Planalto discute fim da ‘Taxa das Blusinhas’ visando 2026
Debate sobre imposto de 20% em compras de até US$ 50 ressurge, mirando popularidade para reeleição.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A discussão sobre a cobrança de 20% em compras internacionais online de até 50 dólares, conhecida popularmente como a taxa das blusinhas, está novamente em pauta em Brasília. O debate ressurge no Congresso e ganha força nos corredores do Palácio do Planalto, sinalizando uma nova fase na análise desse imposto.
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A estratégia eleitoral e a taxa
Nos bastidores, a Secretaria de Comunicação (Secom) avalia que a revogação da taxa das blusinhas pode ser uma jogada estratégica. O objetivo seria aumentar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já indicou a intenção de concorrer à reeleição em 2026.
A análise interna é que, se a medida gerar benefícios claros, o crédito deve ser majoritariamente do presidente, e não dos parlamentares que defendem a mudança. A manutenção ou fim da taxa das blusinhas se torna, assim, uma peça no tabuleiro político.

Ceticismo e o impacto econômico
Contudo, essa visão não é unânime. O deputado Zé Neto (PT-BA), uma figura chave na articulação política da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços, vê com ceticismo os rumores sobre o fim da cobrança.
Ele argumenta que grandes players do e-commerce, como Shein, Shopee e Alibaba, investiram em infraestrutura logística no Brasil justamente após a implementação do programa Remessa Conforme, que regulamentou a taxa das blusinhas. Na visão dele, essas empresas não teriam interesse na revogação.
Zé Neto também destaca um ponto crucial: o risco para as pequenas e médias empresas nacionais dos setores têxtil e de calçados. A eliminação da taxa das blusinhas poderia gerar prejuízos severos para essa indústria.
A complexidade da decisão foi resumida pelo deputado em entrevista ao Radar: “Embora possa haver ganhos em um aspecto, também haverá perdas significativas em outro“. O debate sobre a taxa das blusinhas opõe, portanto, o ganho de popularidade e o impacto na indústria local.