Tríptico Samuel Beckett chega a São Caetano do Sul

Sesc São Caetano e Secretaria Municipal de Cultura apresentam, no Teatro Santos Dumont, espetáculo teatral com Nathalia Timberg, Paula Spinelli e Juliana Galdino

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A livre adaptação da trilogia do escritor composta pelas obras Companhia (1980), Mal visto, mal dito (1981) e Pra frente o pior (1983), nunca encenadas no Brasil, tem direção de Roberto Alvim e elenco formado por Nathalia Timberg, Paula Spinelli e Juliana Galdino. A montagem será exibida no dia 21 de março, sábado, às 20h, no Teatro Santos Dumont. Na sequência, haverá um bate-papo com o elenco.

Em atmosfera inquietante reforçada pela penumbra que envolve o ambiente cênico, a peça apresenta a trajetória de uma mulher em três fases de sua vida: infância, maturidade e velhice. Segundo o diretor, “A peça acontece no espaço mental dessa mulher, então as três idades estão juntas. As cenas são pautadas pela voz humana e a partir disso o público constrói as imagens”. A divisão da estrutura narrativa justifica o título do espetáculo; “tríptico” pode significar uma obra ou um objeto formado por três partes. Nas artes plásticas, também costuma designar um painel com duas portas laterais que podem se dobrar para recobri-lo.

Permanecendo no palco desde a chegada do público ao teatro até o final da montagem, as três atrizes ocupam lugares fixos. À esquerda, Paula Spinelli interpreta Companhia, fase inicial da personagem em que se tenta relembrar acontecimentos distantes. À direita, Juliana Galdino representa a idade madura da figura principal, narrada em Pra frente o pior. Na obra, a protagonista compartilha a angústia instalada diante da mente lúcida habitante de um corpo que já apresenta sinais de esgotamento. Ao centro, Nathalia Timberg personifica o discurso de Mal visto, mal dito, situado na velhice da narradora que enfrenta a ideia da morte cada vez mais próxima.

Autor da adaptação, tradução e direção de Tríptico Samuel Beckett, Roberto Alvim comenta o elenco: “Nathalia Timberg dança com a morte sobre o palco modelando o tempo, o espaço e nossas sensibilidades como um arqueiro zen sem medo algum de se abismar. Sua atuação é um convite para nos irmanarmos com o implacável. Já Juliana Galdino é o único gênio de verdade que eu conheço. Dona de uma compreensão profunda da tragédia humana é capaz de trilhar com uma precisão abissal caminhos instaurados por outras e imprevisíveis formas de habitar a existência. Paula Spinelli fez comigo as tragédias de Ésquilo e conquistou um nível técnico assombroso colocando-se hoje como uma atriz que com menos de 25 anos tem um domínio de seu corpo e de sua voz absolutamente extraordinários”.

Escrita na última década de vida de Beckett, a trilogia comunica dores, perplexidades, medos, fragilidades e anseios universais em textos densos, tensionados, de sintaxe difícil e por vezes fragmentada. Com elevado potencial dramático, as narrativas misteriosas misturam-se e requerem atenção do espectador, que pode se deparar com construções incompreensíveis. A adaptação transita pela tênue fronteira entre vida e morte e conta com jogos de linguagem de alta complexidade, uma das marcas da prosa beckettiana, os quais proporcionam a experimentação da estética do vazio. “Como nos aventurarmos hoje pelo vazio proposto por Beckett? Como nos irmanarmos ao convite oferecido por este barqueiro, nesta jornada por dimensões inomináveis da experiência humana? Como renovarmos nosso olhar sobre sua obra, presentificando outros modos de experienciarmos sua excêntrica proposição estética?”, questiona Roberto Alvim. “Navegarmos hoje por este descaminho, rota sem norte, que permanece como o grande ultimato a toda ideia de sentido… Não se trata aqui do que nós faremos com Beckett, mas sim do que Beckett fará conosco, homens do século XXI”, conclui o diretor.

Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1969, o irlandês Samuel Beckett foi autor de extensa obra constituída de peças teatrais, contos, ensaios, romances e poesias. Foi também secretário particular do escritor James Joyce, que ditou para Beckett Finnegans Wake, romance de grande experimentação linguística publicado em 1939 e considerado pela crítica um dos melhores livros do século XX.

O espetáculo integra o projeto Teatro em três tempos, que visa a aproximação do espectador com o universo da peça por meio de três atividades: apresentação teatral, palestra e bate-papo. No mesmo dia da encenação de Tríptico Samuel Beckett, 21 de março, haverá uma palestra com Roberto Alvim sobre a obra do escritor e sobre questões da dramaturgia contemporânea no Sesc São Caetano, das 10h às 13h.

FICHA TÉCNICA
Texto | Samuel Beckett
Direção, tradução e adaptação | Roberto Alvim
Elenco | Nathalia Timberg, Juliana Galdino e Paula Spinelli
Trilha sonora original | L.P. Daniel
Cenografia e iluminação | Roberto Alvim
Figurinos | Juliana Galdino
Visagismo | Alex (Salão Pierá)
Assistente de direção | Ricardo Grasson
Cenotécnica | Juliana Fernandes
Técnico de palco| José Renato Forner
Operador de luz | Jota Michilis
Operador de som | Don Correa
Realização | Centro Cultural Banco do Brasil e CIA CLUB NOIR
Produção | Gelatina Cultural
Direção de produção |Ricardo Grasson
Produção de viagens | Martina Gallarza (Roda de Criação)
Fotografias | Daniel Seabra e Rafael Avancini
Programação visual | Felipe Uchoa

SERVIÇO
Palestra: dia 21 de março de 2015, sábado, das 10h às 13h
Espetáculo e bate-papo: dia 21 de março de 2015, sábado, às 20h
Duração: Palestra: 3 horas | Espetáculo: 60 minutos
Classificação indicativa: Palestra: não recomendada para menores de 14 anos | Espetáculo: não recomendado para menores de 16 anos
Ingressos
Palestra: gratuita
Espetáculo: à venda pela rede IngressoSesc
Valores: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentados e pessoas com deficiência); R$ 6,00 (credencial plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
Local
Palestra: Sesc São Caetano – Rua Piauí, 554
Espetáculo e bate-papo: Teatro Santos Dumont – Av. Goiás, 1.111
Realização: Sesc São Caetano e Secretaria Municipal de Cultura de São Caetano do Sul
Telefone para informações: (11) 4223-8800
Horário de funcionamento da bilheteria – De segunda a sexta, 8h15 às 21h30, sábados, 9h15 às 17h30 (ingressos à venda em todas as Unidades do Sesc pela rede IngressoSesc).  Aceitam-se cheques, cartões de crédito (Visa, Mastercard, Amex, Diners Club International) e débito (Visa Electron, Mastercard Electronic, Maestro e Redeshop).

  • Publicado: 02/02/2026
  • Alterado: 02/02/2026
  • Autor: 13/03/2015
  • Fonte: PMSCS