Impacto das novas taxas dos EUA sobre multinacionais no Brasil
Sobretaxa de 50% nos EUA preocupa multinacionais brasileiras que financiaram cerimônia de posse de Trump
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 30/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A cerimônia de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, realizada em janeiro deste ano, se tornou a mais cara da história americana, com contribuições significativas de multinacionais que operam no Brasil. Desde então, as unidades brasileiras dessas empresas começaram a se preparar para os efeitos de uma iminente guerra tarifária prometida pelo novo governo.
Empresas renomadas como Caterpillar, Dow, MSD (Merck Sharp & Dohme), General Motors, Toyota, Johnson & Johnson, Pepsico e Bayer investiram milhões de dólares na cerimônia de posse. A Caterpillar, por exemplo, destinou US$ 100 mil (cerca de R$ 557 mil) para o evento, segundo informações divulgadas pela Comissão Federal Eleitoral dos EUA.
A implementação da sobretaxa de 50%, programada para iniciar na próxima sexta-feira (1º), terá impactos variados nas operações brasileiras dessas multinacionais. Enquanto algumas delas têm foco no mercado local e em países vizinhos, outras que exportam produtos para os Estados Unidos poderão enfrentar dificuldades financeiras.
Um exemplo claro é a Caterpillar, que possui fábricas em várias cidades brasileiras, incluindo Piracicaba (SP) e Sete Lagoas (MG). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), expressou preocupações sobre os potenciais efeitos severos do tarifaço na empresa. Durante um evento recente, ele alertou sobre a possibilidade de a Caterpillar transferir sua produção para outros locais caso as tarifas se tornem insustentáveis.
Em uma reunião ocorrida no dia 16 deste mês, representantes da Caterpillar se encontraram com o vice-presidente Geraldo Alckmin e outras empresas americanas que apoiam a luta contra as tarifas impostas por Trump. Alckmin enfatizou a importância da colaboração entre empresas brasileiras e americanas para mitigar os impactos das novas medidas.
A doação da Caterpillar foi modesta em comparação às contribuições de outras multinacionais. O comitê responsável pela cerimônia arrecadou impressionantes US$ 246 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão), sendo que mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 67 milhões) vieram de doações de empresas com operações no Brasil. A Toyota também fez sua parte ao contribuir com US$ 1 milhão (R$ 5,5 milhões) e afirmou estar monitorando as discussões governamentais relacionadas ao tema.
Enquanto isso, a JBS, uma gigante do setor alimentício e uma das maiores doadoras do evento — com US$ 5 milhões (R$ 28 milhões) — pode não ser tão afetada pelas tarifas devido à sua presença significativa no mercado americano. No entanto, algumas de suas fábricas brasileiras já começaram a suspender produções voltadas para o mercado dos EUA devido aos avisos de importadores que cessariam as compras.
A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) estima que o agronegócio brasileiro pode deixar de exportar até R$ 5,8 bilhões para os Estados Unidos como resultado direto das novas tarifas.
A farmacêutica Abbott também fez uma doação relevante de US$ 500 mil (R$ 2,7 milhões) ao evento e espera um impacto global significativo devido às sobretaxas. Apesar das tentativas de contato com várias empresas mencionadas — incluindo GM e Dow — poucas forneceram comentários sobre suas perspectivas diante das novas tarifas.
Recentemente, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) publicou um estudo apontando que a queda no faturamento das unidades brasileiras poderá impactar diretamente as operações americanas dessas mesmas multinacionais. O estudo revelou um aumento nas transações comerciais intercompanhias entre Brasil e EUA, indicando uma interdependência crescente entre as operações locais e suas matrizes.