Tarifas de Trump devem reduzir drasticamente renda das famílias americanas
Medidas comerciais anunciadas em abril impactam preços, PIB e aumentam risco de estagflação nos EUA
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 06/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
As novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump podem fazer com que cada família americana perca, em média, US$ 3.800 (cerca de R$ 21.900) em 2025 — valor superior à metade da renda mensal de um domicílio típico nos Estados Unidos. O chamado “Dia da Libertação”, como foi batizada a data de 2 de abril por Trump, trouxe aumentos de até 17% nos preços de roupas, afetando principalmente cadeias produtivas ligadas a países como Vietnã, Bangladesh e Tailândia.
Segundo cálculos do Budget Lab da Universidade Yale, os preços médios de produtos tarifados subirão 2,3%, com impacto direto no PIB do país, que deve cair 0,5 ponto percentual neste ano. Considerando todas as tarifas aplicadas desde o início do governo Trump, a retração pode alcançar 0,9 ponto percentual. A longo prazo, o prejuízo estimado chega a US$ 180 bilhões (R$ 1,03 trilhão).
Cresce o risco de estagflação nos EUA
O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, criticou duramente as medidas, sugerindo que a data deveria ser chamada de “dia do empobrecimento”. Ele afirma que as tarifas comprometem a qualidade da indústria americana ao encarecer insumos e prejudicar as exportações.
Já o Instituto de Finanças Internacionais (IIF) alertou que os setores estratégicos, como o de semicondutores e farmacêuticos, enfrentarão tarifas de até 25%, com o objetivo de promover a produção doméstica a longo prazo.
A administração Trump teria estruturado as novas regras para dificultar sua reversão, estabelecendo uma nova lógica no acesso ao mercado americano. Analistas como Armando Castelar, da FGV, apontam que a prioridade do governo passou do consumidor para o trabalhador industrial, numa tentativa de recuperar empregos — movimento considerado arriscado diante do avanço de tecnologias como robótica e inteligência artificial.
Reações globais e efeitos colaterais
A imposição das tarifas também já gerou reações internacionais. A China, por exemplo, retaliou com alíquotas de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA. Enquanto isso, o valor das ações de grandes empresas norte-americanas vem caindo, afetando a poupança de milhões de famílias investidas no mercado de capitais.
Apesar do esforço de Trump para reverter o déficit comercial americano, ele permanece estável há anos, oscilando entre 2,5% e 4% do PIB. Especialistas como José Júlio Senna, ex-diretor do Banco Central, argumentam que a estratégia tarifária para reindustrialização é ineficaz e ignora o padrão de evolução econômica das nações desenvolvidas. Segundo ele, “a perda de empregos industriais é uma consequência natural do crescimento econômico e da maior demanda por serviços”.