Tarifa média dos EUA sobre produtos do Brasil salta de 1,9% para 32%
Sobretaxas afetam agro, aço e químicos; isenções aliviam aviação e combustíveis
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 07/08/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
O recente embate comercial iniciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resultou em um aumento substancial das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. Antes do início dessa guerra tarifária, a tarifa média efetiva para importações do Brasil era de 1,9%. Entretanto, a partir da quarta-feira, dia 6, essa média saltou para impressionantes 32,2%, conforme aponta um estudo elaborado pela equipe de economistas da LCA Consultoria.
De acordo com a pesquisa, embora o decreto assinado por Trump tenha isentado 44,6% das exportações brasileiras, as novas alíquotas elevadas ainda assim terão um impacto significativo sobre o comércio. Antes da imposição dessas tarifas, 97% das exportações brasileiras estavam sujeitas a taxas inferiores a 5%. Com as mudanças recentes, a variação das tarifas se tornou muito mais ampla, com algumas categorias enfrentando uma taxa inicial de 10%, enquanto outras produtos estão sujeitos a uma sobretaxa adicional que pode elevar essa porcentagem a até 50%.
O levantamento da LCA revela que o setor agroindustrial é o mais afetado por essas mudanças, com uma taxa média que foi multiplicada por dez, passando de 4% para 40,8%. Outros setores notavelmente impactados incluem os químicos (de 2,3% para 40,1%), minérios e aço (de 0,5% para 38,7%) e máquinas e equipamentos (de 0,8% para 38,2%).
A diretora de economia do direito na LCA Consultoria, Verônica Cardoso, explica que as variações nas tarifas não são uniformes entre os setores. “No setor agropecuário, por exemplo, o café não foi incluído na lista de isenção enquanto o suco de laranja foi. No caso de minérios e aço, alguns tipos específicos também ficaram fora da isenção”, esclarece Cardoso.
Entre os setores menos afetados estão os relacionados à aviação e combustíveis. A tarifa média para aeronaves aumentou de zero para 10%, enquanto os combustíveis passaram de uma média de 1,5% para 10%, devido à inclusão da maioria dos itens desses segmentos na lista de isenção.
A lista de exceção inclui um total de 694 itens, dos quais 565 pertencem ao setor aeronáutico e 76 referem-se a petróleo, carvão e gás natural. No âmbito alimentício, apenas castanhas-do-pará e polpa e suco de laranja foram poupados da taxação.
Cardoso observa que “não se pode afirmar que houve alívio geral”. Apesar da isenção aplicada a quase metade das exportações brasileiras, o aumento das alíquotas para a outra parte representa um ônus considerável.
A nova sobretaxa de até 50% sobre as exportações brasileiras destinada ao mercado americano entrou em vigor à 1h01 (horário de Brasília) nesta quarta-feira (6), estabelecendo um novo recorde. Na mesma data, Trump anunciou que planeja implementar uma tarifa em torno de 100% sobre chips semicondutores importados para os EUA, embora ainda não tenha fornecido detalhes sobre como isso será executado.