The Economist sugere que Lula desista de reeleição em 2026

Editorial da revista britânica aponta preocupação com saúde de Lula e recomenda que o Brasil busque novas lideranças de centro-esquerda e centro-direita

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A influente revista britânica The Economist publicou um editorial contundente nesta terça-feira (30), recomendando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconsidere sua candidatura às eleições presidenciais de 2026. O texto argumenta que, aos 80 anos, a idade avançada do líder petista e as preocupações com sua saúde física e cognitiva são razões suficientes para que o país busque “opções melhores” para o próximo ciclo democrático.

A análise faz uma comparação direta entre Lula e o presidente americano Joe Biden, alertando que o carisma político não oferece proteção contra o declínio natural da idade. Segundo a publicação, encerrar um eventual segundo mandato aos 85 anos traria riscos à governabilidade. A revista cita ainda a cirurgia cerebral realizada pelo presidente no ano passado como um sinal de alerta que não deve ser ignorado pelos eleitores e pelo Partido dos Trabalhadores.

A ausência de sucessores e o “Efeito Biden” em Lula

Um dos pontos centrais do editorial é a crítica à centralização do poder. Assim como ocorreu com os democratas nos Estados Unidos, a The Economist aponta que Lula falhou em preparar um sucessor viável dentro da centro-esquerda. A ausência de “adversários sérios” no campo progressista mantém o presidente como o único nome competitivo, mas a revista defende que o anúncio de sua retirada poderia abrir espaço para o surgimento de candidatos mais jovens e adequados.

Para a publicação, a desistência de Lula seria uma estratégia para consolidar seu legado histórico, evitando que escândalos passados de corrupção e críticas à atual política econômica dominem o debate de uma campanha exaustiva. A revista sustenta que o Brasil precisa de uma renovação que garanta a manutenção da democracia, mas com um vigor executivo que a idade atual do presidente pode comprometer.

O tabuleiro da direita e a ascensão de Tarcísio de Freitas

O editorial também lança luz sobre a oposição. Com Jair Bolsonaro fora do páreo devido a impedimentos jurídicos, a revista discute quem herdará o capital político do bolsonarismo. Enquanto classifica o senador Flávio Bolsonaro como um candidato “impopular”, a The Economist destaca o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como uma alternativa equilibrada e tecnicamente capaz.

Tarcísio é visto pela publicação como o nome ideal para liderar uma coalizão de centro-direita que combine:

  • Desburocratização do Estado;
  • Compromisso com a preservação ambiental;
  • Combate rigoroso ao crime organizado;
  • Respeito incondicional às liberdades civis.

Reflexões sobre o futuro democrático do Brasil

Ao concluir sua análise, a revista britânica celebra o fato de a democracia brasileira ter resistido a tentativas de golpe, mas ressalta que a estabilidade institucional depende de uma alternância de poder saudável. A recomendação para que Lula abra mão da disputa de 2026 é apresentada como um gesto de estadista que beneficiaria o futuro do país a longo prazo.

O editorial encerra provocando uma reflexão sobre os rumos políticos da maior economia da América Latina. Para a The Economist, o Brasil não deve ficar refém de um duelo entre fantasmas do passado, mas sim focar em uma nova geração de líderes que possa enfrentar os desafios globais com energia renovada e compromisso com o Estado de Direito.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 31/12/2025
  • Fonte: FERVER