STF intensifica segurança para o julgamento de Jair Bolsonaro
As medidas incluem varreduras nas residências dos ministros, controle de acesso à Praça dos Três Poderes e reforço do policiamento no tribunal.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 26/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Supremo Tribunal Federal (STF) está implementando um rigoroso esquema de segurança para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ocorrerá no dia 2 de setembro. Entre as medidas adotadas estão a realização de varreduras nas residências dos ministros, a restrição de acesso à Praça dos Três Poderes e o aumento do policiamento nas instalações do tribunal, onde agentes permanecerão durante toda a noite.
Para fortalecer a segurança, o STF requisitou aproximadamente 30 policiais de tribunais de diversas partes do Brasil e planeja mobilizar todo seu efetivo da Polícia Judicial para essa operação especial. O planejamento está sendo finalizado em colaboração com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e as medidas têm como objetivo garantir a integridade dos magistrados e da corte, especialmente em razão do clima tenso que envolve o processo.
A expectativa é que os policiais designados para atuar na sede do tribunal em Brasília permaneçam no local por pelo menos dois meses, com possibilidade de prorrogação. As acomodações foram adaptadas para permitir que esses agentes durmam em beliches e fiquem à disposição para responder rapidamente a qualquer eventualidade.
A avaliação interna sugere que esse reforço se faz necessário devido ao aumento das ameaças enfrentadas pelo STF e seus membros, exacerbadas pela iminência do julgamento e pela potencial condenação de Bolsonaro. A prática de requisitar policiais de outras jurisdições não é nova, mas atualmente existe um consenso sobre a necessidade urgente de aumentar o efetivo permanente da Polícia Judicial, incluindo a contratação de novos agentes.
Além disso, o plano de segurança considera fatores adicionais que elevam o nível de risco. O julgamento coincide com as comemorações da Independência do Brasil, que ocorrem no dia 7 de setembro, um evento tradicionalmente marcado por manifestações. Os apoiadores de Bolsonaro já programaram atos públicos que coincidirão com os desfiles cívico-militares, aumentando ainda mais a tensão no ambiente.
Outro aspecto preocupante é a possibilidade de ataques ao tribunal persistirem por um período prolongado após o veredito. Se Bolsonaro for condenado, sua prisão só deve ocorrer após o esgotamento dos recursos legais, prolongando assim a pressão sobre o STF. Além disso, a data da posse do novo presidente da corte, Edson Fachin, prevista para 29 de setembro, pode gerar um cenário ainda mais conturbado.
A segurança também está atenta não apenas aos grupos organizados, mas aos chamados “ratos solitários”, uma terminologia utilizada para evitar conotações positivas ao comportamento isolado desses indivíduos que podem representar riscos significativos. Um exemplo recente é o ataque perpetrado por Francisco Wanderley Luiz, que se explodiu próximo ao edifício do STF no ano passado.
Medidas preventivas como grades protetivas ao redor do edifício foram reimplementadas após esse incidente e continuarão em vigor por tempo indeterminado. Em fevereiro de 2024, houve uma tentativa simbólica de retirada dessas grades por líderes das instituições democráticas brasileiras, mas a necessidade de reforços acabou por levar à sua reinstalação.
A equipe responsável pela segurança também está avaliando a possibilidade de que Bolsonaro compareça pessoalmente ao julgamento. Sua presença poderia gerar uma grande comoção pública e exigiria um incremento adicional nas medidas protetivas. O ex-presidente manifestou interesse em estar presente durante as sessões, embora esteja ponderando sobre as implicações políticas dessa decisão.
O presidente da Primeira Turma do STF, Cristiano Zanin, estabeleceu que as audiências ocorrerão nos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, prevendo-se que o julgamento se estenda por duas semanas com intensa análise das acusações contra Bolsonaro e outros réus envolvidos na suposta trama golpista.