Teste do Pezinho amplia impacto com casos de AME-5q

Projeto-piloto do Instituto Jô Clemente (IJC) já triou mais de 170 mil recém-nascidos e ganha destaque internacional com publicação científica sobre o tema

Crédito: Arquivo - Agência Brasil

Dia Nacional da Pessoa com Atrofia Muscular Espinhal (AME), celebrado em 8 de agosto, chama a atenção para a importância do fortalecimento de políticas públicas que garantam o acesso ao diagnóstico precoce, avanços no tratamento e acolhimento das famílias.

A Atrofia Muscular Espinhal tipo 5q (AME-5q) é uma Doença Rara genética e progressiva que afeta os neurônios motores, comprometendo a força muscular e, nos casos mais graves, as funções básicas como respirar e engolir. Apesar dos avanços na medicina, a AME-5q ainda está entre as principais causas genéticas de óbito infantil no Brasil, com uma incidência estimada de 1 a cada 12 mil nascidos vivos. O diagnóstico tardio, comum em Doenças Raras, dificulta o início precoce do tratamento, fator fundamental para a sobrevida e qualidade de vida dos bebês.

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Em resposta a esse cenário, o Instituto Jô Clemente (IJC), Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos que promove saúde, qualidade de vida e inclusão para pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras, lidera um Projeto-piloto de Triagem Neonatal no estado de São Paulo que já triou mais de 170 mil recém-nascidos em toda a rede pública do município de São Paulo e em parte do estado. A iniciativa identificou 12 casos que receberam diagnóstico precoce e encaminhamento para tratamento no Sistema Único de Saúde – SUS deste o início do projeto, em julho de 2023.

Realizado por meio do Teste do Pezinho, a Triagem representa um avanço significativo no cuidado neonatal e na abordagem das Doenças Raras no Brasil. “Identificar doze casos em tempo hábil para o início do tratamento é um marco na saúde pública e mostra a viabilidade de expandir esse modelo para todo o país”, explica a Dra. Vanessa Romanelli, pesquisadora responsável pelo projeto e supervisora do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Jô Clemente (IJC).

O projeto é realizado em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS-SP), Secretaria Estadual da Saúde (SES-SP), seis centros clínicos distribuídos pelo estado e outros dois serviços de referência em Triagem Neonatal localizados em Campinas e Ribeirão Preto. O apoio financeiro vem do IJC e das farmacêuticas Biogen, Novartis e Roche.

Além do impacto direto no diagnóstico precoce e tratamento, o projeto também se tornou referência no campo científico e acadêmico. Em 2024, o IJC publicou seu primeiro artigo internacional sobre o tema na revista Genes, intitulado “Abordagens Integradas e Recomendações Práticas no Cuidado de Pacientes Identificados com Atrofia Muscular Espinhal 5q por meio do Teste do Pezinho”. A publicação reforça o protagonismo do Brasil na inclusão de testes genéticos na Triagem Neonatal.

A Triagem da AME-5q também integra a expansão prevista pela Lei Federal 14.154/2021, ao lado de outras duas doenças genéticas como a Imunodeficiência Grave Combinada (SCID) e Agamaglobulinemia (AGAMA). Essas três doenças podem, inclusive, ser triadas em uma única reação de laboratório, reduzindo custos com fluxo laboratorial. O Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Jô Clemente (IJC), inaugurado em 2023, tem sido fundamental para essa transformação. Com capacidade para processar até 35 mil testes por mês, o espaço tem viabilizado tanto o avanço da Triagem genética quanto a produção de dados estratégicos para políticas públicas em Doenças Raras.

“Com a Triagem Neonatal da AME-5q passamos a oferecer um futuro diferente desde o nascimento. Identificar precocemente permite iniciar o tratamento antes do aparecimento dos sintomas, o que faz toda a diferença na qualidade de vida dessas crianças”, conclui Dra. Vanessa.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 07/08/2025
  • Fonte: Sorria!,