Do Pix ao Coliseu: a tragicomédia política de Zambelli e cia
Crises recicladas, vaquinha bloqueada de Zambelli, pânico do Pix e discursos sem roteiro: Brasília encena sua tragicomédia política semanal
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 01/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Pra quem sobreviveu ao frenesi dos últimos capítulos políticos: parabéns. Brasília fez o velório em ligações queridas, vendeu ingresso à matéria e já está no teaser da próxima temporada. Aqui, uma promessa velha ganha remake high-definition, crise reciclada vira lançamento “premium” e escândalo antigo retorna com maquiagem glam. Brasília não dá trégua — e quem tenta acompanhar, tropeça no tropeço do meme.
E olha só que coincidência: esta foi a Semana do Cinema na Política. E você achando que ia ter paz… Assistir à política nacional virou maratona de série B garantida: trocam o figurino, refazem o pôster, mudam o dublador, mas o roteiro… ah, esse você já decorou. Mesmo assim, ninguém larga. É vício coletivo: toda semana vem final (em tese), plot twist (na improvisação), e claro, aquele gancho pregado pra próxima crise. A gente jura que vai parar — mas já está com pipoca à mão, pronto pro “play” do próximo caos.
Brasília virou mistura de BBB com novela mexicana: dublagem automática, câmera lenta no momento do vexame, vilões com temporada certa e heróis improvisados tentando salvar o script — e um público que ri, xinga e, de tão cúmplice, acaba assinando embaixo.
No Big Brother Brasília, ninguém sai, ninguém é eliminado… mas todo mundo quer saber: “quem matou a semana?” Spoiler: não tem Odete Roitman, o tiro foi coletivo — e a reprise já está na programação.
E tipo assim: essa foi a semana do cinema político — e se você achou que ia fugir, sinto muito. A sessão continua, e o próximo filme promete ser ainda mais épico — com uma dose extra de cinismo e trilha sonora de caos.
Brasília em Sete Dias de Cinema (e política)
Sessão semanal de crise com replay e ingresso garantido no corredor das crises em duas partes
Abertura e Trailer Oficial
Brasília acorda com café frio e memes quentes. Um reels viraliza, uma lei despenca, um ministro respira fundo. No mesmo tabuleiro, fake news, Pix, PCC, vaquinha, Nikolas Ferreira com ring light no máximo e Zambelli ensaiando sua gladiadora de série B.
Nos corredores, Centrão cochicha, Senado sorri, STF range os dentes. É aquele roteiro que parece improviso, mas todo mundo já sabe de cor. O caos tem cortes rápidos, dublagem automática e trilha sonora própria: fake news, pasta al dente, vaquinha bloqueada e Eros Ramazzotti ecoando no radinho da Papuda italiana. Parece ficção, mas não tem aviso de “baseado em fatos reais”. Aqui, é tudo real mesmo — e o teaser da próxima crise já tá sendo gravado.
Parte 1/2 — Deu a Louca no Pix: Como um Reels Parou Brasília

Fade in (porque o caos adora drama): Brasília ferve a 35 graus, o sussurro do ar-condicionado se rende ao desespero. A Receita tenta domar o caos financeiro com “ajuste técnico” — mas tropeça nos próprios papéis, numa dança estranha entre controle e fumaça.
Corte seco, bruto como decisão de plenário: Robinson Barreirinhas aparece, rosto de quem sabe que o meme vai ser dele. Ele insiste que é só “ajuste técnico”, reforçando que a Constituição proíbe tributar transações — Pix incluso, você tá liberado.
Close-up no ring light: Nikolas Ferreira explode no feed com o maior viral do Instagram — 156 milhões de views em 24h — acusando o governo de tentar “taxar o Pix”. O zoom dramático pega a lente suja, o filtro saturado, a legenda tremendo. Resultado: o país perde a calma.
Corte visual: lojista coloca um cartaz desesperado — “Não aceitamos Pix”. Cliente segura moedas de R$1 como se fossem barras de ouro. O sistema entra em colapso, e o que era digital, vira pânico de feira.
Plano geral do caos urbano: o PCC assiste de camarote, pipoca na mão fria de letreiro – “Crime compensa… até com cashback.” Mensagem subliminar carregada de cinismo.
Travelling no caos: Haddad vira blogueiro de emergência, grava vídeo, quase dancinha de TikTok: “Gente, calma, ninguém vai taxar o Pix do pãozinho!”
Corte rapidíssimo pra coletiva, memes pipocando, hashtags inflamando, Lula observando como quem vê fogo no zoológico político.
