Tarcísio de Freitas anuncia mais de R$ 2 bi para Saúde do ABC

Governador esteve no Hospital Mário Covas e elencou os investimentos não só na saúde do ABc, mas em outras áreas, como habitação, infraestrutura e mobilidade

Crédito: Celso Rodrigues/ABCdoABC

O prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (PSDB), foi o anfitrião ao receber, na manhã desta sexta-feira (29), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o secretário de Estado de Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, os deputados estaduais André do Prado (PL), Ana Carolina Serra (Cidadania), Carla Morando (PSDB) e Thiago Auricchio (PL), além dos demais prefeitos das cidades da região e outras autoridades, no Hospital Estadual Mário Covas.

Dinheiro para a Saúde do ABC

Eleuses Paiva cifrou os valores que o ABC recebeu do Governo do Estado e que passam de R$ 2 bilhões.

“Foram investidos, na Saúde do ABC, R$ 2,4 bilhões. De fundo a fundo, do tesouro do Estado aqui no ABC, R$ 1,95 bilhão. E hoje anunciamos mais R$ 400 milhões para ajudar no custeio das nossas unidades de Saúde aqui no ABC”, informou Eleuses.

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Distribuição

Os valores são destinados e distribuídos da seguinte forma: R$ 50 milhões para São Bernardo, R$ 30 milhões para Diadema, outros R$ 30 milhões para São André, mais R$ 15 milhões para São Caetano, R$ 10 milhões para Mauá, R$ 10 milhões para Ribeirão Pires e R$ 5 milhões para Rio Grande da Serra.

Além destes valores, as unidades e hospitais municipais, segundo o secretário, passam a ser pagos pela Tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) Paulista, o que representaria algo em torno de 253, R$ 255 milhões e que pode alcançar R$ 350 milhões.

O anfitrião agradeceu e comentou aportes em outras áreas

Gilvan agradeceu os investimentos na saúde de todos os municípios do ABC, mas lembrou que há outras áreas na qual existe ‘dedo’ do Governo do Estado.

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“Muito importante receber o governador do Estado aqui no município de Santo André, e agradecer, em nome de todos os prefeitos, aqui no Hospital Mário Covas. É um grande avanço, além de todos os anúncios feitos na saúde, mas agradecer a parceria do governador em todas as áreas, para todos os prefeitos. Na habitação, na regularização fundiária, novas unidades habitacionais para toda região, infraestrutura, transportes, metrô, pela primeira vez a gente vê fundação nas ruas de Santo André, para estudos do metrô, Estação ABC ligando Santo André a Guarulhos, e a gente vê o quanto a região tem avançado”, elogiou o chefe do Executivo Andreense.

Fala presidente da Alesp!

O deputado André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), criticou o custeio da saúde em alguns de seus aspectos e informou o aumento substancial que o sistema receberá.

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“Uma tabela SUS que pagava R$ 443,00 por parto, totalmente deficitária. Porque nenhum hospital vai conseguir fazer parto com R$ 443,00. Então, cada dia mais e mais deficitária, cada dia mais fechando leitos, cada dia mais tendo menos serviços prestados no Sistema Único de Saúde. E com a tabela SUS Paulista isso está sendo revertido, O SUS que paga R$ 443,00 por parto, vem o governo do Estado que está pagando R$ 1.773,00 a mais, com isso R$ 2.273,00 por parto agora”, destacou o parlamentar.

Desvinculação de receita

Ao fazer uso da palavra, Tarcísio de Freitas comentou os aportes em diversas áreas, mas vamos no ater neste momento à saúde, na qual o governador falou em desvinculação de receita.

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“A desvinculação de receita que foi feita financia a saúde. Porque, ao longo do tempo, cada vez mais os casais têm menos filhos, têm menos matrícula, e você tem a população envelhecendo, precisando mais de saúde. E aí, você precisa financiar isso, o grande desafio do Estado, de qualquer prefeitura é o financiamento da saúde, percebe o republicano.

Repasse imediato

Freitas garantiu que os R$ 150 milhões são repassados de forma imediata e reafirmou o que foi entregue no Hospital Estadual Mário Covas, que recebeu um novo tomógrafo de 64 canais e teve leitos reabilitados, além das reformas de banheiros e dos quartos.

Ao explanar sobre a Tabela SUS Paulista, o governador disparou contra o que ele chamou de prejuízo.

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“A gente falou muito da Tabela SUS Paulista, que tinha uma questão de incentivo negativo, ou seja, quanto mais procedimento um hospital filantrópico tinha, e esse é o problema do endividamento das Santas Casas, mais prejuízo ela tinha, ora, se essa tabela está congelada há muitos anos, quanto mais procedimento eu faço, mais prejuízo eu tenho”, coloca o político.

Para solucionar o problema, o Governo do Estado passa a remunerar com sua própria tabela, na qual reforça a fala de André do Prado.

“Aquele parto que era R$ 443 em São Paulo, hoje, é de R$ 2.300. Aquele leito de UTI que era de R$ 700, em São Paulo, é de R$ 2.500. Aquela cirurgia que era de R$ 700, em São Paulo, a gente paga R$ 2.800. São 680 entidades filantrópicas em São Paulo recebendo a Tabela do SUS”.

