Tecnologias unificadas para a mobilidade sustentável

Modelos de Mobilidade como Serviço (MaaS) integram modais e tecnologia para tornar o transporte urbano mais eficiente e acessível

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Há dez anos, uma aliança para promover a mobilidade sustentável e a Mobilidade como um Serviço (em inglês Mobility as a Service – MaaS) foi formada durante o ITS World Congress, em Bordeaux, por cerca de 20 organizações interessadas em fomentar a adoção de soluções de mobilidade integrada na Europa.

Esse modelo busca integrar diversos modos de transporte — públicos e privados — em uma única plataforma digital, oferecendo ao usuário uma experiência de deslocamento contínua, personalizada e eficiente.

Em vez de depender de um único modo, como o carro próprio, o cidadão acessa, por meio de um aplicativo, todas as opções de transporte disponíveis: ônibus, metrô, bicicletas, patinetes, táxis, caronas, aplicativos sob demanda e até caminhadas guiadas.

O conceito foi operacionalizado na Finlândia com o aplicativo Whim, em atividade desde 2016, que unifica diferentes modais e permite planejar, reservar, pagar e monitorar uma viagem completa em uma única interface.

A experiência começou em Helsinque, capital do país, cidade que recentemente ficou 12 meses sem registrar qualquer acidente fatal no trânsito — um indicativo de que a integração entre tecnologia, planejamento urbano e segurança viária pode gerar resultados concretos.

Funcionamento do Sistema de Mobilidade Integrado

O sistema MaaS combina a infraestrutura física — composta por modais de transporte público, bicicletas e veículos compartilhados — com um sistema digital de gestão, que funciona como uma espécie de “plataforma uberizada” de mobilidade, ampliando as possibilidades de deslocamento dentro de um trajeto planejado.

Mobilidade Urbana - Mobilidade Sustentável - Transporte Coletivo
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No sistema digital, uma plataforma centraliza dados, tarifas, rotas e meios de pagamento. Entretanto, a integração plena entre modais, a interoperabilidade de bilhetes, os pagamentos unificados e o funcionamento em escala transnacional ainda enfrentam desafios técnicos, regulatórios e institucionais. Até o momento, não há uma implementação com um padrão único europeu.

Benefícios para as Cidades

Mesmo sem uma integração e padronização completas, os benefícios já são evidentes: redução da dependência do automóvel, incentivo ao uso de modos de transporte limpos e compartilhados e melhor aproveitamento da infraestrutura existente.

Com o mapeamento tecnológico dos modais disponíveis, é possível equilibrar a demanda entre o transporte público e os meios alternativos, diminuindo congestionamentos e otimizando rotas. O resultado é uma menor emissão de gases de efeito estufa, redução do ruído urbano e melhoria da qualidade do ar. Além disso, a operação de um sistema complexo como este permite a coleta e análise de dados em tempo real, fornecendo às prefeituras informações estratégicas para planejar linhas de ônibus, ciclovias e estações com base nos fluxos reais de deslocamento.

Outro impacto positivo está na inclusão social e acessibilidade, já que as tarifas integradas e planos personalizados tornam o transporte mais democrático e adaptado às necessidades de diferentes grupos sociais.

Oportunidades empreendedoras

No Brasil, onde há forte dependência do veículo individual motorizado, o sistema MaaS representa um vasto campo de oportunidades para startups, universidades e governos locais.

Essas oportunidades vão desde a integração tecnológica e o desenvolvimento de plataformas de dados até modelos de mobilidade sustentável baseados em créditos de carbono e incentivos tarifários para o uso de modais menos poluentes.

Essa lógica também estimula soluções voltadas à “última milha” — a etapa final do trajeto urbano —, ampliando o papel da micromobilidade na malha de transporte.

Mobilidade Urbana - Mobilidade Sustentável - Transporte Coletivo
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Exemplo de Las Vegas

A integração entre a Uber e o transporte público na cidade de Las Vegas é um dos exemplos no continente americano da aplicação prática do conceito de Mobility as a Service nos Estados Unidos.

Desde janeiro de 2020, a plataforma passou a permitir que os passageiros planejem rotas e adquiram passagens do sistema público de transporte diretamente pelo aplicativo, unificando, em um mesmo ambiente digital, os serviços privados e públicos de mobilidade urbana.

Futuro da mobilidade urbana

A mobilidade como plataforma não é apenas uma inovação tecnológica: é um novo paradigma urbano que transforma o deslocamento em um serviço integrado, acessível e sustentável.

O futuro das cidades dependerá de como conseguiremos conectar eficiência, sustentabilidade e experiência do usuário. O empreendedorismo nesse campo exige enxergar o transporte como um ecossistema interligado e compartilhado, no qual cada trajeto gera dados, negócios e valor ambiental.

Quem compreender essa lógica — e souber transformá-la em soluções concretas — será protagonista na construção das cidades inteligentes, inclusivas e neutras em carbono do futuro.

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho
Divulgação/ABCdoABC

Especialista em mobilidade urbana e agente de transformação nesse setor. Atualmente, é colunista de mobilidade do portal ABCdoABC. Atua como pesquisador no Programa de Pós-Doutorado em Engenharia de Transportes e é professor credenciado na Faculdade de Tecnologia da Unicamp. Possui doutorado em Engenharia Elétrica pelo Departamento de Comunicação da FEEC/Unicamp (2020), mestrado em Engenharia Automotiva pela Escola Politécnica da USP (2009) e pós-graduação em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero (2005). Formado em Administração de Empresas (2002) e Engenharia Mecânica (1999) pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 24/10/2025
  • Fonte: FERVER