SP lança 1º SEIP para prevenção às drogas com formação inédita
Curso une governo e Unifesp para implementar ações baseadas em ciência contra o uso de substâncias e violência em São Paulo.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 02/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo (SEDS) iniciou uma etapa decisiva para a proteção social no estado nesta segunda-feira (2). Trata-se da implementação prática do SEIP (Sistema Estadual Integrado de Prevenção), que realiza seu primeiro curso de formação até o dia 6 de fevereiro. A iniciativa busca profissionalizar o combate ao uso de drogas e às violências contra crianças e adolescentes.
Voltada para agentes dos Espaços Prevenir, profissionais das Casas Terapêuticas e da Unifesp, a capacitação ocorre no centro da capital paulista. O objetivo central é superar a abordagem de ações fragmentadas, substituindo-as por estratégias fundamentadas em evidências científicas e diretrizes internacionais.
SEIP e a ciência da prevenção como política pública
O curso é fruto de uma parceria estratégica entre a SEDS, o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Condeca), a Secretaria da Educação e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ao integrar o SEIP, o governo paulista reconhece que problemas complexos exigem respostas articuladas.
A proposta envolve a participação intersetorial de diversas pastas, incluindo Saúde e Segurança Pública, além do Gabinete do Vice-Governador. A secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém, destaca a mudança de paradigma na gestão:
“A prevenção é uma política pública que precisa ser planejada, baseada em evidências e executada de forma articulada. Com esse curso, damos um passo fundamental para estruturar o Sistema Estadual Integrado de Prevenção, qualificando profissionais e fortalecendo ações que protegem crianças, adolescentes e suas famílias em todo o estado de São Paulo.”
Objetivos estratégicos da formação
Para garantir a eficácia do SEIP, a formação técnica foca em pilares essenciais que sustentam a nova política pública:
- Programas Escolares: Aplicação de métodos preventivos validados no ambiente educacional.
- Integração de Redes: Articulação entre serviços locais de cuidado e proteção.
- Produção de Material: Desenvolvimento de manuais técnicos e campanhas educativas.
- Monitoramento: Avaliação contínua de resultados para ajustes na política estadual.
Metodologia internacional e atuação em campo
Durante a semana de imersão, os participantes têm contato com referências globais, como as diretrizes do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O SEIP utiliza a Ciência da Prevenção para mapear fatores de risco e proteção, garantindo menor custo de infraestrutura e maior impacto na saúde mental.
Gregor Burkhart, especialista alemão com três décadas de experiência em saúde pública, reforça a importância da técnica. Segundo ele, não basta ter a teoria; é crucial aplicar a “Ciência da Implementação” para que os projetos funcionem de forma sustentável na prática.
O papel dos Agentes Prevenir
Dentro da estrutura do SEIP, os agentes de campo assumem uma função vital. Eles atuam como elo entre a política pública e a realidade dos territórios vulneráveis. Entre suas atribuições estão a supervisão da qualidade das ações e o registro de informações que alimentarão o sistema de monitoramento do estado.
Angelo Luiz Viana, subsecretário de Políticas Públicas da SEDS, ressaltou na abertura do evento que a política pública não se constrói de forma isolada, unindo o conhecimento acadêmico à experiência prática de quem atua na ponta.
Um marco histórico para São Paulo
A iniciativa representa uma evolução na postura governamental. Gleuda Apolinário, assessora técnica do Gabinete do Vice-Governador, aponta que resolver cenas abertas de uso de drogas exige atuar na raiz do problema, com ênfase na proteção da infância.
Para Eliana Borges, diretora de Políticas sobre Drogas, a formação dos primeiros agentes é um momento histórico. O SEIP se consolida, assim, não apenas como um projeto passageiro, mas como uma política de estado permanente, focada no desenvolvimento saudável das novas gerações e na redução de vulnerabilidades sociais.