STF mantém condenação de réus envolvidos na tragédia da boate Kiss

Decisão também determina prisão imediata dos condenados envolvidos no acontecimento.

STF mantém condenação de réus envolvidos na tragédia da boate Kiss

Crédito: Reprodução

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta segunda-feira (3), manter a condenação de quatro réus envolvidos na tragédia da boate Kiss, que resultou em uma das maiores catástrofes da história recente do Brasil. A decisão também determina a prisão imediata dos condenados.

O julgamento ocorreu por meio de plenário virtual, com a presença dos ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes, que acompanharam o voto do relator, Dias Toffoli. Os votos dos ministros Nunes Marques e André Mendonça ainda não foram divulgados, mas podem ser registrados no sistema eletrônico do STF até o final da noite de hoje.

A tragédia ocorreu na madrugada de 27 de janeiro de 2013, durante um show da banda Gurizada Fandangueira em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O incêndio devastador deixou um saldo trágico de 242 mortos e mais de 600 feridos, com a maioria das vítimas apresentando asfixia em decorrência de gases tóxicos liberados pela queima do revestimento de espuma, instalado irregularmente no local e que foi inflamado por um artefato pirotécnico.

Os réus condenados incluem o auxiliar da banda Luciano Bonilha e o vocalista Marcelo de Jesus, ambos com penas de 18 anos de prisão. Além deles, os sócios da boate, Mauro Hoffmann e Elissandro Spohr, foram sentenciados a 19 anos e seis meses e 22 anos e seis meses de reclusão, respectivamente.

Em agosto de 2022, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul anulou o júri que havia decidido pelas condenações em dezembro de 2021. Após dez anos do ocorrido, ninguém havia sido responsabilizado judicialmente pelo incêndio até então.

No último mês de setembro, a anulação foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), levando o caso ao STF em 2024. Durante este processo, Toffoli já havia decidido pela manutenção das condenações anteriores, respondendo a recursos apresentados pela Procuradoria-Geral da República e pelo Ministério Público gaúcho.

Em novembro passado, Toffoli rejeitou um pedido de revisão feito por Luciano Bonilha sobre sua condenação.

O julgamento desta segunda-feira visava avaliar se as defesas dos réus seriam acatadas em seus pedidos contra a decisão anterior proferida pelo relator. O advogado de Elissandro Spohr, Jader Marques, expressou sua discordância em relação à decisão majoritária do STF, mas afirmou que respeitará o resultado. Ele ressaltou que o caso deverá retornar ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul para que os pontos pendentes sejam analisados.

Além disso, a advogada Tatiana Borsa, que representa Marcelo de Jesus, manifestou seu descontentamento com o desfecho do julgamento e afirmou que aguardará o processo no Tribunal de Justiça gaúcho. Ela reafirmou sua confiança na justiça e no andamento das apelações.

  • Publicado: 03/02/2025 18:50
  • Alterado: 03/02/2025 18:50
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: FOLHAPRESS