SP aumenta investimento em agricultura familiar
SP investe R$ 143 milhões na alimentação escolar, priorizando produtos da agricultura familiar para uma alimentação saudável nas escolas
- Publicado: 17/02/2026
- Alterado: 24/10/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Serginho Lacerda
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) anunciou um investimento de R$ 143 milhões na aquisição de produtos da agricultura familiar, destinado à alimentação de mais de 3.700 escolas estaduais em 2025. Este valor representa um aumento significativo em relação aos R$ 10 milhões investidos em 2019, demonstrando uma ampliação do compromisso da atual gestão com a alimentação saudável nas escolas.
SP investirá na alimentação escolar com produtos da agricultura familiar

Além disso, o montante deste ano já supera os R$ 140 milhões investidos em 2024, consolidando um crescimento contínuo nas aquisições de alimentos provenientes da agricultura familiar. A Seduc-SP adota duas modalidades para a oferta de alimentação escolar: a descentralizada, que se dá através de convênios com prefeituras, e a centralizada, na qual a secretaria é responsável pela compra dos insumos e pela contratação das equipes que atuam nas cozinhas das escolas. O investimento atual está voltado para a modalidade centralizada, garantindo alimentos frescos e saudáveis aos alunos.
O investimento da Educação de São Paulo também ultrapassa os 30% exigidos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), uma norma que regula o uso dos recursos do Programa de Alimentação Escolar (PAE). A partir de 2026, a Seduc-SP destinará mais de 45% dos recursos recebidos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para compras diretas da agricultura familiar, conforme estipulado pela Lei nº 11.947.
Dentre os itens adquiridos diretamente dos produtores familiares estão frutas como banana e tangerina, além de legumes e grãos como arroz, feijão carioca e feijão preto. Esses produtos são fundamentais para compor um cardápio saudável nas escolas estaduais.
A estudante Maria Clara dos Santos, de 17 anos, da Escola Estadual Buenos Aires, expressou sua satisfação com as refeições oferecidas: “Aqui na escola aprendi a gostar de mamão e tangerina. Saber que o que como vem da agricultura familiar me faz sentir que há um cuidado especial na comida”.
A nutricionista Osanilda Melo ressaltou a importância da alimentação escolar como uma ação crucial no combate à fome no Brasil, enfatizando que muitos alunos dependem das refeições servidas nas escolas como sua principal fonte alimentar. Ela explicou que a Seduc-SP tem promovido mudanças significativas no cardápio escolar, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados ao invés de preparos industrializados.
Tatiane Christina Domingos, coordenadora de alimentação escolar da Seduc-SP, destacou que os produtos são adquiridos por meio de chamadas públicas e que a equipe técnica realiza visitas às propriedades para conhecer o processo produtivo. Também mencionou a valorização das cozinheiras escolares por meio do Concurso de Receitas, onde são incentivadas a criar pratos que despertem o interesse dos alunos por frutas e vegetais.
Os alimentos vêm de diversos estados brasileiros, mas há uma prioridade na aquisição local. Para participar das chamadas públicas da Seduc-SP, os produtores devem estar organizados em cooperativas ou associações, o que permite unir pequenas produções em volumes maiores para atender à demanda das escolas.