STF condena Carla Zambelli a 10 anos de prisão por invasão de sistema do CNJ

Primeira Turma tem cinco votos para condenar Carla Zambelli a 10 anos de prisão, com consequente perda do mandato. Fux foi o último a votar

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O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, condenar a deputada federal Carla Zambelli (PL) a 10 anos de prisão, além da perda do mandato e uma multa de R$ 2 milhões, a ser paga em conjunto com o hacker Walter Delgatti. O julgamento se refere à participação da parlamentar na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um crime que levanta sérias preocupações sobre a segurança dos dados judiciais.

Durante a sessão virtual da Primeira Turma, que pode ser finalizada até sexta-feira, 16 de maio, todos os cinco ministros já haviam votado pela condenação até o final do dia de quarta-feira. O ministro Luiz Fux, último a se pronunciar, seguiu o entendimento do colega Alexandre de Moraes e dos outros integrantes da Turma, contrariando as expectativas de que pudesse haver um pedido de vista ou uma mudança para o plenário físico.

A Procuradoria Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia detalhada sobre as ações de Zambelli, afirmando que ela teria liderado a tentativa de adulterar informações oficiais no Judiciário. O documento aponta que entre agosto de 2022 e janeiro de 2023, Zambelli teria abordado Delgatti com a proposta de invadir sistemas críticos, oferecendo em troca um contrato formal para serviços relacionados ao seu trabalho parlamentar.

De acordo com as investigações, Zambelli teria solicitado a Delgatti a elaboração de um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, utilizando informações falsas e criando um documento fraudulento. A PGR argumentou que a conduta da deputada não apenas visava comprometer a integridade das instituições, mas também ferir os princípios fundamentais da justiça.

Em resposta à condenação, Carla Zambelli manifestou seu descontentamento em nota oficial. Ela alegou não haver provas concretas que sustentassem sua culpa e denunciou uma suposta perseguição política direcionada a ela como representante de valores conservadores.

No comunicado, a deputada expressou: “Estou sendo vítima de uma perseguição política que atenta não apenas contra minha honra pessoal, mas contra os princípios mais elementares do Estado de Direito. Repito: não há qualquer prova que sustente essa condenação”. Além disso, reafirmou sua confiança na justiça divina e agradeceu pelo apoio recebido em meio ao processo judicial.

O desfecho deste caso é aguardado com expectativa, pois as implicações legais e políticas são significativas e refletem um momento delicado na história recente do Brasil, onde a relação entre política e justiça continua sendo amplamente debatida.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 14/05/2025
  • Fonte: FERVER