O que muda de forma prática é menor burocracia e mais agilidade na chegada dos subsídios às cidades, como em Mauá, por exemplo, que sairá de R$ 18 milhões e passará a receber R$ 28 milhões por ano. São Bernardo do Campo, em seus quatro hospitais, terá o aporte de R$ 124 milhões anuais. Em São Caetano do Sul, os dois hospitais, o complexo hospitalar municipal e o hospital de urgência, terão quase R$ 20 milhões por ano. Já Diadema, no Quarteirão da Saúde, mais o hospital municipal, receberão R$ 20 milhões por ano. Ribeirão Pires terá em caixa quase R$ 3 milhões por ano, e no final das contas, o valor pode ultrapassar os R$ 253 milhões por ano garantidos, com previsibilidade. 

Mobilidade e o metrô no ABC

Tarcísio de Freitas fez um longo discurso e comentou também outros investimentos no ABC, como na mobilidade, ao falar do metrô.

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“Do ABC, Rio Grande da Serra até a Estação Barra Funda e a Linha 14 que vai ligar o ABC, a Estação Pirelli até o Bonsucesso, Guarulhos. Então vai cruzar toda a Zona Leste de São Paulo. Vai se interligar com a futura Linha 16, vai se interligar com a Linha 12, vai se interligar com a Linha 11, com a Linha 13. E ali, a gente está falando de um investimento de R$ 19 bilhões. E hoje nós temos o projeto da Linha do metrô que vai ligar o ABC à Capital. A obra começa pelo ABC. E a gente está falando de um investimento de R$ 34 bilhões para a Linha do ABC. Quando eu pego as duas concessões do metrô a gente vai chegar a R$ 60 bilhões”, esclareceu o governador.

Saneamento Básico

Sobre saneamento básico, Tarcísio celebrou a quantidade de novas ligações de água potável.

“Em um ano, a empresa fez 410 mil ligações de água potável. O estado mais rico do Brasil tinha gente que não tinha água potável. 1,3 milhão de pessoas não tinham água potável e agora tem. Em um ano, 529 mil famílias receberam ligação de esgoto, passam a ter coleta de esgoto, passam a ter tratamento de esgoto. A gente, hoje, trata 5 bilhões de litros de esgoto a mais por mês”, enumerou ele.

De volta à Saúde

Ao falar da Saúde, o governador explicou o porquê os valores podem aumentar, já que se trata de pagamento em virtude de produção.

“Então, além dos 150 milhões que a gente está repassando para a saúde, a gente está falando de mais de R$ 253 milhões por ano na saúde do ABC, pelo menos, porque depois a produção vai começar a subir e você vai começar a receber mais. E aí, daqui a pouco, você vai estar falando de R$ 300 milhões por ano, R$ 350 milhões por ano para a saúde do ABC, projetou o republicano.

Além da Saúde, o Governo do Estado investirá de forma ampla nas sete cidades do ABC e de acordo com a necessidade de cada município, como recapeamento, educação, cultura, turismo e habitação.

Além de todos os aportes mencionados, ainda há verbas de emendas parlamentares para a região.

O secretário Eleuses Paiva recordou o encerramento de leitos no Estado e, depois, a reabertura, além de mensurar a alta na realização de cirurgias e que existe um aspecto que faz com que o sistema funcione adequadamente.

Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“Dos oito mil leitos que tínhamos fechado no Estado de São Paulo, nós abrimos 6.456. O Estado de São Paulo fazia em média 720, 740 mil cirurgias eletivas por ano, fomos para um milhão, ano passado terminamos com um milhão e 200 mil, e agora, com a tabela que vai também para todos os municípios, nós teremos chegado a um milhão e 400 mil. Exatamente o dobro que São Paulo fazia. E aí, como o Governador Tarcísio sempre aposta, nessa tríade: financiamento adequado, gestão competente, transparência, é a chave para a gente melhorar a saúde”, sugere o secretário.

Paiva ressaltou ainda que o Hospital Estadual Mário Covas é um dos maiores hospitais e conta com 313 leitos, sendo 86 de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), com ala de alta complexidade, de oncologia dedicada, e que passa por reestruturação para melhorar o acolhimento.

Aliás, o complexo hospitalar de Santo André recebeu um novo tomógrafo de 64 canais, mais tecnológico e que pode expandir seu atendimento para outros diagnósticos promovendo mais agilidade.

Já o médico infectologista e reitor do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), David Uip foi realista e crítico ao comentar o cenário acadêmico de formação de novos profissionais da medicina no país.

Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“Nós vivemos um momento crítico da saúde do Brasil, com o aumento do número de faculdades no Brasil, de uma forma totalmente incabível, que tem trazido uma competição feroz. Então, você não forma médico se não estiver acompanhado de bons serviços de saúde, que começam na atenção primária e chegam à alta complexidade. É assim que se faz a vida acadêmica universitária, principalmente na área de saúde. Mas, infelizmente, o que nós estamos vivendo é uma formação de médicos mal preparados, disparou o médico.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 01/09/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping