Trabalhadoras da limpeza escolar seguem em paralisação por atraso de salários em SP
Protesto reúne funcionárias de 12 escolas da Zona Leste; empresa terceirizada é acusada de não repassar pagamentos mesmo após verba pública ser liberada
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 16/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Pelo segundo dia consecutivo, cerca de 70 trabalhadoras do CEU Vila Curuçá e outras 11 escolas municipais da região, que juntas atendem mais de dois mil alunos da rede pública de ensino, paralisaram os serviços pelos reiterados atrasos nos seus salários e benefícios. Na manhã desta terça-feira (15), as funcionárias da Lume Serviços, empresa responsável pela limpeza das unidades de ensino da Zona Leste, caminharam do centro educacional até a Subprefeitura do Itaim Paulista Curuçá para reivindicar seus direitos.
Vale Refeição não pago e outros direitos em atraso
Entre as reclamações, a unanimidade é o atraso no pagamento do Vale Refeição, que deveria ter sido depositado até o quinto dia útil de abril e, até o fechamento desta matéria, não havia sido quitado. Além do benefício, as trabalhadoras também afirmam que a Lume vem atrasando regularmente depósitos de FGTS, férias vencidas, gratificações e outras obrigações legais. “Desde o começo do ano tá essa bagunça. Num mês paga, no outro não paga. Depositam o VR [Vale Refeição], depois o valor some. Muitos de nós com o psicológico abalado, muitas aqui são mães solteiras e dependem dos benefícios pra viver”, disse uma líder de equipe de uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) da região, que não quis ser identificada por medo de represálias da empresa.
O SIEMACO São Paulo, sindicato que representa os trabalhadores terceirizados da limpeza na capital, afirma que já enviou três ofícios para a Secretaria Municipal de Educação (SME), mas que não tem resposta do órgão. “Foram três ofícios protocolados na Secretaria Municipal de Educação e uma reunião presencial com o gestor do contrato duas semanas atrás, sem que haja um retorno sobre o fim desses atrasos repetidos. Estamos apoiando a categoria e colocamos nosso setor jurídico ao dispor, para as trabalhadoras que quiserem entrar judicialmente contra a Lume. Também acionaremos o Ministério Público do Trabalho, pois pelas vias extrajudiciais parece não haver diálogo”, disse André Santos Filho, presidente do sindicato.
SME rompe silêncio, mas pagamentos não são feitos
Em reunião entre o SIEMACO São Paulo e algumas lideranças das trabalhadoras, o coordenador de Governo Local da subprefeitura, Eduardo Alves Aguiar, e a vereadora Silvia Ferraro (PSOL) afirmaram que não há interesse da SME em manter a Lume no contrato de prestação de serviços das escolas do município. “A Lume está mentindo. A SME tem todos os comprovantes de pagamento. E o secretário afirmou para mim, por telefone, que iria ligar pessoalmente pra o proprietário da empresa afirmando que a secretaria não quer mais manter o contrato. Mas a SME prometeu que tudo seria pago ainda hoje”, disse a vereadora. Contrariando a promessa da secretaria e da parlamentar, a Lume ainda não quitou os atrasados.
Uma das representantes das trabalhadoras, a líder de Limpeza do Centro de Educação Infantil (CEI) Curuçá Velha, Cassiele Aleixo Lopes (imagem acima), estava acompanhada do diretor sindical Wagner Antonelli nas discussões e afirmou que a intenção é continuar trabalhando no mesmo local, mas com seus pagamentos em dia. “A gente ama as crianças, a diretoria de ensino, os pais e mães. Temos uma ótima relação com todo mundo. Temos muito prazer em trabalhar nas escolas, mas a gente precisa receber. Desde o começo do ano essa angústia de não saber se vamos receber nossos pagamentos certinho, difícil essa situação”, lamentou.
De acordo com Antonelli, a paralisação irá continuar até os pagamentos serem feitos. “Se a SME pagou, qual o motivo da Lume não repassar os direitos das trabalhadoras? A empresa reiteradas vezes faz isso, sem que haja uma punição exemplar. A mensagem que fica é de impunidade, e não deixaremos isso acontecer. Vamos buscar a justiça. E as trabalhadoras continuam paralisadas nesta quarta-feira até receberem seus vales refeição”, disse o diretor sindical.