TCESP encontra alimentos vencidos e irregularidades em escolas públicas

Fiscalização do TCESP em 371 escolas revela alimentos vencidos, carnes contaminadas e falhas na estrutura e higiene da alimentação escolar

Crédito: TCESP

Uma fiscalização recente realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) revelou sérias falhas nas condições de fornecimento e preparo da alimentação escolar em diversas instituições. A inspeção, que ocorreu no dia 29 de setembro, abrangeu 371 escolas públicas, sendo 262 municipais e 109 estaduais, localizadas tanto no interior quanto no litoral do estado, além da região metropolitana da capital.

O TCESP mobilizou 382 auditores para a operação, que se estendeu por 265 municípios, correspondendo a 56% das cidades paulistas. A ação foi conduzida das 8h às 16h e teve o apoio de nutricionistas do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região, que acompanharam o trabalho in loco. Um sistema de monitoramento em tempo real foi estabelecido no TCESP para supervisão das atividades realizadas.

Achados Preocupantes

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Os resultados preliminares da auditoria indicaram diversas irregularidades nos serviços de alimentação escolar. Entre os problemas encontrados estavam oitenta pacotes de feijão e dezenove litros de leite com validade expirada, bem como carne moída contaminada com plástico, armazenada em embalagens inadequadas e sem data de validade. Além disso, os alimentos estavam frequentemente em contato direto com o piso ou paredes, comprometendo sua segurança alimentar.

O relatório apontou que 28% dos alimentos não estavam armazenados adequadamente, enquanto 34,6% das escolas não realizavam controle correto da temperatura dos itens refrigerados e congelados. Também foram identificados casos em que alimentos estavam armazenados junto a produtos químicos e de limpeza. Em uma amostra avaliada, encontrou-se que 5,4% dos alimentos estavam vencidos.

Além disso, as condições físicas dos espaços destinados ao preparo das refeições levantaram preocupações. Cerca de 21% das áreas apresentavam problemas estruturais significativos, como rachaduras e infiltrações. A falta de ventilação adequada foi observada em 35% das escolas e apenas 22% dispunham de locais apropriados para que os alunos realizassem as refeições.

Outros achados notáveis incluíram a presença de equipamentos danificados: freezers, geladeiras e fogões apresentaram falhas em 31% das instituições visitadas. A uniformização das merendeiras também foi uma questão alarmante, já que em 24% das escolas as funcionárias não utilizavam os equipamentos necessários para garantir a higiene.

Risco à Saúde

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Um dos dados mais alarmantes foi que 77,8% das escolas não possuíam certificados que garantissem a potabilidade da água utilizada na preparação dos alimentos. Ademais, 24% das instituições não apresentaram laudos recentes sobre a higienização das caixas d’água.

A gestão e o monitoramento da alimentação escolar também mostraram-se deficitários. O levantamento revelou que 38,8% das escolas não dispunham de fichas técnicas para a preparação dos alimentos e que 37,2% não realizavam testes regulares para avaliar a aceitabilidade dos alunos em relação à merenda. Em quase um terço das unidades escolares (29,2%), os Conselhos de Alimentação Escolar (CAE) não exercem fiscalização regular sobre os serviços prestados.

Principais Irregularidades Identificadas

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  • Água sem garantia de potabilidade: 77,84%
  • Equipamentos quebrados: 31,27%
  • Alimentos vencidos: 5,41%
  • Armazenamento inadequado (sem paletes/prateleiras): 28,11%
  • Falta de controle de temperatura: 34,59%
  • CAE sem registro regular de fiscalização: 49,73%
  • Uniformização inadequada das merendeiras: 24,26%

Esses achados ressaltam a necessidade urgente de intervenções nas práticas relacionadas à alimentação escolar para garantir a saúde e o bem-estar dos estudantes atendidos pelas redes pública municipal e estadual do estado de São Paulo.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 03/10/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show