SP tem recorde no registro de feminicídios, com 166 vítimas até agosto
Em São Paulo, Bruna Freitas e sua mãe foram assassinadas. O aumento de feminicídios é alarmante, com 166 casos este ano, demandando políticas eficazes.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 12/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em um trágico incidente que ocorreu em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, Bruna Freitas Santos, de 29 anos, e sua mãe foram brutalmente assassinadas a facadas. O principal suspeito do crime é Bruno Rocha Campos, ex-companheiro de Bruna, que já havia manifestado comportamento violento anteriormente, incluindo uma tentativa de atropelamento. A situação culminou em ameaças contra a vida da filha do casal, levando Bruna a decidir se encontrar com o ex-parceiro na noite fatídica de 10 de setembro deste ano.
O caso de Bruna não é isolado; ele representa um aumento preocupante no número de feminicídios registrados no estado de São Paulo. Dados do Instituto Sou da Paz revelam que, entre janeiro e agosto deste ano, houve um aumento de 9% nos casos de feminicídio em comparação ao mesmo período do ano anterior. O número total chegou a 166 mulheres assassinadas, o que marca o maior registro para os primeiros oito meses desde a promulgação da lei que tipificou o feminicídio como crime em 2015.
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Na capital paulista, a situação é ainda mais alarmante. Foram reportados 43 homicídios relacionados a feminicídios, um crescimento de 34% em relação ao ano passado. As regiões sul e leste concentram a maioria das ocorrências. A pesquisadora Malu Pinheiro, do Instituto Sou da Paz, destaca que essa forma de violência se manifesta predominantemente dentro do ambiente doméstico, dificultando ações preventivas por parte das autoridades policiais.
Estudos indicam que 66% dos ataques ocorrem no lar e são frequentemente perpetrados com armas cortantes (51%), enquanto armas de fogo estão envolvidas em apenas 16% dos casos. Malu Pinheiro também aponta que as tentativas de feminicídio estão aumentando, refletindo um quadro alarmante sobre a segurança das mulheres.
Especialistas criticam a falta de políticas públicas direcionadas especificamente para combater essa questão. Malu enfatiza que o feminicídio deve ser abordado como um problema único que requer intervenções apropriadas e eficazes. Apesar dos esforços relatados pelo governo estadual para enfrentar a violência contra a mulher, como o fortalecimento das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e a implementação de tecnologias como o aplicativo Mulher Segura, os resultados ainda são insatisfatórios.
A Secretaria de Políticas para a Mulher reconheceu desafios orçamentários e mencionou esforços contínuos para melhorar as condições de proteção às vítimas. No entanto, críticos argumentam que as medidas adotadas não são suficientes frente à gravidade da situação.
A tragédia envolvendo Bruna Freitas Santos ilustra uma falha sistêmica nas respostas ao fenômeno da violência contra mulheres. O ex-companheiro permanece foragido mesmo após ter sua prisão decretada. A delegada responsável pelo caso revelou que Bruna nunca havia registrado uma queixa formal contra Bruno, embora houvesse sinais claros de comportamentos abusivos no relacionamento.
Casos similares foram relatados, como o assassinato de Maria Adelma dos Santos em setembro do ano passado. Maria também havia buscado ajuda policial antes de ser morta por seu ex-companheiro, mas seu pedido por uma medida protetiva foi negado por falta de evidências. Essas histórias ressaltam uma dura realidade enfrentada por muitas mulheres: o ciclo da violência muitas vezes não é interrompido pelas intervenções judiciais disponíveis.
A situação se torna ainda mais angustiante quando se considera que as vítimas frequentemente não sabem onde buscar ajuda ou se sentem desprotegidas até que seja tarde demais. Emily dos Santos Silva, filha de Maria Adelma, expressou sua dor ao dizer: “Vivemos em busca de que algo seja feito… minha mãe estava desorientada e sem proteção.” A busca por justiça continua enquanto especialistas pedem ações mais contundentes para enfrentar essa epidemia silenciosa na sociedade brasileira.