SXSW: O futuro da saúde mental é a saúde social

Durante um dos principais eventos de inovação do mundo, especialistas chamam a atenção para saúde mental nas empresas

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Na SXSW deste ano, um dos temas mais debatidos foi algo que já percebemos no dia a dia, mas que agora tem base científica incontestável: o maior desafio da saúde mental no mundo corporativo não é individual, mas coletivo.

Caroline Garrafa, fundadora e CEO da Santé, ressalta que o isolamento e a falta de conexão entre as pessoas têm um impacto direto no engajamento, na produtividade e no bem-estar dentro das empresas. Ela aponta algumas estatísticas apresentadas durante o evento, que reforçam a tese:

• 73% dos jovens afirmam sentir-se sozinhos.

• 83% dos profissionais dizem que a solidão afeta o ambiente de trabalho.

 Ter acesso à comunicação 24/7 não significa, necessariamente, construir laços genuínos e duradouros.

Na prática isso significa que empresas e líderes não podem mais tratar a saúde mental apenas com benefícios individuais, como terapia e mindfulness. “A grande tendência para os próximos anos será a saúde social: a construção ativa de laços dentro das empresas para reduzir solidão, ansiedade e esgotamento”, alertou Kasley Killiam, no SXSW.

Carol Garrafa, destaca, portanto, três aprendizados essenciais da SXSW para líderes e empresas:

1. Ambientes devem incentivar interação. O futuro do trabalho híbrido não é sobre home office vs. presencial, mas sobre criar momentos de conexão intencionais. Empresas que projetam interações sociais saudáveis são mais inovadoras e produtivas.

2. Liderança como agente social. Líderes precisarão ser arquitetos de conexões, promovendo segurança psicológica e pertencimento. O sucesso não virá apenas de metas atingidas, mas da capacidade de criar redes de apoio dentro das equipes.

3. As relações no trabalho são a chave para a saúde mental. A neurociência confirma: pertencimento reduz estresse e aumenta performance. O cérebro humano lê a exclusão social como uma ameaça real. Empresas que não olharem para isso verão um aumento no turnover e queda no engajamento.

“Saber que o cérebro é social não é apenas ciência, é urgência, necessidade e, se bem trabalhado, pode ser a cura de muitas doenças e a entrega de mais resultados para empresas”, finaliza a especialista.

  • Publicado: 26/01/2026
  • Alterado: 26/01/2026
  • Autor: 24/03/2025
  • Fonte: Léo Santana