Trabalho remoto impulsionam carreira de brasileiros no exterior
Com procura de empresas internacionais para profissionais brasileiros, para atuarem home-office, conversamos com especialista para saber sobre os avanços neste modelo de trabalho.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 24/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O debate sobre o futuro do trabalho remoto segue em alta. Enquanto algumas organizações ainda questionam a viabilidade do home office, dados globais mostram que o modelo veio para ficar e cresce de forma consistente no Brasil, especialmente em contratações internacionais.
Um relatório da Grand View Research projeta que o mercado global de Business Process Outsourcing (BPO) deve movimentar US$ 525,23 bilhões até 2030, partindo de US$ 302,62 bilhões em 2024. Já o mercado de IT Outsourcing deve atingir US$ 1,09 trilhão até 2033, segundo a Market.us, evidenciando o crescimento acelerado da demanda por equipes distribuídas globalmente.

O Brasil figura entre os países mais procurados por empresas norte-americanas para contratações internacionais, principalmente em razão do fuso horário estratégico e do custo-benefício competitivo em comparação com mercados da Ásia e do Leste Europeu.
Gerente de empresa explica aumento de demanda por trabalho remoto
A própria Bluedot BPO registrou crescimento de 35% em 2024, impulsionado pelo aumento da demanda de empresas americanas por profissionais brasileiros em áreas como HR, Vendas, Marketing e Suporte.
“O Brasil vive um momento único no mercado global de talentos. Nossos clientes nos EUA ampliam operações no país justamente pela eficiência e pelo comprometimento dos profissionais brasileiros. O trabalho remoto não é mais tendência: é um modelo consolidado que abre portas para carreiras internacionais”, afirma João Rangel, CRO da Bluedot BPO.
Segundo a Bluedot, o novo perfil do “talento exportação” vai além de funções operacionais e abrange áreas estratégicas: Marketing, Vendas, Design e UX/UI, Desenvolvimento de software, Customer Success, entre outras.
“Não se trata apenas de cortar custos. Empresas globais procuram no Brasil profissionais criativos, adaptáveis e com forte capacidade de relacionamento. É essa combinação de técnica e soft skills que tem colocado brasileiros em posições de liderança internacional”, complementa Daniel Amorim, CEO da Bluedot BPO.
Vantagens competitivas do trabalho remoto no Brasil
Fuso horário estratégico – apenas 1 a 4 horas de diferença em relação aos EUA, permitindo colaboração em tempo real.
Soft skills diferenciadas – criatividade, adaptabilidade e habilidades interpessoais reconhecidas internacionalmente.
Custo-benefício – salários entre 30% e 60% inferiores aos praticados nos EUA e Europa, sem perda de qualidade técnica.
A consolidação do trabalho remoto como modelo permanente, combinada à escassez de talentos em países desenvolvidos, deve manter o Brasil como destino preferencial de contratações internacionais. A Bluedot projeta que, até 2026, a tendência de crescimento nas contratações de brasileiros por empresas estrangeiras continuará acelerada.
Consultor de RH aponta que trabalho remoto e modelo híbrido seja predominante
Em entrevista exclusiva ao portal ABCdoABC, Marcelo Dantas da Fonseca, especialista em intermediação de negócios e estratégias, acredita que a tendência o crescimento de trabalho remoto em setores que não necessitem da presença física do colaborador, como tecnologia, marketing, RH, vendas e suporte.
O chamado “local de trabalho”, no entendimento do especialista não chegará 100% remoto, mas que chegue em um modelo híbrido predominante. “Acredito que com a maioria dos profissionais atuando remotamente em pelo menos parte da jornada”, explica.

Em 2020, durante a pandemia, onde aumentou consideravelmente o número de profissionais que tiveram de se adaptar ao modelo home-office, relataram dentre muitas dificuldades a questão da estrutura. Pelo menos, apontado em pesquisa realizada pela Catho durante o ano pandêmico – e não sabe-se a possibilidade de melhora de lá pra cá – que o principal obstáculo era manter a conexão entre as pessoas.
De acordo com profissionais da área, apenas 38% do desafio é manter a equipe engajada e comprometida, 26% em gerenciar equipes a distância e 22% em manter comunicação sem ruídos. Reforçando que, a pesquisa é de 5 anos atrás, e as empresas de acordo com modelo de trabalho remoto apontam que de alguma maneira, parte destas problemáticas estão sendo resolvidas.
Marcelo Dantas fala sobre adaptações de profissionais ao trabalho remoto
Para Marcelo Dantas, coordenador da Rede de Gestores de RH do ABC, atualmente profissionais já terão que ter em mente adaptações para este modelo de trabalho. “Do lado pessoal, os profissionais precisam desenvolver disciplina, gestão de tempo, comunicação assíncrona e inteligência emocional para lidar com a distância. Do lado prático, é necessário investir em infraestrutura mínima de conectividade e ambientes adequados”, ressalta o especialista.
Dantas prevê também que as empresas fortaleçam a cultura de entrega de resultados, onde entregas e desempenho serão mais valorizados do que a medição de horas trabalhadas.
Ainda assim, Marcelo considera alguns contrapontos no trabalho remoto. “O isolamento social é um dos maiores desafios. Muitos profissionais relatam queda no senso de pertencimento, o que pode impactar engajamento e cultura organizacional”.
Outro ponto destacado por ele é que alguns profissionais podem ser sobrecarregados, com a falta de limites entre vida pessoal e jornada de trabalho, tendo jornadas mais longas.
“Para alguns setores, há dificuldade em garantir segurança da informação e alinhamento entre equipes distribuídas. Ou seja, os benefícios são evidentes, mas exigem políticas e práticas consistentes de gestão para mitigar esses efeitos colaterais”.
“O Brasil vive um momento singular no cenário global do trabalho remoto. A consolidação desse modelo não depende apenas da tecnologia, mas da capacidade de empresas e profissionais em se adaptarem a uma nova lógica de relacionamento e produtividade. Quem souber aproveitar este momento, estará à frente na disputa por espaço no mercado internacional.“, finaliza o comentário Marcelo.