The Economist afirma que STF está envolvido em ‘;enorme escândalo’
A revista The Economist relata crise ética no STF devido a elos com o Banco Master e questiona a proximidade de ministros com o setor privado.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O STF enfrenta um cenário de crescente escrutínio internacional após a revista britânica The Economist publicar uma reportagem detalhando o que classifica como um “enorme escândalo”. O texto destaca a proximidade entre ministros da corte e figuras da elite empresarial, com foco especial nas relações envolvendo o Banco Master e seu proprietário, o banqueiro Daniel Vorcaro.
Suspeitas envolvendo o Banco Master e magistrados
A publicação britânica levanta dúvidas sobre a conduta de integrantes do STF a partir de investigações que citam o banqueiro Daniel Vorcaro. Um dos pontos centrais refere-se ao ministro Dias Toffoli. Segundo a revista, Vorcaro teria realizado investimentos em um resort pertencente à família do magistrado.
Toffoli, que era o relator de casos ligados ao tema no STF, afastou-se da função recentemente após pressões. Em nota, o ministro nega veementemente qualquer irregularidade em sua conduta ou em negócios familiares.
Contratos de advocacia e investigações de vazamento
Outro nome citado na reportagem é o do ministro Alexandre de Moraes. O foco reside no escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, que firmou um contrato com o Banco Master. O acordo prevê o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais por um período de três anos.
Em resposta à divulgação desses dados, Moraes determinou a abertura de uma investigação sobre o vazamento de informações fiscais sigilosas de ministros do STF e seus familiares. A revista argumenta que tais relações alimentam críticas sobre a falta de distanciamento entre o Judiciário e o setor privado.
O debate sobre o Código de Ética na corte
A crise de imagem impulsionou debates internos sobre a autorregulação da corte. O atual presidente do STF, ministro Edson Fachin, tem defendido publicamente a criação de um código de ética rigoroso para os magistrados.
“A criação de um código de ética é uma medida necessária para preservar a integridade da instituição”, defende Fachin em interlocuções no tribunal.
Contudo, a proposta enfrenta resistência interna. Ministros como Toffoli e Moraes já se manifestaram de forma contrária, classificando a medida como desnecessária diante das normas já existentes.
Pressão política e o risco de impeachment
A repercussão desses episódios não se limita ao campo jurídico, alcançando o Congresso Nacional. A The Economist ressalta que a direita política planeja ampliar sua base no Senado nas próximas eleições, utilizando a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF como plataforma eleitoral.
Dados sobre a atuação de parentes nos tribunais
Levantamentos citados pela reportagem indicam que o fenômeno da atuação de familiares de ministros em tribunais superiores é recorrente:
- Nepotismo indireto: Casos em que cônjuges ou filhos de ministros atuam em escritórios com causas no STF.
- Eventos corporativos: Citação ao fórum organizado anualmente pelo ministro Gilmar Mendes em Lisboa, que reúne empresários com processos ativos na corte.