SP reforça vacinação contra sarampo no litoral paulista

Com o avanço do sarampo no mundo, Secretaria de Saúde de São Paulo emite alerta para viajantes e serviços de saúde no litoral paulista

Crédito: Divulgação

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) emitiu um comunicado oficial de alerta máximo diante do risco iminente de reintrodução do sarampo no território paulista. O foco da preocupação reside na temporada de cruzeiros 2025/2026, que começou em outubro e deve levar mais de 670 mil pessoas ao litoral brasileiro até abril. A intensa movimentação de passageiros e tripulantes de diversas nacionalidades cria o ambiente propício para a circulação do vírus, especialmente considerando os surtos ativos da doença em outras partes do mundo.

Embora o Brasil tenha recuperado em 2024 o certificado de eliminação do sarampo, o cenário em 2025 exige vigilância rigorosa. Até dezembro deste ano, já foram registrados 38 casos importados ou relacionados à importação no país. No estado de São Paulo, dois casos já foram confirmados, o que acende um alerta para a necessidade de manter a cobertura vacinal em níveis elevados para evitar a transmissão comunitária.

Riscos de contágio do sarampo em ambientes fechados

O sarampo é uma doença viral extremamente contagiosa e de transmissão aérea. O vírus se espalha facilmente através de gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Navios de cruzeiro, por serem ambientes fechados e com alta densidade demográfica, representam um desafio adicional para as autoridades sanitárias.

Os sintomas típicos do sarampo costumam aparecer entre sete e 14 dias após o contato com o vírus. Os viajantes devem ficar atentos a sinais como:

  • Febre alta e tosse persistente;
  • Coriza e conjuntivite (olhos avermelhados);
  • Manchas avermelhadas na pele (exantema), que geralmente começam no rosto e descem para o corpo.

Prevenção e esquema vacinal atualizado

Entenda o esquema de cobertura vacinal contra o sarampo - Reprodução
Entenda o esquema de cobertura vacinal contra o sarampo – Reprodução

A única forma eficaz de prevenir o sarampo é a vacinação. A SES-SP orienta que qualquer pessoa que planeje viajar — seja em cruzeiros ou para eventos de grande porte — verifique sua caderneta de saúde. O esquema completo da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, deve ser administrado preferencialmente com, pelo menos, 15 dias de antecedência à viagem.

Além da imunização, a adoção de hábitos de higiene é crucial durante o trajeto. Especialistas reforçam a importância de cobrir nariz e boca ao espirrar, higienizar as mãos com frequência (água e sabão ou álcool em gel) e evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal, como copos e talheres. Manter os ambientes ventilados e evitar locais com aglomerações também ajuda a reduzir o risco de exposição ao vírus do sarampo.

Orientações para o pós-viagem e notificação médica

A atenção não deve cessar ao desembarcar. Caso o viajante apresente febre ou manchas no corpo em até 30 dias após o retorno, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde. É vital informar ao médico o histórico de deslocamento para que a suspeita de sarampo seja investigada com prioridade.

Para os profissionais de saúde, a regra é clara: o sarampo é uma doença de notificação compulsória imediata. Diante de qualquer caso suspeito, a vigilância epidemiológica deve ser notificada em até 24 horas. Essa rapidez permite que o estado realize ações de bloqueio vacinal ao redor do paciente, impedindo que o vírus se espalhe para a comunidade.

A Secretaria de Saúde segue monitorando os portos e municípios litorâneos de forma integrada. O objetivo é garantir que a temporada de cruzeiros transcorra com segurança, protegendo tanto os turistas quanto a população local contra o retrocesso sanitário que a volta do sarampo representaria.

  • Publicado: 19/01/2026
  • Alterado: 19/01/2026
  • Autor: 27/12/2025
  • Fonte: TUCA