SUS terá transplante de membrana amniótica para tratamento de queimaduras
Técnica que utiliza camada da placenta acelera a cicatrização e em breve estará disponível no SUS.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 22/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a implementar uma nova e promissora terapia para acelerar a recuperação de vítimas de queimaduras no Brasil. Trata-se do transplante de membrana amniótica, uma fina camada da placenta que possui notáveis propriedades regenerativas, comprovadas cientificamente. A expectativa é que os critérios para a doação sejam oficializados ainda neste mês.
A iniciativa visa ampliar as opções de tratamento e atender à crescente demanda no país. “Já temos o transplante de pele e, agora, estaremos disponibilizando o de membrana amniótica“, afirmou Patrícia Freire, coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
LEIA MAIS: Cera de ouvido pode ajudar a detectar câncer, diz universidade brasileira
Como funciona o novo tratamento do SUS?
A membrana amniótica, coletada durante o parto após consentimento da doadora, atua como uma barreira biológica protetora sobre a lesão. Essa ação reduz significativamente a dor, diminui os riscos de infecção por bactérias e outros agentes externos e, principalmente, estimula o processo de cicatrização.
O material é especialmente eficaz em queimaduras de segundo grau, pois incentiva a multiplicação das células do próprio paciente, promovendo a formação de uma nova pele. Além disso, conforme apontado em uma reportagem do Jornal da USP de 2022, a técnica também pode ser aplicada no tratamento de feridas crônicas, como as decorrentes de diabetes ou úlceras venosas.
Regulamentação e prazo para a oferta
Esta é a primeira vez que a membrana amniótica é incluída no Regulamento Técnico do SNT. A medida foi aprovada em maio e oficializada pelo Ministério da Saúde com a publicação no Diário Oficial em 23 de junho. A partir dessa data, foi estabelecido um prazo de 180 dias para que o procedimento seja efetivamente ofertado à população.
Gargalos no Sistema: O desafio do transplante de córnea
Enquanto novas terapias são implementadas, o sistema de transplantes ainda enfrenta desafios em outras áreas, como na doação de córneas. Um levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) revelou que o tempo de espera pela cirurgia dobrou na última década, saltando de 174 para uma média de 374 dias.
O SNT trabalha para reverter esse cenário e atingir a chamada “lista zero“.
“A lista zero é praticamente impossível de acontecer, porque todo dia entra paciente na lista, mas o que estamos entendendo como lista zero é quando uma pessoa não leva mais do que 60 dias para entrar na lista [de transplante] e conseguir transplantar. Estamos trabalhando profundamente em medidas para atingir isso [em relação ao transplante de córnea]“, explica Patrícia Freire.
Segundo o CBO, a demora foi agravada pela pandemia de covid-19, que represou cirurgias eletivas entre 2020 e 2023, e pela falta de reajustes nos valores dos procedimentos. Freire, no entanto, garante que os valores já foram corrigidos e que a fila está sendo normalizada.
“De fato teve uma demanda reprimida pela covid, mas a partir de 2023 já começamos a apresentar um aumento [de cirurgias]. Então, esse aumento tem sido gradual e o que esperamos é atingir um crescimento de pelo menos 20% no número de transplantes de córnea realizados”, pontua a coordenadora-geral do SNT.
Ela finaliza destacando a abrangência do sistema brasileiro: “Depois do transplante, tem a entrega do medicamento imunossupressor que é necessário para o resto da vida e isso também é fornecido 100% pelo SUS. É um diferencial que muitos países não têm. No Brasil, o SUS financia o procedimento de transplantes do começo ao fim”.