Brasil reage a aumento de tarifas por Trump com reunião emergencial no Planalto
Medida dos EUA afeta produtos brasileiros e gera preocupação no governo Lula, que prepara resposta diplomática e econômica
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 09/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O governo brasileiro convocou uma reunião de emergência nesta quarta-feira (9) para discutir o impacto da nova medida anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder norte-americano comunicou que elevará para 50% a tarifa de importação sobre produtos do Brasil, medida que entra em vigor a partir de 1º de agosto.
Até o momento, o Brasil arcava com uma tarifa de 10%, percentual instituído por Trump em abril deste ano. A nova decisão foi enviada em uma carta nominal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com críticas diretas ao governo e comparações com a gestão anterior de Jair Bolsonaro (PL). O documento também traz alegações polêmicas sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e acusações de que ordens “secretas e ilegais” estariam sendo emitidas contra plataformas de mídia nos EUA, interferindo na “liberdade de expressão de americanos”.
Governo convoca cúpula ministerial para debater retaliação
Estiveram presentes na reunião os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo fontes do Planalto, o encontro tem como objetivo discutir eventuais reações diplomáticas e avaliar os impactos econômicos da nova tarifa sobre as exportações brasileiras.
Ainda não foi definido se o governo federal se manifestará oficialmente por meio de coletiva de imprensa ou de nota oficial. O tom, até o momento, é de cautela. No entanto, há uma clara preocupação em manter a estabilidade comercial, sobretudo num momento em que o Brasil tenta estreitar laços com países em desenvolvimento e reforçar seu protagonismo no cenário internacional.
Críticas de Trump aos Brics e declarações polêmicas
Na terça-feira (8), Trump já havia sinalizado a intenção de aumentar tarifas contra países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), alegando que o bloco tentaria “destruir o dólar”. O presidente norte-americano defendeu a imposição de sobretaxas de 10% adicionais, como forma de proteger a economia dos Estados Unidos.
Durante uma declaração pública, Trump afirmou: “O Brasil, por exemplo, não tem sido bom para nós, nada bom. Vamos divulgar um dado sobre o Brasil, acredito, no final desta tarde ou amanhã de manhã”.
A retórica do ex-presidente dos EUA foi classificada como imprevisível e alarmante por autoridades brasileiras. “É uma medida que, em relação ao Brasil, é injusta e prejudica a própria economia americana”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin pouco antes do anúncio formal.
Governo brasileiro critica postura da extrema-direita
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, também comentou a decisão de Trump em entrevista ao portal Metrópoles. Ele classificou a iniciativa como um reflexo da estratégia da extrema-direita global. “É uma coisa estarrecedora porque, por um lado, risível, e por outro, preocupante. É um pouco do método dessa nova extrema-direita, que tem como base o caos”, disse Macêdo. “A gente não sabe se ele está falando a verdade ou não. Ele fez isso com a China e depois voltou atrás”.
A crítica reflete o temor do governo Lula de que a instabilidade nas relações com os Estados Unidos possa provocar efeitos econômicos duradouros, especialmente sobre setores da indústria e da agroexportação que dependem do mercado norte-americano.