Tarifaço de Trump atinge exportações de 22 estados brasileiros

Sobretaxas chegam a 100% em alguns casos e afetam especialmente Norte, Nordeste e Sul do país

Crédito: FotosPúblicas

As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros afetam, de forma significativa, as vendas de 22 estados aos Estados Unidos, segundo levantamento com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Em oito estados, mais de 95% das exportações ao mercado norte-americano estão agora sujeitas à cobrança adicional.

Impacto desigual entre as regiões

O decreto da Casa Branca, em vigor desde 6 de agosto, acrescenta 40% de tarifa sobre produtos do Brasil, elevando a sobretaxa total para 50%. Apesar de 694 itens estarem isentos, regiões como Nordeste, Norte e Sul sentirão efeitos mais severos, especialmente por exportarem produtos de baixo valor agregado, como frutas, pescados, calçados e madeira. Tocantins, Ceará, Rondônia, Paraíba, Acre, Amapá, Alagoas e Paraná terão de 95% a 100% das vendas aos EUA sobretaxadas.

No Sudeste e Centro-Oeste, a lista de isenções ameniza o impacto. Em São Paulo, por exemplo, 56% das exportações ao parceiro americano serão tarifadas, enquanto itens de alto valor, como aviões, petróleo e suco de laranja, ficaram de fora. Minas Gerais, porém, terá 63% de seu comércio afetado, com destaque para o café.

Setores mais vulneráveis

O estudo do FGV Ibre aponta que setores intensivos em mão de obra e com baixa tecnologia serão os mais atingidos. No Ceará, quase 99% das vendas aos EUA entram na lista, e quase metade das exportações do estado tem como destino aquele mercado. No Sul, o Paraná enfrenta taxação sobre 96% de seus produtos exportados, com destaque para madeira, móveis, calçados e têxteis. No Rio Grande do Sul, 85% das vendas aos americanos serão afetadas, o que pode impactar até 1,1% do PIB estadual em um ano, segundo estimativas.

Possíveis consequências econômicas

Especialistas alertam que, embora o efeito agregado sobre o PIB nacional possa parecer limitado, regiões e setores específicos correm risco de retração severa. Empresas com alta dependência do mercado americano, como a fabricante de armas Taurus, em São Leopoldo (RS), podem ver seu faturamento comprometido, com reflexos em cadeias de fornecedores locais. No Centro-Oeste, a incidência é menor, mas segmentos como carnes e couro podem sentir pressão, apesar da forte presença da China como cliente alternativo

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 10/08/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show