Clímax em Dolby Atmos: Lula puxa o freio de mão. O documento sobre fiscalização é amassado e jogado numa lixeira em câmera lenta — close dramático como se fosse final de temporada.
Legenda surge como teaser maldoso: “Perder a regra sai mais barato que perder o Pix.”
Fade out — a imagem some, mas o constrangimento fica ali, grudado, como faxineiro em porta mal hidratada.
Parte 2/2 — Gladiadora II: Do Cercadinho ao Coliseu
Travelling lento (câmera desliza, constrangimento aumenta): Carla Zambelli, a autoproclamada “gladiadora”, agora estrela um drama que nem a Netflix ousaria colocar no catálogo: de musa do pastelão político a figurante de luxo num suspense europeu com roteiro nível “Nikita da Record” — mas sem orçamento, sem edição e sem final feliz.
Plano fechado (a lente no rosto, sem misericórdia): risco de 15 anos de prisão, vaquinha organizada pelo irmão pra pagar advogados — e a própria defesa pedindo pra encerrar a vaquinha. Ao fundo, fade-out emocional: o marido, coronel da reserva e ex-comandante da Força Nacional, sai de cena no primeiro bloqueio de contas. Prometeu amor eterno, mas esqueceu de avisar que era só até a penúltima TED.
“Na arena dos boletos, até o amor é vencido.”
Corte brusco (o roteiro não perdoa) para Roma: Na Papuda italiana, nem pasta, nem macarronada: só sentença al dente. Delivery? Esquece.
“Quem entra perde (a) massa — sem comida, jejum forçado e domingo reservado pra visita coletiva na Papuda italiana.”
Câmera gira 360° (o caos em todos os ângulos): cosplay de combatente de arena, coletiva improvisada inexistente, tornozeleira VIP cancelada. Fingir demência, tática clássica do kit Brasília, aqui só aumenta a sentença.
Clímax tarantinesco (sangue, exagero e um meme por cima):
“E, como toda tragédia romana, o final já veio com spoiler: a protagonista cai, o público vibra, os dedos vão todos pra baixo, e o sangue é substituído por uma pitada de Fake Fiction. Mas essa Mia Wallace de araque não tem direito a vida fácil: aqui, a overdose é de processo com injeção no peito pra acordar e reviver — porque, em Roma, o show tem que continuar.”
Último frame (congela, que dói menos): o radinho da Papuda italiana toca “Cose Della Vita”. Carla encara a parede fria e entende o recado:
“O crime não compensa, mas a vida cobra — com juros, correção monetária e até direitos autorais.”
Fade to black (encerra o episódio, mas não o vexame).
A Receita tentou botar ordem na casa, mas tropeçou nas próprias pernas. O secretário Robinson Barreirinhas jurava que era só ajuste técnico, mas bastou um reels do Nikolas Ferreira viralizar pra parecer que o governo ia taxar até o Pix do cafezinho. Resultado: comerciante boicotando Pix, cliente pagando com moeda de R$1, pânico geral — e o PCC assistindo de camarote, porque com ajuda parlamentar, o crime compensa até com cashback.
O estrago foi tanto que o governo teve que improvisar: Fernando Haddad virou blogueiro por um dia, gravou vídeo, deu entrevista e quase fez dancinha pra explicar que “ninguém vai taxar o Pix do pãozinho”. Resolveu? Nem perto disso. Enquanto Brasília se enrolava na própria comunicação, quem realmente ganhou foram os que nunca precisaram declarar imposto — e muito menos pagar TED.
O desgaste foi tamanho família: a popularidade do governo derreteu, e Lula, vendo o incêndio, puxou o freio de mão. No dia 15 de janeiro, a norma foi cancelada. Não por convicção, mas porque perder a regra sai mais barato que perder de vez o Pix.
E se um reels já bastou pra derreter Brasília, Carla Zambelli decidiu incendiar a própria arena…
Diários de Motociata — O Delírio Revolucionário de Valdemar
Valdemar da Costa Neto acordou inspirado. O céu de Brasília mal clareava e ele já queria reescrever a história. Abriu a janela, respirou fundo e decretou:
“Bolsonaro é o novo Che Guevara.”
Silêncio. Nem os passarinhos ousaram opinar.
Na cabeça do Valdemar, o Brasil desfila com camisetas do Che da Shopee: revolucionário de atacado e varejo, mito com cashback, guerrilheiro premium com assinatura no Amazon Prime. A boina sai, entra o boné trucker; o charuto some, chegam os stories; a Sierra Maestra vira cercadinho do Alvorada.
