Taxas de Juros futuros sofrem alta moderada em dia de julgamento de Bolsonaro
Avanço, no entanto, foi modesto, em meio ao cenário externo benigno com queda dos juros dos Treasuries
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 11/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
No cenário financeiro desta quinta-feira, o mercado observou um leve aumento nas taxas de juros futuros, que inicialmente apresentavam uma tendência de queda. Contudo, na reta final do pregão, as taxas inverteram a trajetória e começaram a subir moderadamente ao longo de toda a curva.
Analistas do mercado atribuem essa movimentação à continuidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que está se encaminhando para uma possível condenação, além dos resultados da pesquisa Datafolha, que indicaram um aumento na aprovação do governo atual. Essas variáveis exerceram pressão sobre as taxas de juros.
A alta foi contida, refletindo um ambiente externo favorável, especialmente com a redução das taxas dos Treasuries. Ao final do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,999% para 14,030%. Da mesma forma, o DI para janeiro de 2028 passou de 13,279% para 13,310%, enquanto o DI para janeiro de 2029 teve um leve aumento de 13,186% para 13,215%. Para janeiro de 2031, a taxa fechou em 13,465%, em comparação com os 13,44% do ajuste anterior.
O instituto Datafolha reportou que a aprovação do governo Lula aumentou para 33%, o melhor resultado desde dezembro de 2024. A reprovação variou entre 40% e 38%, dentro da margem de erro estabelecida.
Tiago Hansen, diretor de gestão e economista da Alphawave Capital, comentou que esse contexto pode ter sido o fator decisivo para a elevação das taxas futuras, em conjunto com as questões relacionadas ao julgamento de Bolsonaro.
Durante a tarde, os ministros do STF Cármen Lúcia e Flávio Dino seguiram o voto do relator Alexandre de Moraes, que condenou Bolsonaro por cinco crimes ligados à tentativa de golpe ocorrida em 8 de janeiro. O placar atual é de 3 a 1.
Gustavo Okuyama, chefe da área de renda fixa da Porto Asset, observou que o temor por possíveis retaliações dos Estados Unidos impôs cautela aos investidores. No entanto, ele ressaltou que o principal fator que conduziu os negócios durante a maior parte do dia foi o cenário internacional.
Quanto à inversão das taxas na última hora do pregão, Okuyama destacou que a curva local também acompanhou uma desaceleração no ritmo da queda dos Treasuries e que há notícias indicando que o ex-presidente Donald Trump está acompanhando atentamente os desdobramentos do julgamento de Bolsonaro.
Nos Estados Unidos, mesmo com uma inflação ao consumidor mais pressionada conforme mostrado pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto — que subiu 0,4% em relação a julho — os juros dos Treasuries apresentaram recuo.
Dados adicionais reforçaram a percepção sobre uma desaceleração no mercado de trabalho americano. O número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentou em 27 mil na semana encerrada em 6 de setembro, totalizando 263 mil solicitações. Esse resultado superou as expectativas dos analistas consultados pela FactSet, que estimavam cerca de 231 mil pedidos.
Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, destacou que parece haver uma minimização dos impactos negativos da inflação nos Estados Unidos pelo mercado financeiro, considerando essa situação como temporária.
Os dados sobre o mercado de trabalho sustentam a análise sobre a fragilidade da economia norte-americana no momento. Diante da importância dada pelo Federal Reserve (Fed) a esse aspecto econômico, tais informações parecem consolidar as expectativas por cortes nas taxas de juros.
Pela manhã, as taxas mais curtas locais chegaram a ensaiar uma queda após a divulgação dos resultados das vendas no varejo brasileiro referentes a julho. Entretanto, essa tendência não se sustentou ao longo do dia.
A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) revelou que o varejo restrito — que exclui automóveis e material de construção — registrou uma queda de 0,3% em comparação ao mês anterior após ajustes sazonais. Este resultado está alinhado com as previsões médias do Projeções Broadcast. Em contrapartida, o comércio ampliado apresentou um crescimento de 1,3%, superando a mediana esperada de 0,8%. Porém, vale ressaltar que os dados referentes ao mês anterior foram revisados pelo IBGE; a queda anterior foi ajustada de -2,5% para -3,1%.
Okuyama concluiu afirmando que a PMC apresentou resultados mistos. Embora evidencie uma tendência geral mais fraca na atividade econômica, é difícil afirmar se os dados estão demonstrando um desempenho inferior ao previsto pelo Banco Central; isso mantém as taxas mais curtas ancoradas no patamar atual.