Tamboréu: o esporte do passado, presente e futuro em Santos

Esporte tradicional santista que reúne histórias, campeonatos e continuidade nos dias de hoje e projeção do Tamboréu para o futuro.

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Tamboréu é uma modalidade esportiva que se assemelha com o tênis e que teve origem em Santos-SP e ganhou espaço em toda a Baixada Santista, em São Paulo e em outros estados do país. Com maior popularidade no final dos anos 40, o esporte além de ganhar histórias, títulos e competições tornou-se patrimônio moral, social e esportivo dos clubes e das entidades respectivas.

Mesmo tendo sua concorrência por atenção e prestígio, mesmo com um passado tão rico, ainda há jogadores que disputam tamboréu na atualidade e escolinhas, onde percebe-se desde cedo à imersão de jovens e adolescentes em uma modalidade tão importante para a saúde.

Origem do Tamboréu

O Tamboréu é uma modalidade esportiva que vem da derivação  do chamado “Tamburello”, esporte praticado na Itália. Foram justamente dois italianos, conhecidos na época por Donatellis, que trouxeram a novidade para terras santistas, em 1936. A improvisação foi a peça-chave no nascimento deste esporte.

Até então, a versão italiana era jogada em quadras de saibro, mas os dois estrangeiros não encontraram local adequado para praticar em Santos, recorrendo à praia.

Entre 1940 e 1942, clubes armavam três quadras, apesar do prestígio do voleibol na cidade de Santos. Os Tupís eram um deles e aos poucos foi armando uma equipe, chegando em 1947 e 1948 ao título de campeões da cidade em duplas, pois só havia campeonatos eliminatórios nesta categoria.

Equipes de destaque daquela época eram o Banco do Brasil, o Graussás, o Fri-Kik, o Estudantes e o Fluminense, e as entusiastas, Melchert, Simões, Eurico, Morgado, Nathan, Amorim, Mario Rubens Abreu, Rivaldo, e Vasco, Berjon, Italo e Alpe, que estavam em todas as comissões organizadoras dos campeonatos que faziam.

Em 1949 com a passagem da equipe do Tupís para o Caravelas, formou-se uma equipe, considerada das melhores de todos os tempos, jogando-se em três duplas. Essa equipe era formada por Washington e Hegdemburgo, Eurico e Dallis, Gil e Altair (Fininho). Em 1953 ou 1954 com a criação da sub-comissão de tamboréu, ligada a Comissão Central de Esportes da Prefeitura, o tamboréu passou a ter campeonatos com o cunho oficial, sendo os dois primeiros vencidos pelo Caravelas. Surgiu em seguida uma nova boa equipe, o Banespa, que passou a vencer vários campeonatos.

Os locais para a prática são muitos: Santos, São Paulo, Campinas, Santo André, Brasília, São Sebastião, e até a Europa. França, Itália e Alemanha são exemplos de lugares onde há a prática do “tamburello”, nome dado ao tamboréu fora do Brasil.

Clubes conhecidos, como o Internacional de Regatas, Fluminense, Saldanha, Benjamin Constant, Clube 2004, entre outras, fizeram a modalidade ainda mais popular na região. O grande número de clubes propiciou a fundação da Liga Santista de Tamboréu.

Como funciona o jogo de Tamboréu?

Como funciona a prática do Tamboréu? - Reprodução

O tamboréu é instrumento composto de um aro e tampa de qualquer material, com diâmetro máximo de 26 centímetros e a bola é a mesma utilizada no tênis de quadra.

Os atletas colocados em posições opostas em cada metade da quadra, que é dividida por uma rede. Sendo que o objetivo de cada jogador é enviar a bola ao campo adversário, por acima da rede, sem que este possa devolvê-la.

“Na prática é basicamente igual ao tênis, porém um pouco mais fácil de jogar porque o tênis é mais técnico”, explica Sr.Feliciano

Dimensões da quadra e rede

As dimensões oficiais da quadra são 34m de comprimento x 10m de largura em formato retangular. Sendo que a quadra é dividida em 2 metades de 17m x 10m por uma rede que tem de 80 a 1m de altura do chão.

TAMBORÉU I – Passado

Sr. Feliciano apresenta como foi o início da modalidade

Sr. Feliciano é um dos grandes jogadores de tamboréu em Santos – Gabriel de Jesus/ABCdoABC

Praticante do Tamboréu na atualidade, aos 83 anos, Sr. Feliciano mantém a prática do esporte. Ele começou aos 15 anos, quando era balconista em uma loja, na qual o dono jogava e o convidou ir à praia para jogar tamboréu. “Fui até lá para experimentar e nunca mais saí”, conta o experiente jogador.

