Terremoto de magnitude 6,8, na Bolívia, é sentido em Brasília e São Paulo
O sismo, de magnitude intermediária, de 6,8 pontos na escala Richter, ocorreu a 555 km de profundidade; pessoas na Avenida Paulista sentiram a vibração das ondas e esvaziaram prédios
- Publicado: 06/11/2025
- Alterado: 22/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: Live Nation
Um tremor de terra que ocorreu na Bolívia na manhã desta segunda-feira, por volta de 10h40, foi sentido em prédios mais altos de São Paulo e de Brasília e em várias outras cidades do Sudeste, do Centro-Oeste e na região Sul. O sismo, de magnitude intermediária, de 6,8 pontos na escala Richter, ocorreu a 555 km de profundidade, de acordo com o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).
Diversas pessoas que trabalham em prédios altos da Avenida Paulista, um dos pontos mais elevados de São Paulo, puderam sentir a vibração das ondas emitidas pelo tremor que ocorre a mais de 1.500 km de distância. Ele abalou uma área localizada a 209 km de Tarija, noroeste da Bolívia, a uma profundidade de 557 km, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Na Avenida Paulista, dezenas de pessoas saíram dos prédios e se aglomeraram nas ruas. O prédio da Petrobras, no número 901 da avenida, foi evacuado após os funcionários que trabalham do 11º ao 19º andares sentirem os tremores. Segundo o segurança Jackson Carlos da Conceição, as pessoas relataram que o tremor durou cerca de 30 segundos. “Eles viram as portas e objetos balançarem, disseram ter sentido como se estivessem tontos”, contou.
Por precaução, todos os andares do prédio foram esvaziados. Cerca de 400 pessoas trabalham no local.
O prédio da Gazeta na Avenida Paulista, 900, foi outro que evacuado. Por volta das 11h, o prédio do Ministério Público de São Paulo, que fica na Rua Riachuelo, no centro, também foi esvaziado. Muitas pessoas permanecem nas calçadas aguardando permissão para retornarem ao prédio.
O editor de fotografia Marcelo Ferrelli, de 40 anos, estava no 12º andar do prédio da Gazeta quando sentiu o tremor. “Eu estava em pé e deu uma vertigem, uma sensação de baixar a pressão. Todo mundo começou a perguntar e a gente reparou os fios da TV balançando. Tremeu, diminuiu e tremeu de novo e outra vez. Foram três vezes em um período de cinco minutos.”
Ele conta que viu prédios da região sendo evacuados. “Trabalho aqui desde 1999 e é a segunda vez que consigo sentir (o efeito de um terremoto). Já teve um tremor por causa de um terremoto no Chile e a gente sentiu aqui, mas este foi mais forte.”
Por causa dessa experiência, Ferrelli passou a seguir perfis de sismologia nas redes sociais. “Recebi informações rápido e soube que era um problema na Bolívia.”
Quem estava no Conjunto Nacional também sentiu o impacto do terremoto. “Estava conversando com um colega na nossa sala que fica no Conjunto Nacional e ficamos intrigados. As lâmpadas começaram a balançar todas juntas, no mesmo ritmo. Não tínhamos ideia do que era e fomos olhar nas outras salas, mas no escritório ninguém mais percebeu”, conta Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.
BOMBEIROS DE SP ATENDEM A DOIS CHAMADOS
O Corpo de Bombeiros informa que às 11h30 recebeu uma ocorrência de abalo sísmico na Rua Cincinato Braga, 321, no centro da cidade, e também na Rua Boa Esperança, 267, na Vila Maria, na zona norte. Viaturas foram encaminhadas aos locais, mas não há registro de feridos.
Já a Defesa Civil municipal informou que não foi acionada. Há relatos de que pessoas deixaram prédios na rua dos Ingleses e ainda na Rafael de Barros após o abalo sísmico.
Segundo o Centro de Sismologia da USP, esse fenômeno não é incomum para sismos de magnitude como essa do terremoto na Bolívia. “Grande parte das pessoas em andares mais altos de prédios puderam sentir a vibração das ondas emitidas por este tremor que ocorreu a mais de 1500 quilômetros de distância. Os equipamentos da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) detectaram o tremor às 10h43, sendo registrado por toda a rede”, escreveu em sua página no Facebook.
Os tremores também foram sentidos em cidades do Centro-Oeste e Sul do País.
