Tarifas de Trump falham e destroem empregos nos EUA

Medida prometia revitalizar indústria, mas estrangulou importações de insumos e causou demissões no setor.

Crédito: Daniel Torok/White House/FotosPúblicas

O pacote anunciado por Donald Trump em abril, que prometia ser a salvação da indústria americana, revelou-se um tiro pela culatra. As tarifas de Trump, em vez de criarem empregos, estrangularam a importação de insumos essenciais, resultando na diminuição de postos de trabalho no setor manufatureiro.

A realidade é que a economia americana depende de insumos importados para suas exportações, que são compostas em 66% por suprimentos industriais e bens de capital (como máquinas e equipamentos). A queda recente nas exportações é um reflexo direto da perda de competitividade. Com custos mais altos para produzir, as empresas dos EUA se distanciam das cadeias globais de fornecimento.

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O “Aperto Manufatureiro” e os Impactos Imediatos

As tarifas de Trump foram aplicadas majoritariamente sobre esses bens intermediários e matérias-primas. Exemplos notáveis incluem sobretaxas de 50% sobre aço e alumínio e uma média de 45% sobre produtos chineses, vitais para a produção.

Esses insumos essenciais, que representavam 22% das aquisições totais dos EUA, sofreram uma queda abrupta de US$ 14,4 bilhões entre março e julho, segundo os dados mais recentes.

Richard Baldwin, pesquisador do National Bureau of Economic Research e professor da IMD Business School, explica o fenômeno. “Outros países estão se tornando mais competitivos na indústria em comparação com os produtos dos EUA devido ao aumento dos custos impostos às empresas americanas pela política tarifária de Trump”.

Baldwin classifica o cenário como um “aperto manufatureiro”. Ironicamente, a política de tarifas de Trump acabou beneficiando vizinhos, como Canadá e México, que ampliaram sua participação de mercado.

As Consequências das Tarifas de Trump no Emprego e na Economia

O impacto no emprego industrial, que já enfrentava uma tendência de queda desde a administração de Richard Nixon (1969-1974), tornou-se ainda mais acentuado. Entre abril e agosto, o setor perdeu 42 mil postos de trabalho.

Embora as exportações representem apenas 11% do PIB americano, sua relevância crescente torna essa diminuição preocupante, especialmente para fabricantes de máquinas (32% das exportações) e fornecedores industriais (36%).

Um relatório do Budget Lab da Universidade de Yale, divulgado em 17 de outubro, aprofunda a análise. As mudanças nos padrões de consumo geradas pelas tarifas de Trump levaram a uma taxa média efetiva de importação de 17%, o maior nível registrado desde 1936.

A análise do Budget Lab estima uma retração do PIB de 0,5 ponto percentual este ano e mais 0,5 ponto percentual até 2026. A projeção de longo prazo é sombria: um saldo líquido negativo de 490 mil empregos em todas as áreas afetadas até o final de 2025.

Tarifas de Trump falham e destroem empregos nos EUA
Daniel Torok White House/Fotos Públicas

O Custo para o Consumidor e o Mercado Global

O peso das tarifas de Trump recai também sobre o bolso do consumidor. A previsão é que cada família perca, em média, US$ 1.800 (R$ 9.700) até 2025. O impacto, aponta o estudo, tende a ser regressivo: os 10% mais pobres sentirão uma perda proporcional maior (cerca de 2,7%) do que o decil mais rico.

A inflação é outra consequência direta. Dados do Censo americano mostram altas significativas entre fevereiro e agosto deste ano:

  • Equipamentos eletrônicos: +14%
  • Vestuário: +8%
  • Ferramentas domésticas: +5%

A guerra tarifária desencadeada por Trump não afeta apenas os EUA. Dados da Thomson Reuters indicam que cerca de 60 companhias internacionais devem registrar perdas financeiras acumuladas de US$ 23 bilhões este ano, e mais US$ 15 bilhões em 2026, devido às tarifas de Trump.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 29/10/2025
  • Fonte: Fever