Ato por direitos trabalhistas paralisa Starbucks em Guarulhos
Mobilização global com sindicatos dos EUA e Brasil paralisou lojas da rede por duas horas.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 10/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Uma manifestação realizada na manhã desta segunda-feira (10) no Aeroporto Internacional de Guarulhos impactou diretamente as operações da Starbucks, resultando na interrupção do funcionamento das lojas por cerca de duas horas. O ato colocou o Brasil em destaque na maior mobilização mundial já estruturada contra as políticas trabalhistas da rede de cafeterias.
A ação reuniu aproximadamente 250 pessoas e percorreu todas as unidades da marca no terminal. O movimento foi coordenado por centrais sindicais brasileiras, incluindo UGT, CUT e Força Sindical, e contou com o apoio estratégico da Service Employees International Union (SEIU). Esta entidade representa mais de dois milhões de trabalhadores nos Estados Unidos, Canadá e Porto Rico, reforçando o caráter internacional do protesto.
Mobilização internacional e denúncias
O protesto em Guarulhos integra uma onda global de atos que ocorrem simultaneamente em diversos países. O foco principal está nos Estados Unidos, onde baristas denunciam problemas graves, como jornadas de trabalho imprevisíveis, assédio gerencial e condutas antissindicais. Tais práticas já foram sinalizadas como graves pelo National Labor Relations Board (NLRB).
A parceria contínua entre a SEIU e as centrais sindicais brasileiras foi determinante para a realização do ato local, visando pressionar a Starbucks e outras multinacionais do setor de alimentação a respeitarem os direitos laborais.
Neal Bisno, vice-presidente executivo da SEIU, esteve presente em Guarulhos e ressaltou a necessidade de uma frente unida.
“As empresas são multinacionais. Por isso, os trabalhadores também precisam fortalecer sua união internacional. Quando a pressão acontece de maneira coordenada, o impacto é imediato. Direitos trabalhistas não podem ter fronteiras”, afirmou Bisno.
O dirigente também enfatizou o intercâmbio de experiências entre os trabalhadores, mencionando a presença de uma delegação de baristas norte-americanos no Brasil.
“Eles vão levar de volta para os Estados Unidos a energia desse ato. Saber que trabalhadores de outro país se levantaram por eles dá coragem para seguir, aumenta a confiança e mostra que a luta deles é parte de algo muito maior. É assim que direitos avançam: quando quem trabalha se reconhece como parte de uma mesma classe, em qualquer lugar do mundo”, completou.
Ricardo Patah, presidente da UGT, reforçou que o desrespeito aos colaboradores da Starbucks é um padrão global.
“O que vemos aqui acontece em vários países. Os trabalhadores da Starbucks estão sendo desrespeitados no Brasil, nos Estados Unidos e em outros lugares. Esse movimento global mostra que ninguém está sozinho nessa luta. Quando denunciamos juntos, a empresa escuta”, disse Patah.
Crise no Brasil intensifica protestos
Embora haja um forte componente de solidariedade internacional, o protesto brasileiro reflete problemas locais severos decorrentes da recuperação judicial da SouthRock, antiga operadora da marca no país.
O cenário é crítico: entre 2023 e 2024, cerca de 40 unidades foram fechadas, resultando em centenas de demissões sem o pagamento das verbas rescisórias. Essa precarização foi o combustível para a adesão massiva das bases sindicais ao ato contra a Starbucks.
Ellen Rodrigues Eustáquio, ex-barista do aeroporto de Brasília, relatou o impacto financeiro e emocional da demissão de 17 colegas sem os devidos pagamentos.
“Era para ter recebido minha rescisão faz tempo, mas disseram que as contas estavam bloqueadas. Nem o vale-transporte entrou no último mês de trabalho. A gente precisou pedir dinheiro para voltar para casa no dia da demissão. Foi muito desrespeito com todo mundo”, lamentou.
Poliana Rodrigues de Souza, de 20 anos e ex-funcionária do aeroporto de Belo Horizonte, descreveu uma situação de total descaso e falta de comunicação transparente.
“A gente foi demitida ainda de madrugada, sem nenhuma explicação. Diziam que iriam pagar num dia, mas no dia seguinte mandaram e-mail dizendo que não haveria depósito. Muitas colegas nem conseguiram dar entrada no seguro-desemprego. Foi tudo pensado para não pagar ninguém”, denunciou.
Esses relatos evidenciam que, para além da solidariedade global, a crise de gestão local da Starbucks exige respostas imediatas para os trabalhadores brasileiros lesados.