Terapia, educação ambiental e geração de renda estão presentes nas hortas da cidade

Cidade conta com 14 hortas em escolas municipais e outras três em abrigo e unidades de Saúde da Prefeitura

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Divulgar a alimentação saudável para a população, gerar renda, servir como terapia e funcionar como educação ambiental para as crianças. Estes são alguns dos objetivos das 25 hortas espalhadas por Diadema, que fazem parte do Programa Hortas Comunitárias. A cidade conta hoje com oito hortas comunitárias (geridas pela comunidade e com infraestrutura fornecida pela Prefeitura), 14 em escolas municipais e três ocupacionais (utilizadas em tratamentos de saúde).

Ajudar os pacientes do CAPS (Centro de Atenção Psico Social), da UBS Parque Reid e da Transitória Casa do Caminho (abrigo) em seus tratamentos de saúde é o objetivo das hortas ocupacionais. Segundo a assistente social da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional, Claudia Ermínia Pacheco, as hortas na UBS Parque Reid e na Transitória Casa do Caminho servem também para autoconsumo. Na UBS os atendidos são, em sua maioria, idosos e, na Transitória Casa do Caminho, pessoas em situação de rua.

Há seis meses o CAPS Leste iniciou a geração de renda pela horta. Além de contribuir com o tratamento, por ser uma atividade terapêutica, os pacientes podem vender legumes e verduras na própria unidade ou em feiras pela cidade como, por exemplo, na Praça Castelo Branco, no último dia 25 de maio, por meio de parceria com a Ecosol (Economia Solidária de Diadema – Secretaria de Desenvolvimento Social e Econômico). As hortas também venderam parte de sua produção na cidade de São Paulo, na Feira de Economia Solidária, realizada no dia 12 de maio passado no Parque Mário Covas, na Avenida Paulista.

Geração de renda

De acordo com André Martins do Amaral, professor de Educação Física que aplica a atividade junto com outros funcionários do CAPS Leste, a atividade aumenta a autoestima dos pacientes. “Eles começam a se sentir úteis para a sociedade, já que alguns são excluídos até pela família”, afirma. André ressalta também que os participantes consideram o exercício agradável e assim começam a desenvolver outros aspectos que antes tinham dificuldades, como se comunicar melhor com as pessoas, fazer novas amizades e serem valorizados pelos familiares.

Para Maria Nilza Alves de Azevedo, uma das pacientes e cultivadoras da horta ocupacional do CAPS Leste, as atividades desenvolvidas no local são importantes para a sua recuperação. “Aqui nós plantamos, colhemos e vendemos a nossa produção. Todo esse processo e interação ajudam muito no tratamento”, diz ela.

Maria Nilza também ressalta que oito pessoas trabalham no local, e são responsáveis pela plantação, colheita e também venda da produção de alface, couve, almeirão, escarola, coentro, cebolinha, salsinha, taioba, abacate e jaca.

De acordo com Maria Aparecida Nardini da Silva, coordenadora do Programa e secretária-coordenadora da Saúde Mental de Diadema, a renda obtida pelos cuidadores das hortas é revertida na compra de mudas e outros materiais de apoio para a plantação das frutas, legumes e verduras. “O valor que sobra é repartido entre as oito pessoas”, afirma.

Educação ambiental – As hortas escolares em Diadema tiveram início em 2010. Crianças de seis a oito anos do Programa Mais Educação participam da atividade, num total de 3.500 alunos.

“As hortas fazem parte de uma das quatro atividades extra curriculares do Mais Educação”, afirma Lucimar Izabel de Faria, coordenadora pedagógica em Educação Ambiental do Mais Educação. As atividades estão incluídas na chamada educação ambiental, que desenvolve temas sobre Meio Ambiente e educação alimentar de modo adequado à faixa infantil.

“O projeto amplia a percepção para as questões sócio ambientais, como o desperdício e o consumismo exagerado. A vivência chega às suas casas, mudando o comportamento e atitudes das famílias desses alunos. Além disso, passam a gostar de legumes e verduras”, diz a coordenadora.

Cláudia Vanessa da Costa é mãe de Camile Costa Alves, de seis anos, que estuda na Escola Mário Santalucia, no Bairro Serraria. No local são cultivados 16 tipos de frutas, legumes e verduras (alface, pimentão, couve, coentro, cebolinha, rúcula, salsa, cenoura, maracujá, pimentão, abacaxi, feijão, repolho roxo, couve-flor, chuchu e pimenta), além de uma plantação de ervas medicinais, como capim-santo, erva-doce e camomila.

“O contato que as crianças têm com as plantações é muito importante. Elas aprendem que os alimentos são cultivados na terra e que não nascem prontos e embalados”, diz Cláudia. Ela também enfatiza que levar os alimentos para casa e cozinhá-los na frente das crianças faz com que elas identifiquem os alimentos saudáveis e os consumam de modo frequente e adequado.

As atividades nas hortas são promovidas por estagiários das áreas de Biologia e Engenharia Ambiental. A Segurança Alimentar e Meio Ambiente são secretarias que também ajudam no processo, agindo no modo de intersetorialidade. Por exemplo, nutricionistas do Cresand (Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutrição de Diadema) capacitam os estagiários, além de realizarem o teatro de fantoche sobre como aproveitar os alimentos integralmente.

A Segurança Alimentar ainda ajuda na formação dos canteiros e disponibiliza adubo, quando necessário.

Hortas Comunitárias – O Programa teve início em 2005 e desenvolve atividades como conscientização e organização da comunidade, reuniões de capacitação técnica e teórica, planejamento entre as parcerias internas e captação de recursos, além de implantação e acompanhamento. O cultivo é realizado sem o uso de agrotóxicos. Os objetivos são melhorar a qualidade de vida, tanto em termos de saúde quanto econômicos e de socialização.

Realizado pela Secretaria de Segurança Alimentar, o programa tem parceria com as secretarias de Meio Ambiente, Educação, Serviços e Obras e Habitação. Também conta com as parcerias da Companhia de Saneamento de Diadema (Saned) e Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome (MDS).

As hortas comunitárias também despertam as pessoas para conscientização ambiental, contribuem para conservar áreas, evitam acúmulo de entulho e promovem a cidadania e o bom convívio entre moradores do bairro. Para se informar sobre hortas comunitárias em seu bairro ligue no telefone 4057-7434, na Secretaria de Segurança Alimentar.

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  • Publicado: 30/05/2012 01:45
  • Alterado: 30/05/2012 01:45
  • Autor: Heitor Bisi
  • Fonte: SECOM DIadema