Tesouro: cenário de 2016 apoia-se em ajuste fiscal como âncora

O cenário usado pelo Tesouro Nacional para traçar o Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2016 é de um cenário doméstico básico apoiado, fundamentalmente, no ajuste fiscal em curso

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O ajuste é “visto como âncora necessária para a retomada do crescimento econômico, bem como para a convergência da trajetória da inflação à meta oficial”.

De acordo com o relatório do PAF para 2016 divulgado nesta segunda-feira, 25, esse cenário considera desvalorização da taxa de câmbio, em resposta à descompressão dos preços das commodities no mercado internacional e fortalecimento do dólar frente às demais moedas. “Tal cenário inclui ainda a continuidade das condições favoráveis de financiamento do balanço de pagamentos”, afirma o relatório.

Em cenários alternativos, o Tesouro frisa as incertezas sobre a aprovação ou não das medidas necessárias ao ajuste fiscal, o que impactaria tanto os níveis de atividade doméstica quanto a flutuação da taxa de câmbio. Por fim, o Tesouro ressalta que “não são incluídos cenários com fortes choques ou situações de estresse dentre aqueles que servem de base para a definição dos limites resultantes deste plano de financiamento”.

Segundo o Tesouro, o cenário básico e de maior probabilidade se assemelha às expectativas de mercado para 2016, “sendo que suas premissas consideram ausência de choques externos ou domésticos significativos”.

No cenário internacional, o Tesouro trabalha com a continuidade de crescimento da economia norte-americana com uma normalização gradual da política monetária e considera uma recuperação lenta e heterogênea das economias da zona do euro com a continuidade das políticas de estímulo e desaceleração da economia chinesa, mas ainda em ritmo robusto e sustentável. “O maior risco a este cenário envolve uma redução mais forte no ritmo de crescimento da China, que traria um desempenho ainda mais fraco para economias emergentes”, diz o relatório que é formulado pelo Tesouro.

Composição

Depois de o Tesouro ter passado os últimos anos trabalhando para aumentar a participação de prefixados e para reduzir a de títulos mais voláteis para melhorar a gestão da dívida, a crise e as incertezas econômicas atrapalharam a trajetória esperada para 2015. No ano passado, houve uma piora na composição da dívida pública, com aumento na participação de títulos indexados à Selic.

A parcela de títulos prefixados na DPF caiu de 41,6% em 2014 para 39,4 em dezembro de 2015. O intervalo previsto no PAF era de 40,0% a 44,0%.

Os papéis atrelados à Selic aumentaram a fatia no período, de 18 7% para 22,8%. A projeção do PAF era de 17,0% a 22,0%.

Os títulos remunerados pela inflação caíram de 34,9% para 32,5% – a previsão era de 33,0% a 37,0%. Os papéis cambiais tiveram a participação ampliada de 4,9% para 5,3% – a previsão era de 4,0% a 6,0%.

O Tesouro destacou que houve emissões em volumes superiores à necessidade de financiamento, auxiliando a redução do excesso de liquidez. Também informou que foi ampliado o colchão da dívida para níveis próximos a seis meses de vencimento. 

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 25/01/2016
  • Fonte: Sorria!,