Tensão na Favela do Moinho: Moradores reagem à ação policial com protesto e barricadas
Comunidade protesta contra ação da PM e plano de remoção em meio a incertezas sobre reassentamento e moradias prometidas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A favela do Moinho, localizada na região central da capital paulista, foi palco de uma nova onda de tensão nesta sexta-feira. Moradores interditaram os trilhos da CPTM com barricadas em chamas, em resposta a uma ação da Polícia Militar que, segundo relatos, incluiu agressões e uso de gás de pimenta.
O confronto ocorre em meio à expectativa pelo início da desocupação da área, prevista para os próximos dias. Esta é a segunda vez, em menos de uma semana, que confrontos são registrados na comunidade.
Ação policial e reação dos moradores
Segundo os moradores, por volta das 13h, policiais militares entraram na favela ordenando o fechamento do comércio e dispersando quem circulava nas ruas com spray de pimenta. A reportagem da Folhapress testemunhou a prisão de uma pessoa durante o tumulto. Em reação, os moradores iniciaram a montagem de barricadas e bloquearam o trilho da CPTM que corta a região.
A ação da PM é vista pelos moradores como uma tentativa de intimidação diante do processo de remoção que se aproxima. Muitos afirmam que estão sendo pressionados a aceitar o plano do governo estadual por medo de uma retirada forçada e sem garantias adequadas.
Desocupação controversa e críticas ao reassentamento
O plano de desocupação, coordenado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), alega ter conquistado a adesão de 86% das famílias. Segundo o governo, o reassentamento está sendo feito de forma individualizada, com o transporte dos pertences dos moradores para novos endereços. Até o momento, 703 famílias foram atendidas, e 531 já estão habilitadas para o programa.
Apesar disso, há críticas quanto à infraestrutura disponível. Apenas cerca de cem unidades habitacionais estão prontas na região central, enquanto mais de 400 ainda estão em construção e outras 560 sequer foram iniciadas. A previsão é que muitas dessas moradias só fiquem prontas em até dois anos.
Enquanto esperam, os reassentados receberão um auxílio-moradia de R$ 800 — metade pago pelo governo estadual e metade pela prefeitura — além de R$ 2.400 para cobrir despesas com a mudança.
Protestos recentes e clima de instabilidade
Na última terça-feira (15), um protesto pacífico contra o plano de remoção também terminou em confronto com a PM. Cerca de 200 pessoas, entre moradores, militantes de movimentos de moradia e integrantes de partidos políticos, marchavam pela avenida Ipiranga quando o grupo foi surpreendido por motociclistas tentando atravessar a manifestação no viaduto Nove de Julho, o que deu início ao tumulto.
A favela do Moinho continua sendo um dos principais símbolos da luta por moradia no centro de São Paulo, e os próximos dias prometem novos desdobramentos diante da iminente retirada dos moradores.