Tijoloteca revela memórias das antigas olarias em Ribeirão Pires
Projeto Tijoloteca apresenta catálogo de tijolos históricos com edições acessíveis em braile
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 21/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
A arqueóloga Angélica Moreira da Silva apresentou, nesta quarta-feira (21), os resultados finais do projeto Tijoloteca em Ribeirão Pires. O encontro, realizado no Centro Histórico Literário Ricardo Nardelli (CHL), celebrou a conclusão de uma pesquisa minuciosa sobre tijolos antigos sob a guarda de instituições paulistas. Mais do que um inventário técnico, a Tijoloteca surge como uma ferramenta essencial para compreender a evolução da arquitetura e da memória urbana da cidade e do estado.
Um dos pilares da Tijoloteca é a democratização da informação. Durante o evento, foram apresentadas três versões do livro-catálogo: uma edição padrão, uma versão 100% em braile e uma terceira com fonte ampliada (em fase final de desenvolvimento). Esse cuidado assegura que pessoas com deficiência visual tenham acesso ao patrimônio histórico industrial, reforçando o papel social da arqueologia contemporânea.
Digitalização e acervo técnico em 3D
O projeto não se limita ao papel. A Tijoloteca está construindo um acervo público digital onde cada peça analisada é catalogada, medida e fotografada. A grande inovação reside na digitalização em 3D e nos desenhos técnicos, que permitem a pesquisadores e entusiastas observar detalhes das marcas de olarias de cidades como Campinas, Tatuí e Araraquara sem a necessidade de manuseio físico das peças frágeis.
Para o Centro Histórico Literário Ricardo Nardelli, a parceria com a Tijoloteca consolida a unidade como um centro de difusão de memória viva. Especialistas do CHL destacaram que a preservação de Ribeirão Pires passa pela valorização de acervos que, muitas vezes, são ignorados no cotidiano, mas que contam a história da construção das primeiras vilas e indústrias da região.
Preservação da identidade urbana paulista
O trabalho de Angélica Moreira da Silva resgata a importância das olarias no desenvolvimento do interior e da Grande São Paulo. Ao transformar tijolos em objetos de estudo arqueológico, a Tijoloteca permite traçar rotas comerciais e identificar técnicas construtivas que definiram a identidade paulista entre os séculos XIX e XX.
A próxima etapa do projeto prevê a disponibilização completa dos dados em plataformas digitais gratuitas. “Manter a memória da cidade viva e acessível é fundamental para que as futuras gerações compreendam sua trajetória”, reforçou a equipe do CHL. Com a conclusão desta fase em Ribeirão Pires, a Tijoloteca estabelece um novo padrão para catálogos museológicos no Brasil.
Destaques do Projeto:
- Cidades pesquisadas: Ribeirão Pires, Araraquara, Tatuí, São Simão, Campinas e Cruzeiro.
- Formato: Catálogo físico (acessível) e Plataforma Digital 3D.
- Objetivo: Preservação da memória industrial e arquitetônica de São Paulo.