta resistências estratégicas nos EUA

Judiciário, universidades e mercado financeiro se mostram como principais freios à agenda expansionista da Casa Branca neste novo ciclo

Crédito: RS/Fotos Públicas

No contexto do seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se empenhado em ampliar o escopo de suas prerrogativas, enfrentando resistência significativa em várias esferas, incluindo o Judiciário, instituições acadêmicas e o setor financeiro.

Avanço por ordens executivas e controle institucional

Nos primeiros 100 dias de sua nova administração, Trump demonstrou uma intenção clara de expandir os poderes que já exerce. Ele recorreu a ordens executivas com o objetivo de transformar aspectos do comércio internacional e de implementar políticas de deportação de imigrantes que desafiam o devido processo legal.

Através da assinatura de um número considerável de ordens, o presidente busca reformular a estrutura governamental dos Estados Unidos conforme sua visão. Além disso, ele almeja exercer maior controle sobre as universidades e a regulamentação eleitoral, refletindo uma abordagem assertiva para consolidar sua influência.

Apesar da clara ambição por poder, a professora Erica Frantz, especialista em autoritarismo na Universidade Estadual de Michigan, enfatiza que a busca por controle não é necessariamente mais intensa do que durante seu primeiro mandato. “O que se alterou é sua eficácia em marginalizar ou silenciar aqueles que possam restringir sua autoridade”, afirmou Frantz em entrevista à BBC News Mundo.

Judiciário, universidades e mercado desafiam Trump

No entanto, Trump enfrenta três desafios principais que dificultam seus objetivos. Embora mantenha controle sobre o Partido Republicano — que possui a maioria nas duas câmaras do Congresso — o Judiciário se apresenta como um contrapeso crítico ao seu governo. Várias medidas controversas foram temporariamente suspensas pelos tribunais federais, incluindo tentativas de revogar a cidadania automática para nascidos nos EUA e deportações polêmicas.

Casos como o do imigrante Kilmar Ábrego García, deportado apesar de uma ordem judicial contrária, evidenciam a tensão entre os poderes Executivo e Judiciário. A Suprema Corte também teve papel crucial em exigir que o governo notifique imigrantes sobre suas intenções de deportação com antecedência adequada.

Além disso, no âmbito acadêmico, Trump tem tentado exercer influência sobre universidades americanas sob a justificativa de combater o antissemitismo. Entretanto, as exigências impostas pelo governo levantaram preocupações acerca da liberdade acadêmica. Instituições como a Universidade Columbia cederam a algumas demandas para evitar cortes em financiamentos federais, enquanto Harvard resistiu e contestou legalmente as ações do governo.

Os reveses no campo financeiro também marcaram os primeiros meses do segundo mandato de Trump. Em resposta a quedas acentuadas nas bolsas e receios dos investidores quanto à sua política econômica, ele anunciou uma pausa na guerra comercial global. No entanto, suas críticas ao presidente do Federal Reserve geraram incertezas adicionais no mercado.

Analistas afirmam que a disposição de Trump para ajustar suas políticas será constantemente moldada pela reação do mercado financeiro. O economista Arturo Porzecanski destacou que “o que realmente perturba Trump são as oscilações nos mercados”, sugerindo que sua postura poderá ser flexível dependendo das circunstâncias econômicas.

Em suma, enquanto Trump busca solidificar seu poder em diversas frentes durante seu segundo mandato, as resistências encontradas tanto no Judiciário quanto no mercado financeiro indicam que seus planos podem ser desafiados substancialmente nos próximos meses.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 01/05/2025
  • Fonte: FERVER