Enquanto isso, o próprio Bolsonaro trava outra guerra: um soluço eterno. Se Che sobreviveu à selva, aqui o mito perde pro diafragma. Libertar a pátria pode ser difícil, mas libertar o ar preso no peito virou missão impossível.
Valdemar tenta soar grandioso, mas entrega mais marketing de motociata do que ideologia. É o discurso que promete endurecer, mas no caminho perde tudo: a ternura, a coerência e, com sorte, até o sentido. Brasília, claro, não compra a narrativa — mas já vende a camiseta na lojinha oficial.
Se fosse arena, Valdemar entraria de toga e megafone, bradando liberdade, e a plateia vibraria… até alguém lembrar do Mensalão. O aplauso viraria silêncio, o silêncio viraria coro, e o polegar coletivo desceria em câmera lenta. Meme pronto antes mesmo do Fantástico.
E teve a cena bônus: uma foto de Bolsonaro abatido circulando nas redes, cara de figurante de novela mexicana. Perguntaram a Valdemar se o ex-presidente teria saúde pra encarar 2026. A resposta foi de Oscar:
“Se estivesse livre ele sarava na hora!”
Fim da cena. Capacetes batendo no tanque da moto. Poeira subindo. Câmera lenta. Jorge Drexler sussurra no radinho:
“Al otro lado del río…”
Só que a margem nunca chega. Brasília segue na estrada, looping infinito de promessas e poeira.
Eduardo Gump: A Pena Branca do Planalto
Nosso eterno Dudu Bananinha é o Forrest Gump da política nacional — mas, em vez de atravessar continentes em busca de ideais, ele desfila skyline entre cafeterias e parques temáticos, gravando reels com o Brasil meio enrolado no ombro. A pena branca, aqui, virou freelancer: voa sobre a Flórida enquanto Dudu governa da piscina, bermuda floral, notebook à mão. Prova de que dá pra “proteger a soberania nacional” sem sair do Walmart de Miami.
Desde fevereiro, o tal “mandato com passaporte” virou rotina VIP. O plenário? Só se for o da cafeteria — com Wi-Fi blindado e café reforçado. Agora, ele se intitula sobrevivente da caçada judicial — virou especialista em encenar ‘injustiça’ pipoca, patriotismo importado e mimimis em alta resolução.
E entre os tantos fiascos da semana, também culpou o “Careca de Capa Preta Esvoaçante” pelo assalto aos avós — só não lembrou que, em outros carnavais, o PL travou a PEC da Segurança Pública com unhas, dentes e até jabutis. Brasília funciona feito loop automático: não aprova o que realmente funciona, porque aí falta indignação vendável. Quando algo explode — principalmente onde congelaram qualquer solução — a culpa vai direto pra quem tentou consertar. É uma poesia política em preto e branco.
Vale lembrar que o moço teve a petulância de insinuar que Moraes e a PF orquestraram o assalto — vitimismo e comorbidade na mania de perseguição em modo Premium Plus.
Enquanto isso, Brasília debate favores e emendas, e Dudu cruza avenidas americanas com a bandeira do Brasil no ombro — 4K de patriotismo, mico ao vivo com trilha de drone no ar. O sujeito não propõe leis, ele performa loucuras. É deputado de feed, celebridade no story, participante vitalício do “BBB do Planalto”.
Entre uma selfie mordendo hambúrguer e uma ligação ao Senado dizendo que o Brasil vive sob “ditadura” — slogan de fast-food em tempo real —, a vida embala no modo “fuga infinita”. O discurso clama liberdade, mas o roteiro está algemado.
Em uma audiência via Zoom, ele aparece com camisa social por cima e bermuda floral de praia por baixo — pernas finas inclusas. O cara que zombava do home office virou garoto-propaganda do distanciamento que serve à conveniência.
Enquanto Brasília arde, alguém do outro lado da tela pergunta:
“E o Pix?” Silêncio congelante.
Então, o rádio do carro explode com James Brown berrando:
“Living in Americaaa!”
Enquanto isso, Dudu Bananinha, no melhor estilo Easy Rider — Sem Destino, seguia firme em sua missão de alimentar a internet.
Se fosse arena romana, o suspense não existiria: dedo pro chão em massa. Mas no BBB do Planalto, ele tem imunidade viral. Afinal, nada surfa mais que um herói perdido com pena patriótica a reboque.
