Tensões marcam audiência da CPMI do INSS com advogado Nelson Wilians

A tensão na sala aumentou à medida que Wilians continuava a não colaborar com as perguntas dos membros da comissão.

Crédito: Reprodução/TV Senado

Na última quinta-feira (18 de setembro de 2025), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi palco de intensas discussões e acusações entre os membros congressistas, tanto titulares quanto suplentes. O clima acirrado se intensificou após o advogado Nelson Wilians optar por permanecer em silêncio durante seu depoimento.

Wilians, que compareceu como testemunha e não como investigado, decidiu não assinar o termo de compromisso exigido pela comissão, alegando que não tinha relação com as fraudes investigadas. Em resposta a diversas perguntas feitas pelos parlamentares, o advogado se limitou a afirmar: “Não tenho nada a ver com as fraudes do INSS.” Essa postura gerou frustração entre os congressistas presentes.

O advogado havia sido alvo de mandados de busca e apreensão por parte da Polícia Federal, mas uma decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu a ele o direito de manter-se em silêncio durante o depoimento.

A tensão na sala aumentou à medida que Wilians continuava a não colaborar com as perguntas dos membros da comissão. O deputado Duarte Jr. (PSB-MA), vice-presidente da CPMI, dirigiu críticas diretas ao advogado, chamando-o de “tigrão nas redes sociais” mas “fantoche na realidade”. Ele expressou descontentamento com a falta de compromisso do advogado em fornecer respostas claras, afirmando: “Isso é uma vergonha para a advocacia e para o Brasil. Você tem meu total desprezo e desrespeito por não ter assumido o compromisso de falar a verdade”.

Após solicitar um intervalo para discutir sua situação com seus advogados, Wilians explicou que o termo apresentado pela CPMI continha “paradoxos”, decidindo por não assiná-lo. Com isso, os questionamentos dos deputados se tornaram mais incisivos. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) apresentou uma folha com a única frase que Wilians havia dito até então, tentando acelerar o processo.

Além disso, o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) trouxe recortes de jornais para ilustrar as acusações que pesam contra Wilians, incluindo supostos acordos com Maurício Camisotti, um dos principais suspeitos das fraudes no INSS.

A sessão teve início às 9h e se prolongou até à noite, com o deputado Luiz Lima (Novo-RJ) chegando às 6h50 para garantir seu espaço na fala. Quando teve a oportunidade de questionar Wilians, às 17h30, ele perguntou diretamente se o advogado havia enriquecido pelo seu próprio trabalho. A resposta foi mais uma vez negativa quanto às alegações de envolvimento nas fraudes.

Outro embate significativo ocorreu entre o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), e a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), quando esta acusou Gaspar de machismo e pediu um tratamento mais respeitoso às mulheres. Em resposta, Gaspar defendeu que a CPMI não era um “circo”.

Tensões também surgiram entre o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e o senador Rogério Marinho (PL-RN). Pimenta mencionou doações recebidas por Marinho em campanhas anteriores. O senador rebateu afirmando que nunca havia sido processado e desafiou Pimenta a responder sobre suas próprias acusações relacionadas a fraudes no Rio Grande do Sul.

Em meio a um cenário marcado por disputas políticas acirradas e trocas de acusações, a CPMI continua seu trabalho em busca de elucidar os casos de corrupção ligados ao INSS.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 18/09/2025
  • Fonte: FERVER