Terremoto no Itaú: O Fim da Era dos Bancários?
Sob a justificativa de "baixa produtividade", o banco desliga centenas, sinalizando uma profunda transformação no setor, pressionado por fintechs e pela automação.
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 09/09/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Uma onda de demissões no Banco Itaú Unibanco nesta semana abalou o mercado de trabalho e acendeu um alerta para o futuro do setor bancário no Brasil. A alegação oficial da instituição para os desligamentos em massa foi a “baixa produtividade” dos colaboradores, um argumento que rapidamente se tornou o epicentro de um intenso debate entre o mercado financeiro e as entidades sindicais.
Grande ABC Sente o Impacto Direto da Transformação no Setor Bancário
As recentes demissões em massa realizadas pelo Itaú Unibanco, sob a alegação de “baixa produtividade” e “questões de aderência cultural”, geram impactos diretos e significativos para a região do Grande ABC. Embora os números exatos de desligamentos nas sete cidades não tenham sido detalhados pelo banco, a forte presença da instituição na área e a atuação do sindicato local indicam que a região está no epicentro das consequências econômicas e sociais da nova política de cortes.
O Sindicato dos Bancários do ABC tem sido uma voz ativa na denúncia dos cortes, que se somam a uma tendência já observada de fechamento de agências na região. Para a entidade, a justificativa do banco não se sustenta, apontando para os lucros bilionários da instituição, que atingiram R$ 22,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025. A ação é vista como parte de uma estratégia mais ampla de precarização do trabalho e substituição da mão de obra por tecnologia, intensificando a pressão sobre os funcionários remanescentes.
Os impactos para o Grande ABC podem ser analisados em três frentes principais:
1. Impacto Econômico e Social Direto
A perda de postos de trabalho em um dos maiores empregadores do setor de serviços da região tem um efeito imediato na economia local. Funcionários demitidos, muitos residentes em cidades como Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, terão seu poder de consumo reduzido, afetando diretamente o comércio e os serviços locais. Além disso, a situação gera um clima de insegurança entre os milhares de outros bancários da região, que temem ser os próximos, impactando a moral e a estabilidade das famílias.
2. Redução do Atendimento e Exclusão Bancária
As demissões estão intrinsecamente ligadas à estratégia de digitalização e ao fechamento de agências físicas, uma tendência que o Sindicato dos Bancários do ABC já vinha denunciando através de protestos. Para a população, isso se traduz em:
- Menos agências: Dificultando o acesso a serviços presenciais, essenciais para idosos, microempreendedores e a população de menor renda, que possui mais dificuldade de adaptação aos canais digitais.
- Sobrecarga dos funcionários: Com quadros mais enxutos, os trabalhadores das agências remanescentes enfrentam maior carga de trabalho e pressão por metas, o que pode deteriorar a qualidade do atendimento ao cliente.
3. Precedente para o Setor de Serviços Regional
O Grande ABC, historicamente conhecido por sua força industrial, passa por uma transição econômica, com o setor de serviços ganhando cada vez mais relevância. A atitude de uma empresa do porte do Itaú abre um precedente perigoso para outras grandes companhias da região. A justificativa de “baixa produtividade” em modelos de trabalho remoto pode ser replicada por outras empresas para realizar cortes, acelerando um processo de reestruturação do mercado de trabalho que pode levar a um aumento do desemprego e da informalidade.
Em suma, as demissões no Itaú não representam apenas a perda de empregos, mas um sintoma da profunda transformação do setor financeiro, cujas consequências sociais e econômicas são sentidas de forma aguda em regiões com forte presença bancária como o Grande ABC. A reação do sindicato local e a preocupação da comunidade indicam que a transição para um modelo mais digital e automatizado está gerando um custo humano significativo que precisa ser debatido
A Visão do Mercado: Eficiência Inegociável
Para analistas e investidores, a decisão do Itaú, embora dura, é vista como um movimento estratégico e inevitável. Em um ambiente de alta competição com bancos digitais e fintechs, que operam com estruturas de custo radicalmente menores, a busca por eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência. A otimização do quadro de funcionários é interpretada como uma resposta direta à necessidade de aumentar a rentabilidade e acelerar a transformação digital. O mercado tende a recompensar essas medidas de corte de custos, vistas como um passo necessário para garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
A Voz dos Sindicatos: “Desculpa para o Lucro”
Na outra ponta, o Sindicato dos Bancários e Financiários contesta veementemente a justificativa de “baixa produtividade”. Para as entidades, o argumento mascara uma política de redução de custos que ignora o fator humano e a sobrecarga dos funcionários remanescentes. Lideranças sindicais afirmam que os bancários enfrentam metas cada vez mais abusivas e um ambiente de pressão constante. A demissão em massa é vista como a precarização do trabalho e a “desumanização” de um setor que, apesar da digitalização, continua a registrar lucros recordes.
Efeito Dominó: O Setor Bancário na Encruzilhada
A grande questão que paira sobre o mercado é se a atitude do Itaú é um caso isolado ou o prenúncio de uma tendência. Tudo indica a segunda opção. Outros gigantes como Bradesco, Santander e até mesmo o Banco do Brasil enfrentam pressões semelhantes. A digitalização dos serviços financeiros diminuiu drasticamente a necessidade de agências físicas e, consequentemente, do pessoal alocado nelas.
A Tecnologia Como Catalisadora e Vilã
A automação de processos e o avanço da inteligência artificial são os verdadeiros motores por trás dessa reestruturação. Funções antes executadas por humanos, desde a análise de crédito até o atendimento ao cliente, estão sendo progressivamente assumidas por algoritmos. A transformação digital no Brasil não é mais uma promessa; é uma realidade que está redes