Assim, Dudu sorri pro retrovisor — olheiras de quem trabalha 24h… contra o próprio país. Tomando mais um café gelado, ajeita a camisa sobre a bermuda, fingindo que ainda está no volante. Mesmo cognitivamente esfacelado, mantém o salto ilusório. A estrada segue reta — cheia de crateras que ele nem se esforça em desviar. Entre stories e sopapos de moral, segue adiante: performance pura, sorriso de cena, cólica moral de um fugitivo sem cartório.

Eduardo Gump: A Pena Branca do Planalto
Um épico sobre política, algoritmo e a fuga com vista pra Disney.
Classificação indicativa: memes ilimitados, vergonha pouca.
Mad Max Portenho: Milei na Estrada da Fúria
Imagine um cenário onde o asfalto derrete sob o sol de meia tarde e os carros são bestas de aço, blindados como fortalezas de prata. A cena é de secura extrema. Aquele asfalto comum virou pista de corrida para blindados de metal fumegantes, gasolina queimando no ar e borracha esturricando.
Javier Milei entra em cena num carrão imenso de peito inflado — o “War Rig de la Libertad” — com o cabelo voando feito bandeira, bufando “¡Viva la Libertad, carajo!” e empunhando uma motosserra simbólica contra a burocracia — a assinatura do “chainsaw candidate” argentino. Tudo parecia cena de comercial de perfume político: fumaça leve e branca, vento cinematográfico e promessa de revolução — até que repentinamente o chão rachou.
Quando os seguranças foram acionados, o que era brilho de estrela, virou caos distópico de filme pós-apocalíptico em meio ao corre-corre de escudos e sirenes, com direito a veículo blindado como nave de fuga. Era o caos “abrazado” pela economia de moto-sierra, com gasolina queimada no ar, terra seca afogando o motor em poeira, e a política virando bestiário rodante de farsa e desespero.
Assim, o “herói” descobre que a explosão da plateia não era de amor. Pra ele — criaturas surgiam em meio a um público de rostos retorcidos (de fome), cartazes molhados com slogans de ordem. Ali, opostos cristalizam-se entre: quem ataca, quem foge e quem filma, enquanto engravatados tentavam conter a multidão. Sirenes estilhaçavam o silêncio do deserto onde um presidente era arrancado feito sobrevivente de enredo distorcido, enquanto gritos de “Fora Milei!” — misturam-se ao som de ronco de motor fervido em borracha queimada com metal rangendo e de gente sofrida correndo.
Por trás da cena, o estrondo real: áudios de corrupção vinham à tona, cargos decidem ser blindados, e a moral sai de cena. O script peca em inocência: o povo não atira por amor — eles atiram por exaustão. Essa violência não é celebração, mas só um pedaço da miséria convertida em objeto voador. A arena não ama Milei, apenas vigia suas falhas e manda um recado. Uma pequena amostra do gosto real das ruas: seco, amargo e quente como o solo queimado no deserto político argentino.
Isso aconteceu aos olhos de Buenos Aires, e de Brasília, claro — plateia VIP desse reality de sobrevivência por voto e cheiro de gasolina em escapamento de tristeza em olhos vermelho-ardidos na terra dos hermanos.
O Auto da Papudacida: Cifra por Chifre, Só Juízo Salva
Longe das árvores com sombra e água fresca, esse cão é mais ciumento que Chicó. Aqui, no sertão de cimento, o piso é chamado Brasília e quem chegou lá de guerrilha, vai pra casa da prisão com botão de luz sem dó — no pé. E sim, assim ninguém pediu, mas que desabou no palco como reviravolta justa do “entre os males” o menor — dele não dava mais pra esperar. Assim, Xandão com sua capa preta e o olho de rapina sertaneja, transformou o lar do ex-chefe em QG da PF.
Se João Grilo vivesse hoje, vendia cordel direto da janela do carro da polícia: “Quem dizia que sentia poder, agora só sente sede (de liberdade), feito promessa de operadora de celular – limitada e fiscalizada.” Chicó, coadjuvante cético, resmunga com humor seco: “É grilão de autocrítica disfarçado de prisão, mas é cela merecida”. E completou:
— Xi, o chifrudo do capitólio verde amarelo viu tanto cifrão em Brasília, que até o diabo de cordel deixou de pedir alma e já emendou: “nem precisa, pode levar tudo – mas sem volta”.
