Tribos indígenas são chave para 80% das chuvas agrícolas no Brasil
Proteção de terras impulsiona segurança hídrica e sustentabilidade agropecuária
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 06/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um estudo inovador trouxe à luz a relevância das terras indígenas da Amazônia na formação de chuvas que beneficiam vastas áreas do Brasil, abrangendo 18 estados e o Distrito Federal. A pesquisa destacou que a umidade gerada nessas regiões é vital para a agricultura e pecuária, setores que representam 22% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Este achado é particularmente significativo em um momento em que o país enfrenta uma das secas mais severas de sua história recente.
A análise, conduzida pelo grupo de pesquisa em ecologia tropical do Instituto Serrapilheira, rastreou as partículas de chuva desde sua formação nas terras indígenas até suas áreas de destino. Os dados revelaram que cerca de 80% das áreas produtivas no Brasil dependem das chuvas originadas dessas terras, sendo que os nove estados mais beneficiados geraram, juntos, R$ 338 bilhões em renda agropecuária em 2021.
No entanto, apesar dessa dependência crítica, estados como Rondônia e Mato Grosso estão entre os que mais desmatam florestas desde 1985, mesmo sendo beneficiados pelas chuvas provenientes das terras indígenas. O paradoxo ressaltado pelo pesquisador Caio Mattos evidencia a necessidade urgente de proteção desses territórios para garantir a continuidade da atividade econômica que deles depende.
O estudo também detalhou o fenômeno dos “rios voadores”, onde a água evaporada dos oceanos é transportada por ventos até a floresta amazônica. Ali, a vegetação atua como um intermediário natural, devolvendo a umidade à atmosfera e permitindo sua distribuição por diversas regiões do país. Essa dinâmica é crucial para um setor agrícola que ainda não possui sistemas de irrigação amplamente implementados.
O impacto da seca já se faz sentir em estados como Paraná e Acre. Em 2023, o Paraná registrou perdas significativas devido à seca extrema, com prejuízos estimados em R$ 10 bilhões até setembro. No Acre, além das commodities como a soja, a agricultura familiar também sofreu devido à escassez de chuva, resultando na falta de legumes e verduras.
Caio Mattos enfatiza que proteger as terras indígenas não é apenas uma questão ambiental ou social, mas também econômica. Com até um terço das chuvas em certas regiões tendo origem nesses territórios, a ameaça constante do desmatamento ilegal coloca em risco não apenas o meio ambiente, mas também a economia nacional.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) alerta sobre registros ilegais de propriedades sobrepostas às terras indígenas, destacando uma pressão crescente sobre essas áreas protegidas. Frente ao cenário atual de crise hídrica e ameaças territoriais, o reconhecimento da importância estratégica das terras indígenas para o equilíbrio climático e econômico do Brasil torna-se imprescindível.