SP relata não ter recebido insulina solicitada ao Ministério da Saúde
O estado de São Paulo enfrenta dificuldades no fornecimento de insulina regular, com o Ministério da Saúde alegando que o abastecimento no SUS está normalizado, apesar de problemas na produção e distribuição do medicamento.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 14/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O governo do estado de São Paulo relatou que não recebeu os frascos de insulina regular solicitados ao Ministério da Saúde em dezembro de 2024, gerando um desabastecimento do medicamento essencial para o tratamento de diabetes. Desde a metade do ano passado, o estado tem enfrentado desafios significativos no fornecimento desse insumo crítico.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que foram requisitados 54 mil frascos de insulina regular, porém nenhuma unidade foi entregue até o momento. Em paralelo, foram solicitados 95 mil frascos de insulina NPH, dos quais apenas 26.305 foram recebidos.
“A responsabilidade pela aquisição e distribuição da insulina cabe ao Ministério da Saúde“, destacou a secretaria em uma nota enviada à imprensa. A secretaria também afirmou que as insulinas em canetas estão sendo distribuídas normalmente e que mantém um diálogo constante com o ministério para solucionar a questão do abastecimento.
Em contato feito nesta terça-feira (14), o Ministério da Saúde ainda não havia respondido às solicitações de esclarecimentos até o fechamento desta matéria.
Na última sexta-feira (10), a pasta anunciou a remessa de 26 mil frascos de insulina regular para reforçar a rede hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) nos estados, parte de uma estratégia federal para lidar com a escassez global do medicamento em frascos. No entanto, o ministério negou que existisse desabastecimento. “Os esforços do ministério garantiram o abastecimento no SUS para atender à população brasileira. Não há falta de insulinas no Brasil, uma vez que a rede pública está abastecida”, afirmou.
No âmbito do SUS, os pacientes têm acesso a dois tipos principais de insulina: a regular e a NPH, ambas disponíveis em frascos de 10 ml e canetas descartáveis.
Mônica Lenzi, farmacêutica especializada em diabetes e membro do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais, mencionou que há restrições na produção de insulina em frascos. Além de São Paulo, outros estados também relatam dificuldades na obtenção desse medicamento vital.
No estado de Goiás, por exemplo, a Secretaria de Saúde local indicou que a diminuição na produção de insulina em frascos está afetando a rede pública, embora tenha destacado que o ministério tem fornecido canetas de 3 ml suficientes para atender à demanda. No entanto, o programa Farmácia Popular sofreu prejuízos devido à sua dependência exclusiva das insulinas em frascos de 10 ml.
Em Minas Gerais, muitos pacientes estão sendo orientados a usar insulina em canetas. A Secretaria Estadual da Saúde informou que recebeu apenas 23% da quantidade solicitada de insulina regular em frascos e 100% da insulina NPH. Em relação às canetas, foram entregues 98% da NPH e 66% da regular, atendendo às necessidades entre 16 de dezembro e esta quarta-feira (15).
A Novo Nordisk, uma das principais fornecedoras de insulina ao Ministério da Saúde, admitiu enfrentar dificuldades na cadeia de suprimentos, resultando na redução da disponibilidade das formas líquidas do medicamento. Contudo, assegurou que o fornecimento ao governo federal continua normalizado.
“A intermitência no mercado privado não afeta a distribuição das insulinas humanas em canetas pelo Ministério da Saúde via SUS”, acrescentou a empresa farmacêutica.
A Novo Nordisk recomendou que pacientes que dependem do mercado privado busquem alternativas com orientação médica adequada. Usuários do Programa Farmácia Popular devem consultar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para verificar a disponibilidade dos medicamentos.
A empresa expressou seu pesar pelos impactos causados pela situação atual e reafirmou seu compromisso com os brasileiros e com o sistema público de saúde, enfatizando esforços para antecipar entregas e melhorar a previsibilidade no fornecimento dos produtos essenciais.