Feliciano mencionou como um dos grandes jogadores de Tamboréu, o ex-jogador Cláudio Christóvam Pinho, (1922-2024), ídolo no futebol, mas que chegou a jogar tamboréu durante um bom tempo. O ponteiro corintiano passou pelos principais clubes do país como Santos, time da cidade onde nasceu; Palmeiras. Quando pendurou as chuteiras deu inicio à prática de um novo esporte

Cláudio Christóvam Pinho - jogador do Corinthians - Reprodução

História do Corinthians no Tamboréu

Iniciado em Santos-SP, mas a modalidade chegou ao Corinthians no início da década de 60. O Tamboréu corintiano  é campeão em todas as categorias, forjando grandes atletas em nossas quadras e entusiastas do esporte que levaram o nome do Corinthians ao patamar mais alto.

De pai para filho no Corinthians

Além de ídolos corintianos em um esporte apaixonante, como por exemplo:  Nelson Fiúza, Dodô, Maracanã, Enoque, Talarico, Paulinho Espírito Santo, nós temos dois deles que fizeram história por um filho que se espelhou no pai pela modalidade.

Nelson Romani, influenciado pelo amigo e um dos fundadores Oswaldo Ribaldo, começou a jogar no Corinthians em 1963. Inspirado pelo pai, o Romaninho, Nelson Romani Filho passou a frequentar o clube e iniciou entre os 11 e 12 anos.

Questionado, Romaninho explicou em entrevista exclusiva ao portal ABCdoABC quais mudanças técnicas teve na disputa do jogo. “As regras são as mesmas, mas houve momentos que tentaram fazer algumas mudanças no tamanho de quadra e a tentativa do tamboréu individual”, explica o ídolo do tamboréu corintiano.

Outra mudança que ele aponta é a agressividade técnica. “Em relação ao jogo em si, eu digo que antigamente os jogos eram mais técnicos e depois ele foi se desenvolvendo, na qual eu fiz parte dessa evolução, se tornou mais agressivo”, detalha o esportista.

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TAMBORÉU II – PRESENTE

A modalidade ainda é um esporte está em vigor tanto em Santos e em outras cidades também. Duas associações que organizam as competições: a ANT (Associação Nacional de Tamboréu) e Federação Paulista de Tamboréu.

ANT –

A ANT é responsável por organizar os campeonatos na Baixada Santista, na qual tem: Pompeia, ACDBS (Associação dos Cirurgiões Dentistas da Baixada Santista), CTS (Clube de Tamboréu de Santos), Tubarão 013, Ópera e Moita.

Clube Pompeia

O Clube Pompeia junto à Sociedade de Melhoramentos do bairro Pompeia, em Santos, também participa do tamboréu na cidade. Rubens Gonçalves, diretor do clube nos explicou como é a rotina da prática deste esporte na cidade.

“O Pompeia participa de todos os campeonatos no estado de São Paulo, Nós estamos organizando, fazemos toda a divulgação, e neste sábado (05/07) terão as finais”.

Rubinho compartilha que o mais importante, é que além da prática do esporte existe a promoção de algumas ações sociais. “Cada atleta precisa realizar a doação de 2kg de alimentos não perecíveis, que é revertido para a Sociedade de Melhoramentos”, complementa o diretor.

Em entrevista exclusiva, Ivair, presidente do Clube de Tamboréu de Santos:

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Federação Paulista de Tamboréu

Federação Paulista de Tamboréu - Reprodução

Já a Federação é responsável por organizar os campeonatos na capital e no interior paulista, sendo associados: AABB da zona sul de São Paulo; o Clube Atlético Aramaçan, de Santo André; Clube Ipê, Penha, Corinthians, Micuim, o Circuito Militar de Campinas.

TAMBORÉU III – FUTURO

Escolinha de Tamboréu de Santos - Divulgação
Escolinha de Tamboréu de Santos – Divulgação

O tamboréu e um esporte que atravessa do passado ao presente na história do esporte santista, mas com projeções de continuar sendo praticado. Na cidade, para quem deseja aprender a jogar tem uma escolinha de tamboréu localizado na Praia da Pompeia, em Santos, em frente ao posto 2.

A Escolinha de Tamboréu da Cris além de disponibilizar aulas gratuitas para quem deseja iniciar neste esporte, conta com o cuidado da comerciante Ana Cristina Eiroz da Costa, responsável pela organização dos projetos da escolinha há seis anos.

Por meio da rede de suas duas lojas de roupa, ela produz os uniformes que são utilizados pelos jogadores e também empresta tamboréu para quem deseja praticar. “Primeiro comecei com 20 camisetas, mandei uma amiga fazer e depois minha loja como patrocinadora”, explica.

Dona da loja Luxúria, Cris como é conhecida pelo público praticante deste esporte, conta que posteriormente pessoas que passavam pela praia despertavam interesse em saber o que estava acontecendo. “Tomou uma proporção que eu não imaginava”, destaca a empresária.

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A Escolinha de Tamboréu da Cris funciona aos domingos, no período da manhã, em frente ao posto 2, na Praia da Pompeia, em Santos-SP. Para participar, basta comprar a camiseta da escolinha.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 09/07/2025
  • Fonte: Fever