STM julga perda de patente de Bolsonaro por trama golpista
Em decisão histórica, o tribunal militar avalia se Bolsonaro e generais condenados são indignos do oficialato após tentativa de golpe.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 04/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
O Superior Tribunal Militar (STM) deu início, nesta terça-feira (3), a um processo que pode mudar definitivamente a biografia militar de Jair Bolsonaro. A corte analisará o pedido de perda de posto e patente do ex-presidente e de quatro oficiais do alto escalão das Forças Armadas, todos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma trama golpista após as eleições de 2022. O julgamento é considerado um marco para a jurisprudência militar brasileira.
A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, classificou o caso como um “tribunal de honra”. Segundo a magistrada, o julgamento definirá o entendimento da corte sobre a preservação do Estado Democrático de Direito. Caso o pedido do Ministério Público Militar seja aceito, Bolsonaro, que é capitão da reserva, deixará de ser militar, tornando-se civil perante a lei e perdendo os benefícios e as honrarias da carreira.
Julgamento inédito de oficiais-generais
O processo é cercado de ineditismo. Pela primeira vez em mais de dois séculos de história da Justiça Militar no Brasil, generais de quatro estrelas e um almirante de esquadra enfrentam o julgamento de “indignidade para o oficialato”. Entre os citados, além de Bolsonaro, estão nomes que ocuparam o centro do poder no último governo: os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e o almirante Almir Garnier.
A condenação de Bolsonaro pelo STF a 27 anos de reclusão serve como base para o pleito. Atualmente recluso no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, o ex-presidente aguarda a decisão do STM que poderá retirá-lo da carceragem da Polícia Militar, caso perca o status de oficial, transferindo-o definitivamente para o sistema prisional comum.
Impactos na carreira e no sistema prisional
A perda da patente não é apenas uma sanção moral; ela possui implicações práticas severas. Além da interrupção do recebimento de proventos (que passariam a ser pagos como pensão a dependentes, conforme a regra da “morte ficta”), a decisão de declarar Bolsonaro indigno do oficialato encerra sua ligação institucional com o Exército Brasileiro.
| Oficial | Patente | Status Jurídico |
| Jair Bolsonaro | Capitão (R1) | Condenado e Preso (Papuda) |
| Augusto Heleno | General de Exército (R1) | Condenado pelo STF |
| Braga Netto | General de Exército (R1) | Condenado pelo STF |
| Paulo Sérgio Nogueira | General de Exército (R1) | Condenado pelo STF |
| Almir Garnier | Almirante de Esquadra (R1) | Condenado pelo STF |
A defesa de Bolsonaro argumenta que o ex-presidente apresenta problemas de saúde debilitados e pleiteia a prisão domiciliar. No entanto, o julgamento no STM seguirá o rito do plenário de 15 ministros, onde dez são militares. O resultado deste “julgamento paradigma” servirá como termômetro sobre como as Forças Armadas pretendem lidar com a herança política e jurídica do período 2019-2022.
A nação aguarda o desfecho de um dos processos mais sensíveis da história republicana, que colocará à prova a disciplina e a hierarquia militar diante da violação das normas constitucionais.