Trabalhadores dos Correios avaliam greve nacional
Categoria rejeita proposta de acordo no TST e pode iniciar paralisação ainda nesta semana, com impacto nos serviços em todo o país
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 23/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Os trabalhadores dos Correios intensificaram a mobilização para rejeitar a proposta de acordo coletivo apresentada pela empresa durante as negociações conduzidas no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria avalia a deflagração de uma greve nacional a partir da noite desta terça-feira (23), o que pode impactar a prestação de serviços em pleno período de festas de fim de ano.
Na última semana, 12 sindicatos que representam nove estados já aprovaram greve por tempo indeterminado. Outros 24 sindicatos permanecem em estado de greve, aguardando deliberação das assembleias. Em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a paralisação já começa a ser sentida, embora as agências dos Correios sigam funcionando com remanejamento de funcionários.
Correios enfrentam impasse entre reivindicações e reestruturação

Representantes dos trabalhadores afirmam que a proposta de reajuste salarial e de benefícios apresentada na conciliação é insuficiente diante das perdas acumuladas da categoria. Já a direção dos Correios argumenta que enfrenta dificuldades financeiras e defende a revisão de cláusulas que garantem benefícios acima do previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Diante do impasse, cresce a expectativa pela instauração de um dissídio coletivo, situação em que caberá à Justiça do Trabalho definir as regras que irão reger o acordo da categoria.
O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, convocou os ministros da Seção Especializada em Dissídios Coletivos para estarem de prontidão para um possível julgamento imediato, inclusive durante o recesso do Judiciário. A medida reflete a gravidade do cenário, já que uma greve nos Correios, mesmo parcial, pode comprometer serviços essenciais neste período do ano.
Greve nos Correios pode começar ainda nesta semana

Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), as assembleias estão sendo orientadas a aprovar a paralisação. Caso confirmada, a greve dos Correios começaria às 22h desta terça-feira nos locais com terceiro turno e à 0h de quarta-feira (24) nas demais unidades.
“Após avaliação da proposta apresentada pelo vice-presidente do TST, entendemos que ela não atende às expectativas dos trabalhadores. Por isso, a orientação é pela rejeição e pelo início da greve nacional”, afirmou o secretário-geral da Fentect, Emerson Marinho.
No último dia 19, a ministra Kátia Magalhães Arruda determinou que sindicatos mantenham ao menos 80% do efetivo em atividade em cada unidade, além de garantir o livre trânsito de pessoas e cargas postais. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 100 mil por sindicato.
Proposta prevê cortes em benefícios históricos dos Correios

Entre os pontos mais contestados está o fim do chamado ponto por exceção para carteiros a partir de agosto de 2026. Atualmente, o modelo assegura pagamento de horas extras quando a jornada é excedida, sem exigir compensação quando o funcionário sai antes do horário. Os Correios alegam que a prática compromete o controle de produtividade.
A proposta também prevê o fim do adicional triplo (200%) para trabalho em domingos e feriados, reduzindo o pagamento para 100%, conforme a CLT, além da exclusão do tradicional “vale-peru”, bonificação anual de R$ 2.500.
Em contrapartida, a empresa concordou em manter o adicional de férias em 70%, acima do mínimo legal. O reajuste salarial proposto é de 5,13%, a ser aplicado em abril de 2026, com efeito retroativo a janeiro. Um novo reajuste, baseado na inflação acumulada até julho, seria implementado em agosto do mesmo ano, caso o acordo tenha validade de dois anos.
Enquanto as negociações seguem travadas, a possibilidade de greve nos Correios mantém em alerta usuários, empresas e o próprio governo, especialmente diante do aumento da demanda por serviços postais no fim do ano.