A casa virou arena — sim, mas com pedrada jurídica. BBB da democracia é assim — quem errar, é eliminado, mesmo que chame isso de golpe. O povo comemora em silêncio, preferindo risada sussurrada ao brado de vingança.
Lá fora, a cena ganha dimensão nacional quando a revista The Economist aponta o buraco da história com elegância colonial: o julgamento vira “aula gratuita de democracia para os EUA” — sem diploma, porém com holofote europeu. Um ex-presidente vira Viking do Capitólio, showrunner de caos, trilha sonora imaginária: “Asa Branca.” É espetáculo que o sertão global fotografa, enquanto a plateia ri vendo o próprio espelho quebrado.
A justiça parece chegada com alguns anos de atraso, mas chegou. E não pedirá desculpas. O careca virou personagem de cordel moderno, juiz que faz cumprir, enquanto a plateia finalmente esboça alívio: “Que fique encaixado de uma vez esse grilo de poder.”
Se fosse final de BBB, diria: “Bolsonaro, você está eliminado da carreira pública — agradeça a produção ter sido justa.” E com isso, a audiência aprendeu a rir sem guardar rancor – o que não é verdade – mas, ao menos sabemos os limites de e perigos de se perdoar o absurdo.
No sertão árido de concreto e poeira marrom, agreste é arma, humor é escudo. E na falta da paz, o preto da capa, precisa ser símbolo de que a lei ainda é lei — mesmo quando se veste de sombras. Pois no fim das contas, uma careca que reluz é aquela que refresca uma democracia com sede, e todo mundo sabe: esperança sempre dá um jeitinho de brotar até onde só parecia deserto.
Assim termina o poema, com Chicó vendo testa franzida, boca torta e olho arregalado em sorriso irônico: “Eu só sei que foi assim”, com uma Brasília que permanece sertaneja. E neste sertão urbano, o povo segue firme na cantiga de um galo que canta cedo, sob o mesmo céu que aguarda uma sentença de cordel. E desperta (ver)democracia nesse piso de poeira e coronel, quando às vezes frágil se levanta com papel — vira rocha nessa terra onde o sol que arde a pleura, se protege em meio a sede e sem ter água ou ter chapéu.
A Noite dos Mortos-Vivos (da Política): Troco de Sangue e Vísceras
Imagine a noite: o céu escuro como tinta de velho túmulo político, onde as reluzentes carcaças dos mesmos rostos ressurgem — mal enterrados, famintos por atenção. É a eterna reprise negra do drama nacional: Vale a Pena Rir de Novo, versão remake zumbi, com trilha fedorenta de carne apodrecida.
A zombaria política inicia com os mortos-vivos da coalizão suprapartidária — desfigurados por discursos reciclados — rastejando entre túmulos eleitorais, elevando cruzes com slogans familiares. Lula, o zumbi veterano, aparece com o peito afundado em ferida aberta, segurando a bola da reeleição como se fosse cérebro sanguinolento, pronto para o ataque sem levantador — uma fúria incansável, reciclada em slow-motion.
O “Poste – Parte II” caminha entre túmulos mal fechados, fantasiado de palhaço decrépito, anunciando a volta dos bolsonaristas lamentosos que ainda tentam se matricular na “Universidade dos Presidentes Injustiçados”. Lá, diplomas imaginários se rasgam no frio do túmulo — a legenda do passado retorna, remasterizada, mas com o mesmo lamento ensopado de limão azedo.
Então vem a vingança: um corte profundo de tarifa — se Trump bate 50%, o zumbi presidente retalha com 50% de troco, e aí a Camex surge como laboratório macabro de retaliação econômica, pingando receitas do sistema tributário como se fossem fluidos cerebrais derramados no asfalto. Lula não corre; ele planeja, com frieza cirúrgica, preparar o troco, mas não abrir (um talho na) mão do diálogo — no “sem pressa”, sua voz ecoa como um grunhido de morto-vivo.
Enquanto isso, o “Plano Brasil Soberano” brota do solo encharcado de promessas e vísceras: 30 bilhões em crédito, isenção fiscal, incentivos para abastecer o bunker nacional. Açaí, água de coco, castanha… oferendas tropicais lançadas sobre os túmulos dos exportadores atingidos.
O Ministério da Fazenda aparece na neblina como um zumbi litúrgico — Haddad oferece “menu de contingência”, linhas de crédito e uma reza fiscal para salvar 10.000 empresas. O dólar é xingado, e Pix vira heresia diplomática.