BAIXO RISCO
Apesar dos tremores sentidos em cidades brasileiras, um terremoto na cordilheira dos Andes não oferece nenhum risco de danos no Brasil, de acordo com o especialista em sismologia Lucas Vieira de Barros, professor do Laboratório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB). Ele afirma que os tremores sentidos em São Paulo foram mesmo decorrentes de reflexos do terremoto de magnitude 6,8 registrado na Bolívia.
“Quando um terremoto de grande magnitude é muito profundo – a mais de 500 quilômetros abaixo da superfície, como foi o caso desse abalo na Bolívia -, ele de fato pode ser sentido a longa distância. Mas são apenas reflexos, que podem ser sentidos nos andares superiores dos prédios mais altos. Com um epicentro tão distante e profundo, mesmo terremotos muito fortes não têm energia para causar danos em estruturas no Brasil”, disse Barros ao Estado.
De acordo com Barros, a principal consequência dos reflexos de tremores sentidos no Brasil é mesmo o susto que causa na população. “Não há nenhum risco ou consequência, a não ser um certo pânico, até pela falta de hábito das pessoas no Brasil. Não há nenhum risco de que um terremoto na Bolívia cause trincas ou rachaduras nos edifícios.”
O sismólogo lembra que essa não foi a primeira vez que terremotos profundos que ocorrem na região dos Andes foram percebidos no Brasil. “Inúmeras vezes, no passado, os brasileiros sentiram terremotos com epicentro nos Andes, quando eles eram muito fortes e profundos. Na região andina do Chile, em 1960, foi registrado um tremor de magnitude 9,5, que foi a maior já registrada na História. Mas eles nunca causaram danos aqui”, afirmou.
Técnico em sismologia do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), José Roberto Barbosa explica que o terremoto registrado na Bolívia foi considerado profundo e, quando isso ocorre, ondas chegam à superfície e se propagam. “São ondas que caminham no sentido transversal, acabam encontrando as estruturas dos prédios e mexendo. As pessoas acabam sentindo essa oscilação. Em geral, sentem um ligeiro enjoo, a vibração, podem ver um lustre balançando e isso é suficiente para elas sairem correndo, porque não estão habituadas a esse tipo de situação.”
Segundo Barbosa, é possível que, em uma mesma região, pessoas que estão em um prédio sintam o tremor e outras, em um imóvel próximo, não tenham a mesma sensação. “Tem prédios que estão fixados em rochas mais duras e outros em rochas sedimentares, que amplificam um pouco e as pessoas percebem mais facilmente. Em outros, fixados em basalto, granito, as ondas passam e quase não são percebidas.”
O técnico informa que, de um modo geral, esse tipo de tremor não abala a estrutura dos prédios. “Tivemos dezenas de casos de ocorrências desse tipo, que as pessoas chamam de reflexo de terremoto e, em geral, não causa danos em prédios.”
BRASÍLIA
O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal recebeu na manhã desta segunda vários pedidos de avaliação da estrutura de prédios, em Brasília, após o terremoto registrado na Bolívia.
“Estamos com várias ocorrências em andamento. As pessoas estão solicitando avaliações estruturais sobre os edifícios. Até o momento, nenhum caso com vítima nem com rachaduras foi registrado”, informou ao Broadcast o capitão Ronaldo Reis, do Corpo de Bombeiros. “Entraram muitas ocorrências, muitos pedidos, em vários endereços. Há relatos de rachaduras em superfícies de gesso, mas ainda não temos confirmações nem informações sobre quais prédios foram atingidos.”
Alguns prédios em Brasília foram evacuados. Foi o caso do prédio do Sesc no setor comercial sul. O professor de Sismologia do Observatório Sismológico da UnB, Lucas Vieira Barros, confirmou que o tremor foi sentido em alguns locais do Brasil, como Distrito Federal e São Paulo, e afirmou que essa não foi a primeira vez nem será a última que um terremoto distante tem reflexos no Brasil. Mas, segundo ele, dificilmente um tremor desses, por maior que seja a zona sismogênica, vai “gerar dano” no território brasileiro.
De acordo com Barros, esse tremor ocorre porque os grandes terremotos liberam uma grande energia e, em razão de serem profundos, geram os tremores. Barros disse ainda que novos tremores podem ainda ser sentidos no País, em menor magnitude, mas eles não produzirão abalos secundários.
Nas redes sociais, há relatos de prédios esvaziados no Distrito Federal.
a os prédios no Setor Comercial Sul.