Governo de SP intensifica combate à intoxicação por metanol
20 mil amostras de bebidas alcoólicas foram apreendidas
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 08/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Governo do Estado de São Paulo está tomando medidas enérgicas para combater os casos de intoxicação por metanol, que têm sido associados ao consumo de bebidas alcoólicas falsificadas. Desde a identificação dos primeiros casos em setembro, as autoridades intensificaram as ações de saúde pública e segurança, além de fortalecer a comunicação com a população sobre os riscos envolvidos e a situação atual.
Em resposta à crise, foi criado um gabinete de crise no dia 30 de setembro, que ampliou as operações de fiscalização em estabelecimentos como bares, adegas e restaurantes. Essas ações visam identificar irregularidades relacionadas à venda de bebidas adulteradas.
O governador Tarcísio de Freitas enfatizou a determinação do governo em não tolerar crimes desse tipo no estado. “É fundamental enfrentarmos essa questão de forma estruturada e coordenada entre todos os níveis de governo e o setor privado, garantindo que os cidadãos consumam produtos com garantia de origem e segurança”, afirmou.
As fiscalizações, realizadas por agentes das secretarias estaduais da Saúde, Segurança Pública, Fazenda e Justiça, em colaboração com vigilâncias sanitárias municipais, resultaram na interdição preventiva de 11 estabelecimentos. Além disso, quase 20 mil amostras de bebidas alcoólicas foram apreendidas para análise. A Secretaria da Fazenda também suspendeu preventivamente a inscrição estadual de seis distribuidoras e dois bares.

Com o aumento dos casos suspeitos, os protocolos para atendimento a vítimas foram aprimorados. No mesmo dia em que o gabinete foi instaurado, a Secretaria Estadual da Saúde alertou os profissionais da área sobre os riscos relacionados ao metanol. O protocolo inclui tratar todos os pacientes com sintomas incomuns após ingestão de álcool como casos suspeitos até que exames confirmem ou descartem a intoxicação.
Intoxicação por metanol
Até o dia 7 deste mês, foram descartados 85 casos de intoxicação, com 18 confirmações e três mortes registradas. A verificação dos exames abrange desde a coleta nas unidades de saúde até a análise realizada no Laboratório de Toxicologia Analítica Forense (Latof) da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto.
Para garantir um atendimento eficiente à população, o governo paulista disponibilizou 2.500 ampolas de álcool etílico absoluto às unidades de saúde pública, assegurando uma resposta rápida às emergências relacionadas ao metanol.
As forças policiais também estão ativas na luta contra a falsificação de bebidas. Desde o início do surto, foram realizadas 21 prisões, incluindo um indivíduo considerado o principal fornecedor dos insumos utilizados na adulteração. A polícia investiga se há conexão com organizações criminosas, mas até o momento não encontrou evidências nesse sentido.
A Polícia Científica está analisando as bebidas apreendidas nos locais associados aos casos confirmados para assegurar que os responsáveis sejam responsabilizados. Laudos iniciais já foram enviados à Polícia Civil para auxiliar nas investigações em andamento.
Além disso, o gabinete de crise criou canais específicos para denúncias relacionadas a possíveis irregularidades nas bebidas. A população pode reportar informações através do Disque Denúncia 181 ou pelo site da Polícia Civil de São Paulo. O Procon-SP também está disponível para receber denúncias pelo Disque 151 e seu site oficial.
O Governo do Estado também está promovendo diálogos com a iniciativa privada, especialmente com setores impactados pelas ações dos falsificadores. Reuniões foram realizadas com associações relevantes como a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O foco é unir esforços para prevenir novas contaminações.
No dia 6 deste mês, o governador anunciou um convênio com distribuidoras para capacitação em identificação de irregularidades e campanhas educativas. Além disso, será solicitado à Justiça autorização para destruir estoques apreendidos que apresentem indícios de adulteração ou falta de comprovação quanto à sua procedência.