Tarifaço de Trump beneficia Brasil e China com nova alíquota
A reconfiguração comercial imposta pelo governo americano gera queda histórica nas taxas brasileiras e amplia a competitividade do país.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 22/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Tarifaço de Trump remodelou o cenário comercial global de forma inesperada nos últimos dias. Uma análise recente da organização independente Global Trade Alert revelou que o mercado nacional registrará a maior queda mundial nas tarifas médias após o anúncio da nova política tarifária de Washington. O recuo atinge expressivos 13,6 pontos percentuais, colocando o país à frente de outras potências emergentes.
Por que o Tarifaço de Trump favorece o mercado brasileiro

A nova alíquota global de 15% altera radicalmente a dinâmica de exportação. O presidente Donald Trump havia estabelecido uma taxa inicial de 10% logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as restrições embasadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Menos de 24 horas depois dessa primeira manobra, o percentual subiu para 15%.
Essa medida tarifária entra em vigor na próxima terça-feira (24) e atinge todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. O formato imposto pelo Tarifaço de Trump, no entanto, prevê isenções estratégicas para o mercado interno, poupando da taxação produtos agrícolas, minerais críticos e componentes eletrônicos essenciais.
Segundo Johannes Fritz, economista responsável pelo levantamento da Global Trade Alert, a mudança de regras aliviou a pressão sobre nações antes severamente penalizadas pela Casa Branca. A lista de grandes beneficiados traz o Brasil no topo, seguido diretamente pela China, com queda de 7,1 pontos, e pela Índia, com recuo de 5,6 pontos.
“Este regime tem uma duração potencial de apenas 150 dias. A administração sinalizou que agora se concentrará nas leis que permitem a imposição de tarifas. Portanto, na prática, o jogo recomeça do zero.” — Johannes Fritz, em entrevista ao Financial Times.
Reação oficial e projeções econômicas após novo tarifaço
A cúpula do governo federal celebrou o novo cenário desenhado pelo fim da sobretaxa amparada pela IEEPA. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou que a uniformidade da taxa global protege a força dos produtos nacionais no exterior. Ele garantiu que as empresas brasileiras não sofrem perda de competitividade.
Em sua declaração, Alckmin detalhou os setores produtivos que acabaram beneficiados com tarifas zeradas na alfândega americana:
- Combustível
- Carne
- Café
- Celulose
- Suco de laranja
- Aeronaves
Dados recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a decisão do tribunal americano impacta de forma direta US$ 21,6 bilhões em vendas brasileiras. Antes desse revés judicial sofrido pelo governo republicano, 22% do volume exportado pelo Brasil precisava lidar com uma barreira adicional punitiva de 40%.
Cronologia do Tarifaço de Trump
Compreender as mudanças repentinas nas diretrizes de importação exige observar as manobras recentes da administração americana. As sanções pesadas contra itens brasileiros chegaram a acumular 50% de imposto extra na fronteira ao longo do último ano.
Acompanhe o histórico da escalada comercial e suas reviravoltas com o tarifaço:
- Abril de 2025: Início da cobrança recíproca de 10% sobre bens brasileiros importados pelos EUA.
- Junho de 2025: Impostos específicos sobre aço e alumínio saltam para 50%, via Seção 232.
- Julho de 2025: Uma elevação de 40% aumenta as barreiras totais para 50% em diversos setores produtivos.
- Novembro de 2025: Negociações diretas retiram a barreira de 40% sobre remessas de carnes, café e frutas.
- 20 de Fevereiro de 2026: Suprema Corte barra a IEEPA, derrubando a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. A Casa Branca reage impondo taxa temporária de 10% via lei comercial de 1974.
- 21 de Fevereiro de 2026: A alíquota global provisória sobe para 15% como retaliação a supostas práticas injustas.
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington no próximo mês de março surge como uma janela estratégica de negociação. O governo brasileiro enxerga uma oportunidade real de avançar em debates sobre barreiras não tarifárias. O cenário macroeconômico segue incerto para os próximos meses, mas as condições ditadas pelo atual Tarifaço de Trump colocam os exportadores do Brasil em clara posição de vantagem frente aos aliados históricos europeus e asiáticos.