E o mercado? Reage como fiapos de carne apodrecida expostos ao vento! O México substitui os EUA como principal destino da carne brasileira — uma reação noturna direta no lado oposto do cemitério global. E biodiesel e sebo de boi se acumulam nas calçadas dos laboratórios industriais, substituindo exportações que foram petrificadas pelas tarifas.
No final da sessão, a câmera se afasta dos cadáveres políticos, iluminados por tochas de jornal seminovo. O último zumbi derrama uma lágrima de ketchup sobre o crânio seco — e solta um pio: “Valeu a pena rir de novo… mas com troco, sem desconto, e com cérebro na faca — literalmente.”
Fofocas Nas Estrelas: Episódio 2026™
Correm boatos de que…
…há muito tempo, numa galáxia não tão distante chamada Brasil, a República do PL vive em permanente tensão. O Lorde Bolsonaro, mestre do lado do contra da Força, resiste a aceitar o escolhido da profecia: Tarcísio Skywalker. Enquanto isso, os senadores do Império do Centrão tramam nas sombras, tentando manipular o destino da eleição de 2026…
No cosmo político onde o Senado vira Tatooine e Brasília tropeça em sabres — sem saber a força que tem —, a narrativa de Fofocas Intergaláticas: Episódio 2026™ ganha corpo e cena única. Lá, cada fala é um plot twist, cada movimento coletivo, conluio interplanetário.
Na República do PL, o Senhor do Contra — outro nome que ressoa como sinos de alerta — trava batalha interna sobre quem será o herdeiro da aura messiânica: Tarcísio Skywalker, o Jedi emergente, medita em silêncio enquanto o Centrão fabrica seus caminhos como senadores-imperadores nas sombras. Valdemar Palpatine sussurra no ouvido do patriarca encarcerado que “o escolhido é Tarcísio”, com a sutileza de um truque jedi. O eco, entretanto, bate contra a muralha do ego bolsonarista.
Lá fora, Eduardo esquenta o terreno em Washington com Paulo Figueiredo — o neto do último ditador, igualmente exilado conspirador — articulando sanções Magnitsky contra ministros do STF. “Eu abro a porta; você é o cérebro”, brada Eduardo. Eles montaram palco de holograma nos corredores da diplomacia americana, enquanto Bolsonaro ensaia reações — soluço, fúria, tédio — sob monitoramento judicial.
De volta ao DF, Michelle “Amidala” Bolsonaro fez sua entrada com propósito calculado: mudança de domicílio eleitoral e trono diplomático pronto para qualquer disputa no Senado. A rainha em silêncio torna-se peça-chave — pode não ser protagonista, mas seu poder de veto tem zelo celestial.
Enquanto isso, no tabuleiro partidário, Ciro Nogueira tece sua teia de ambição em federação com União Brasil, mirando vice-presidência na chapa da “nova direita”. Seu SUV político está calibrado para atacar por flanco — forte, calculado e pronto para jogada decisiva.
Em clima de cantina de Mos Eisley, Carlos — o “pit‑bull” barulhento da família — já soltou os “ratos” sobre os governadores que flertam com presidência. Fala de rancor e sonho antigo num verniz de honra, mas lembra que brigas familiares são travadas em público… e sangram em privado.
Lá no fim das estações de poder, o Senhor do Contra oscila entre o medo e a estratégia. Ele sente boato de fuga à Argentina, mas sabe que o real confronto começará no dia do veredicto — enquanto seu partido se fragmenta, a galáxia arde em reviravolta.
No entanto, o eleitor — aquele Chewbacca perplexo diante do holofote que não escolheu — fica ali, travado entre confusão e desconfiança, com o controle no colo e sem saber de qual imperador aplaudir.
QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ
(se conseguir sobreviver a 2026).
O Poderoso Centrão
Em Brasília, o Centrão entra silencioso, sem fanfarra — a mão que se move é tão sutil quanto quem acaricia um gato, deslizando no script como se nada estivesse sendo tocado, mas dominando cada cena. Ele escolhe protagonista, corta o diálogo, guia o tom e, nos bastidores, organiza o espetáculo inteiro — sem alarde, mas sempre com presença.
Esse grupo de partidos sem ideologia fixa, mas altamente eficaz em garantir proximidade com o Executivo por privilégios clientelistas, é o verdadeiro mandachuva da política nacional. Brasília vive uma democracia de fachada, em que tudo parece estar à vista — mas o controle está bem fora do quadro, latente como sombra.
