Tecnologia da USP monitora sono de astronautas na missão Artemis 2
Dispositivo da USP ajudou a medir ciclos biológicos dos astronautas na missão Artemis 2
- Publicado: 09/05/2026 10:50
- Alterado: 09/05/2026 10:50
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: USP
Um dispositivo de monitoramento de saúde desenvolvido por pesquisadores e ex-alunos da USP teve um papel fundamental na missão Artemis 2, a primeira expedição tripulada à Lua em mais de 50 anos. Chamado de actígrafo, o aparelho foi utilizado pela Nasa para monitorar os padrões de sono e vigília dos astronautas, ajudando a entender como o corpo humano reage à ausência dos ciclos naturais de dia e noite da Terra.
Inovação em Solo Brasileiro
O actígrafo, produzido pela startup Condor Instruments, é o único do gênero desenvolvido inteiramente no Brasil. Semelhante a um relógio de pulso, ele capta três variáveis essenciais para a cronobiologia:
- Exposição à luz: Crucial para entender o ajuste do relógio biológico;
- Temperatura do punho: Marcador biológico que sinaliza o início do sono;
- Atividade motora: Mede o nível de repouso e movimentação do braço.
Embora a missão Artemis 2 tenha durado poucos dias, os dados coletados são considerados cruciais pela Nasa para planejar missões de longa duração. O cofundador da startup, Rodrigo Okamoto, revelou que a aprovação para voo ocorreu após rigorosos testes em 2023, mas a confirmação de que o dispositivo estaria a bordo só veio no dia do lançamento.
Do Laboratório da USP para o Espaço
A trajetória do aparelho começou na década de 80, no Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos da USP. Sob coordenação do professor Luiz Menna, os pesquisadores buscavam entender a “biologia do tempo”. Anos depois, o professor Mario Pedrazzoli (EACH-USP) impulsionou a produção comercial ao conectar a pesquisa acadêmica aos então alunos da Escola Politécnica que fundariam a Condor.
Aplicações Além da Astronomia
Apesar do sucesso na Artemis 2, o mercado principal da tecnologia está na medicina terrestre. O dispositivo permite realizar estudos do sono em grandes populações sem a necessidade de fios e internações laboratoriais, comuns na polissonografia.
- Avanço científico: Pesquisas recentes indicam que a temperatura da pele sobe minutos antes de a pessoa dormir, servindo como um “marcador” de sono.
- Saúde pública: O uso do actígrafo ajuda a combater o que especialistas chamam de “epidemia de mau dormir”, prevenindo doenças cardíacas e obesidade.