Transportes e alimentação pressionam custo de vida em São Paulo
Dados da FecomercioSP apontam alta de 0,40% em janeiro e maior impacto nas famílias de baixa renda
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 02/03/2026
- Autor: Redação
- Fonte: motisukipr
Dados divulgados pela FecomercioSP mostram que o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo registrou alta de 0,40% em janeiro, impulsionado principalmente pelos grupos de transportes e alimentação e bebidas. O resultado representa leve aceleração em relação a dezembro, quando a variação havia sido de 0,38%.
O avanço foi mais intenso no custo de vida entre as famílias de menor renda. A classe E apresentou aumento de 0,85%, enquanto a classe C registrou alta de 0,71%, evidenciando o impacto proporcionalmente maior da inflação sobre os orçamentos mais restritos.
Transportes lideram pressão no indicador

O grupo de transportes teve elevação de 0,64%, respondendo pela maior contribuição no índice geral do custo de vida. No varejo, os combustíveis puxaram o resultado, com alta de 3,2% no etanol e 1,5% na gasolina. Já no setor de serviços, os reajustes tarifários típicos do início do ano elevaram os preços do ônibus urbano (9,2%), intermunicipal (4,6%) e dos sistemas de metrô e trem (2,9%).
Na direção oposta, as passagens aéreas recuaram cerca de 12%, amenizando parcialmente a pressão do grupo.
Alimentação também pesa no orçamento

O segmento de alimentação e bebidas subiu 0,48% e respondeu por 0,11 ponto percentual do índice. A alimentação fora do domicílio avançou 0,57%, enquanto os gastos dentro de casa cresceram 0,41%. Entre os serviços, itens como refeição e café da manhã tiveram alta de 0,9%.
No varejo, os maiores aumentos foram registrados em tomate (14,1%), brócolis (12,6%) e cenoura (11,8%). As carnes também encareceram, com alta no contrafilé (2,7%), alcatra (2,6%) e chã de dentro (0,8%). A FecomercioSP aponta que a valorização do boi, que subiu cerca de 5% em menos de um mês, tende a manter pressão sobre esses preços no curto prazo.
Por outro lado, produtos importantes para o consumo das famílias tiveram queda, como leite longa vida (-1,8%), feijão-carioca (-1,6%) e óleo de soja (-1,5%), ajudando a conter o avanço do grupo e no custo de vida.
Saúde, habitação e despesas pessoais em alta

O grupo de saúde apresentou aumento de 0,55%, com destaque para reajustes em serviços de dentista (2,5%), psicólogo (2,3%) e médico (0,5%). No comércio, perfumes (2,2%) e produtos de higiene bucal (2,1%) também contribuíram para o resultado.
Outros grupos que registraram elevação foram artigos do lar (0,52%), despesas pessoais (0,49%), vestuário (0,27%), comunicação (0,21%) e habitação (0,10%). Dentro deste último, chamou atenção o aumento de 6,1% na taxa de água e esgoto, com impacto maior sobre as famílias de menor renda.
A educação foi o único grupo com variação negativa em janeiro (-0,09%), mas a entidade alerta que o segmento deve pressionar o custo de vida nos próximos meses por causa dos reajustes de matrículas e mensalidades.
Indicadores complementares
O Índice de Preços no Varejo (IPV) avançou 0,53% no mês e acumula 3,34% em 12 meses. Já o Índice de Preços dos Serviços (IPS) subiu 0,27%, com alta acumulada de 6,91% no mesmo período.
Na avaliação da FecomercioSP, a alta do custo de vida em janeiro está associada a fatores sazonais, como reajustes de tarifas e variações pontuais de alimentos. A expectativa é que alguns itens percam força ao longo do trimestre, enquanto outros, como educação, passem a pressionar o orçamento das famílias.
Metodologia
O CVCS combina o Índice de Preços de Serviços (IPS) e o Índice de Preços do Varejo (IPV) e analisa 247 itens de consumo com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE), considerando o impacto dos preços sobre as classes A, B, C, D e E na Região Metropolitana de São Paulo.