Quando o ECA Digital™ desponta como cruzada de proteção infantil — “plataforma” contra conteúdos nocivos —, trata-se antes de uma cortina de fumaça. A proteção infantil é vendida em discurso: na prática, a definição de “nocivo” foi protelada, a autoridade reguladora é invisível e a remoção depende de denúncia formal. E quem está por trás das câmeras aplaude o marketing barato, sabendo que faturou a vitrine sem cumprir o roteiro.
O Banco do Brasil aparece como equilíbrio, mas é camaleão político: nem bloqueou cartões do ministro sancionado pela Magnitsky, mas também não fez cena — surfou no risco e se manteve de copo na mão. Em arena descera, quem não sai lesionado vira cúmplice da trama.
Surge então a “PEC das Prerrogativas” — aquele filho que ninguém confessou, mas todo mundo combateu para registrar. É colete à prova de CPI, com filtro anti-STF, embrulhado em dócil toque democrático. Brasília fabrica a crise, aprova a cura e assume a função de cartório — a impunidade legal disfarçada de proteção eleitoral.
Do lado de fora, veio a Lei Magnitsky: sanções internacionais apontaram arrojo, mas aqui dentro, ecoou como eco mudo. O Centrão observou — enquanto as luzes se apagavam, ficou no comando da sala, agindo sob sombras, consolidando o poder invisível que se sustenta.
E então, chega o fim da sessão: o Centrão sai da sala suavemente, puxando a porta. Ela fecha com um estalo abafado — não é barragem emocional, nem crime irrecorrível, mas o rito burocrático que impõe silêncio. O espetáculo continua do lado de fora, mas dentro da saleta escura, o poder invisível permanece intacto, escrevendo o próximo ato com caneta de traços curtos e acabamento de aço.
As portas se fecham. O governo muda de ator, mas o roteiro permanece — e o Centrão, invisível e seguro, segue (e)ditando todos os próximos capítulos.
The End
Quando a luz se apaga na tela desta Brasília-drama, o contraste é cinematográfico e político: zumbis de ambição discursam como se vivos estivessem na Noite dos Mortos-Vivos, mas com as falas recicladas; o sertão eleitoral vira palco de cordel moderno, onde Xandão de capa, cifrões e esperança minguada encenam O Auto da Papudacida — riso seco, promessa furada e rapadura amarga.
Na estrada sem freio da política, respiramos o calor abrasador de Mad Max Portenho: motociatas simbólicas de fumaça e vazio, manifestações como carros blindados — mas combustão de nada concreto, projeto sem destino, caos acelerado sem redenção.
São gladiadores de pantomima, corpos expostos ao processo e à vaquinha de pixel, como em Gladiadora II, onde amor e defesa jurídica evaporam diante do bloqueio da conta — a arena que era espetáculo virou tribunal, overdose de burocracia e farsa de tragédia.
Do alto, uma galáxia conturbada, onde Lordes, Jedi ralé e Centrão tirano tecem as alianças e guiam os fãs da resiliência — Fofocas Intergalácticas: Brasília Wars, mas com sabres de empatia e dublagem de conveniência.
Tudo isso não é novela: é a política real em preto e branco, script cru. E entre um corte e outro, tem o poder invisível, silencioso, que governa. É ele quem acaricia o roteiro com garra felina, na suavidade de um padrinho mafioso, entre esquerda e direita — decide quem fala, quem cala, quem floresce e quem definha — enquanto a plateia aplaude sem ver os fios da manobra.
No ápice, aquela porta se fecha com o estalo teatral de O Poderoso Centrão. Fim de cena? Só superficialmente. O poder invisível continua firme — roteiros trocados, elenco substituído, mas enredo intacto. Brasília virou buffet infinito de reprises: promessas baratas, escândalos requentados, plateia entretida com cinismo — e, se você acha que terminou, é só ficar de olho no trailer da próxima semana.
João Pedro Mello

𝐏𝐞𝐫𝐟𝐢𝐥 𝐞𝐦 𝐕𝐞𝐫𝐬𝐨𝐬: à 𝐥𝐚 𝐋𝐞𝐦𝐢𝐧𝐬𝐤𝐢 (𝐉. 𝐌𝐞𝐥𝐥𝐨)
𝘌𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢𝘴, 𝘵𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘦 𝘴𝘢𝘶𝘥𝘢𝘥𝘦𝘴 (𝘦)𝘵𝘦𝘳𝘯𝘢𝘴
𝚅𝚒𝚟𝚎 𝚍𝚎 𝚙á𝚐𝚒𝚗𝚊𝚜, 𝚍𝚎 𝚕𝚒𝚗𝚑𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚋𝚛𝚊𝚗𝚌𝚘,
𝚓𝚘𝚛𝚗𝚊𝚕𝚒𝚜𝚝𝚊 𝚏𝚘𝚛𝚖𝚊𝚍𝚘 𝚗𝚊 𝚏𝚘𝚖𝚎 𝚍𝚘 𝚎𝚗𝚌𝚊𝚗𝚝𝚘.
