SP garante financiar qualquer empresa que queira se instalar no ABC

Secretário Jorge Lima anuncia que o Estado bancará novos negócios na região, mas cobra que prefeituras garantam as áreas para instalação.

Crédito: Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima (foto: Thiago Quirino)

Um grande aceno à pequena e média empresa. Assim se pode descrever o gesto do Governo do Estado de São Paulo ao assumir um compromisso ousado para acelerar a reindustrialização e o desenvolvimento econômico da região do Grande ABC. Durante uma reunião entre o poder público e lideranças empresariais em São Bernardo do Campo nesta segunda-feira (23), o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, garantiu que haverá financiamento para qualquer empresa que deseje se instalar na região, uma das mais tradicionais do estado. 

A condição, segundo ele, é que as prefeituras locais viabilizem os terrenos necessários para os novos empreendimentos. A iniciativa, que será operada pela agência de fomento Desenvolve SP, visa atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a economia local, historicamente marcada pela indústria.

A promessa do secretário foi enfática e busca destravar um dos principais gargalos para a atração de novas companhias: o acesso à capital para instalação. Ao assegurar o apoio financeiro, o governo estadual transfere para os municípios a responsabilidade de serem ágeis na prospecção e oferta de áreas, criando uma parceria direta para o crescimento regional.

“O Governo do Estado vai financiar qualquer empresa que queira se instalar na região. Nós entramos com o financiamento pelo Desenvolve SP, mas a prefeitura tem que conseguir a área. Nos apresente qualquer empresa interessada e o financiamento é garantido”, cravou o secretário para uma plateia na ACISBEC (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo).

Empresa
Valter Moura Júnior (presidente da ACISBEC) e o secretário de Estado, Jorge Lima.

Foco estratégico nas pequenas e médias empresas

Apesar da promessa de financiamento ser ampla, Jorge Lima deixou claro que o coração da estratégia do governo Tarcísio de Freitas está no fomento às pequenas e médias empresas/indústrias. Para o secretário, o Brasil precisa abandonar a ideia de atrair apenas megacorporações, um mercado com poucas empresas disponíveis globalmente, e focar no que ele considera o verdadeiro motor do desenvolvimento, a exemplo de modelos consolidados como os dos Estados Unidos e do Japão.

A gente tem que parar de ficar sonhando com grandes empresas“, afirmou Lima. Ele defende que o investimento em PMEs gera um benefício social mais distribuído, pois a “verticalização salarial”, ou seja, a diferença entre os maiores e menores salários, é significativamente menor do que em grandes multinacionais. Essa política visa fortalecer a massa salarial da base e criar um ecossistema econômico mais resiliente e justo.

Essa visão se materializa no que o secretário chama de “modelo dos 50 quilômetros“. A ideia é que, ao invés de uma grande indústria importar componentes de longas distâncias, ela fomente o surgimento e o crescimento de uma cadeia de fornecedores locais, em um raio de até 50 km. Essa prática não apenas reduz custos logísticos, mas também pulveriza o desenvolvimento, gerando empregos e riqueza em toda a região ao redor do polo industrial.

São Bernardo precisa planejar seu futuro a longo prazo

Ao analisar o cenário específico de São Bernardo do Campo, que registrou queda no PIB per capita ao longo dos anos e enfrenta desafios de desindustrialização, Lima foi cético quanto à possibilidade de atrair novas plantas industriais de grande porte para o coração da cidade.

Grandes empresas em grandes cidades, sinceramente, eu não acredito”, disse. Ele argumenta que os impactos ambientais, de ruído e as complexidades logísticas de um centro urbano já denso afastam esses investimentos para as periferias ou municípios vizinhos.

A solução para a cidade, segundo ele, é uma “guinada para a tecnologia”. O secretário destacou o enorme potencial da região, que conta com um grande número de universidades e mão de obra qualificada, para se tornar um polo de inovação. Ele também rebateu a percepção de que o setor de logística estaria se esgotando na cidade, afirmando ter informações contrárias e que o Governo de São Paulo trabalha para trazer novas empresas do ramo, aproveitando a proximidade estratégica com o Porto de Santos.

Lima também criticou a falta de planejamento de longo prazo no poder público brasileiro, que muitas vezes limita as ações ao ciclo político de quatro anos. Para ele, um plano de desenvolvimento econômico eficaz precisa de uma visão de, no mínimo, 10 anos. Como empresário com experiência em diferentes setores, ele defende um planejamento cuidadoso aplicado como política de Estado e não como plano de governo suscetível a alterações de interesses políticos.

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  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 23/09/2025
  • Fonte: Sorria!,