𝚎𝚜𝚌𝚛𝚎𝚟𝚎 — 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚘𝚞𝚝𝚛𝚘𝚜, 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚜𝚒 𝚎 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚘 𝚝𝚎𝚖𝚙𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚊𝚜𝚜𝚊,
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚗ã𝚘 𝚙𝚛𝚘𝚌𝚞𝚛𝚎 𝚜𝚎𝚛 𝚜𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚜𝚝𝚎𝚕𝚘 𝚍𝚎 𝚐𝚛𝚊ç𝚊.
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚜ó 𝚜𝚎 𝚙𝚎𝚛𝚌𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚕𝚊𝚟𝚛𝚊𝚜 𝚍𝚎 𝚙𝚛𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚊𝚖𝚊𝚛(𝚎𝚕𝚘) 𝚍𝚊𝚜 𝚝𝚛𝚊ç𝚊𝚜
𝙳𝚎 𝚋𝚊𝚗𝚍𝚊𝚜, 𝚙𝚛𝚘𝚓𝚎𝚝𝚘𝚜, 𝚙𝚘𝚎𝚝𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚎𝚒𝚛𝚊,
𝚍𝚎 𝚋𝚕𝚘𝚐𝚜, 𝚗𝚘𝚝í𝚌𝚒𝚊𝚜, 𝚍𝚎 𝚛á𝚍𝚒𝚘 𝚎𝚖 𝚋𝚎𝚜𝚝𝚎𝚒𝚛𝚊
𝚊𝚜𝚜𝚎𝚜𝚜𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚗𝚎𝚖𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚍 (𝚜𝚎𝚖) 𝚌𝚊𝚜𝚝 𝚟𝚒𝚟𝚒𝚊,
𝚌𝚒𝚗𝚎𝚖𝚊 𝚙𝚞𝚕𝚜𝚊𝚗𝚝𝚎 𝚗𝚘 𝚙𝚎𝚒𝚝𝚘 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚍𝚎𝚒𝚛𝚊 𝚟𝚊𝚣𝚒𝚊.
𝚊𝚜𝚜𝚎𝚜𝚜𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚗𝚎𝚖𝚊𝚜 𝚎 𝚗𝚎𝚕𝚎 𝚎𝚍𝚒𝚝𝚊𝚟𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚒𝚗𝚌𝚎𝚕
𝚙𝚊𝚕𝚊𝚍𝚒𝚗𝚊𝚟𝚊 𝚗𝚊𝚜 𝚕𝚎𝚝𝚛𝚊𝚜, 𝚊𝚛𝚖𝚊𝚍𝚞𝚛𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚙𝚎𝚕,
𝚂𝚎 𝚏𝚎𝚣 𝚜𝚎𝚖 𝚝𝚛𝚘𝚏é𝚞, 𝚌𝚘𝚖 𝚖𝚒𝚜𝚝𝚘 𝚍𝚎 𝚏𝚎𝚕, 𝚌𝚑𝚎𝚐𝚊𝚍𝚊 𝚎𝚖 𝚕𝚒𝚗𝚑𝚊
𝚌𝚘𝚖𝚙𝚘𝚗𝚍𝚘 𝚗𝚊 𝚏𝚛𝚊𝚜𝚎 𝚜𝚎𝚖 𝚏𝚘𝚖𝚎 𝚘𝚞 𝚖𝚊𝚍𝚛𝚒𝚗𝚑𝚊
𝚖𝚊𝚜 𝚊𝚝é 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚎𝚜𝚌𝚛𝚎𝚟𝚘? 𝙽ã𝚘 𝚜𝚎𝚒, 𝚗ã𝚘 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚘.
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚊𝚝é 𝚖𝚘𝚛𝚛𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚜𝚊𝚞𝚍𝚊𝚍𝚎, 𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚊𝚝é 𝚖𝚘𝚛𝚛𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚎𝚗𝚌𝚊𝚗𝚝𝚘.
𝚂𝚎𝚓𝚊 (𝚎)𝚝𝚎𝚛𝚗𝚘. 𝚂𝚎𝚖𝚙𝚛𝚎